Impactos das características do ensino na graduação nos níveis de empatia de estudantes de Medicina: uma revisão bibliográfica

  • Amanda Negretto
  • Amanda Lorenzi Negretto
  • Juliana da Rosa Wendt
Rótulo Empatia, Características, Estudantes, Medicina, Graduação

Resumo

Introdução: A empatia é uma habilidade essencial para o estabelecimento de uma boa relação médico-paciente e contribuiu para aumentos na efetividade dos processos diagnósticos e de adesão terapêutica. Tendo em vista as reformas curriculares recentes, promovidas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Graduação em Medicina, em 2014, há de se investigar quais os impactos do ensino na graduação nos níveis de empatia em estudantes de Medicina. Objetivo: Identificar o impacto das características do ensino na graduação em Medicina nos níveis de empatia em estudantes de Medicina. Métodos: Revisão bibliográfica, realizada através da busca de artigos indexados nas plataformas PubMed e Scholar Google, usando os termos medical students AND empathy, e seus equivalentes em português. Os critérios de inclusão foram: trabalhos realizados nos últimos dez anos, sem restrição de linguagem. Foram excluídas duplicatas, teses, relatos de experiência, artigos de opinião, artigos não disponibilizados na íntegra ou cujo conteúdo não condizia com o escopo de presente revisão. Resultados: De 4.175 artigos encontrados, 14 foram selecionados para esta revisão. Os trabalhos demonstraram diferenças nos níveis de empatia entre estudantes de Medicina em estágios diferentes do curso: os semestres iniciais tinham maiores níveis que os semestres finais, com significativo declínio ao longo do curso. O contato precoce com paciente, sem preparação psíquica e emocional dos estudantes, também foi apontado como elemento diminuidor da empatia. Em um estudo comparando uma escola de Medicina nos EUA e no Brasil, foi evidenciado que estudantes brasileiros tinham mais sintomas depressivos e de estresse, com impacto negativo nos níveis de empatia, enquanto os americanos tinham maior bem-estar e qualidade de vida e menor exaustão, o que pode ser explicado, entre outros fatores, por diferenças curriculares entre os países: no Brasil, as aulas são majoritariamente expositivas, com disciplinas não integradas e turmas grandes. Em um dos estudos, a exigência predominante de conhecimento técnico embutido no currículo foi apontada como impeditivo para um maior aprofundamento de reflexões humanizadas, e tópicos como morte, dor e dilemas éticos foram referenciados como marginalizados. Ainda, um estudo mostrou que acadêmicos de medicina usam professores com exemplos positivos e negativos de relação médico-paciente. Todos os estudos analisados chamaram a atenção para a necessidade urgente de inserção de pautas promotoras de empatia no currículo obrigatório, uma vez que a graduação em medicina foi apontada como o principal momento de declínio dos níveis empáticos dos estudantes. Conclusão: Urge a necessidade de iniciativas de projetos que visem o desenvolvimento dos níveis de empatia dos estudantes, bem como promovam sua saúde mental frente ao curso. Ainda, é necessário revisitar os parâmetros utilizados como base para o ensino médico frente às informações aqui apresentadas. A abertura deste espaço de discussão, diálogo e desenvolvimento trará benefícios psicoemocionais para professores, futuros profissionais e pacientes.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
NEGRETTO, A.; LORENZI NEGRETTO, A.; DA ROSA WENDT, J. Impactos das características do ensino na graduação nos níveis de empatia de estudantes de Medicina: uma revisão bibliográfica. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.