ANÁLISE DE BIOMARCADORES DE PROGNÓSTICO DA COVID-19 EM PACIENTES COM OBESIDADE NA SANTA CASA DE URUGUAIANA

  • Francisco Alef Sobreira Vidal
  • Fábio Tavares da Silva
  • Gabrielle Maria Giacomini
  • Nathaly Ellen Bonow
  • Ilson Dias Da Silveira
  • Isabel Cristina de Macedo
Rótulo COVID-19, Comorbidades, Biomarcadores, Prognóstico, Coleta, Dados

Resumo

A infecção causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) gera repercussões potencialmente graves no organismo humano. O vírus possui uma alta taxa de transmissibilidade tornando rapidamente a COVID-19 (coronavírus disease 2019) um problema de escala pandêmica que há tempos não era vivenciado. Entre os fatores que determinam um maior grau de severidade em pacientes infectados, destacam-se a presença de comorbidades como a obesidade, por exemplo, uma vez que provoca prejuízo ao sistema imune e amplifica as respostas inflamatórias. Não obstante a isso, os biomarcadores funcionam como preditores de prognóstico ao passo que informam sobre a deterioração das funções orgânicas do indivíduo antes mesmo delas serem perceptíveis clinicamente, o que impacta na tomada de decisão do profissional, o qual pode intervir de forma precoce e mais efetiva. Nesse sentido, a leucometria, a qual trata-se da contagem dos leucócitos no sangue, tem o aumento na sua contagem (leucocitose) associado ao mau prognóstico em pacientes infectados pelo SARS-CoV-2. A lactato desidrogenase (LDH) é uma enzima amplamente presente nos tecidos humanos que catalisa a interconversão de ácido lático e pirúvico, cujos níveis aumentam de maneira inespecífica em variadas condições onde haja um comprometimento tecidual, como nos casos graves de COVID-19. Além disso, um marcador bastante relacionado a condições inflamatórias, e portanto com essa infecção, é a PCR, uma das primeiras proteínas de fase aguda da inflamação. A COVID-19 também desencadeia distúrbios na hemostasia, causando um estado pró-coagulante, e nesse contexto o aumento do dímero-D (o produto final das reações da cascata de coagulação) indica a formação de coágulos que podem precipitar processos trombóticos potencialmente graves. Dessa maneira, a identificação de alterações na quantificação dos biomarcadores laboratoriais que resultaram, ou não, em desfechos clínicos mais graves, como ventilação invasiva ou morte em pacientes obesos com COVID-19, pode contribuir para uma melhor compreensão da evolução da doença nesse grupo populacional. Dessa forma, nosso estudo objetiva avaliar padrões celulares e bioquímicos de pacientes com obesidade internados com COVID-19 na Santa Casa de Uruguaiana (HSCU). Trata-se de um estudo transversal que analisa a associação da obesidade ao prognóstico da COVID-19, em pacientes internados na Santa Casa de Caridade de Uruguaiana-RS desde abril de 2020. A coleta dos dados foi realizada no SAME do HSCU, através da análise de prontuários dos pacientes adeptos aos critérios do estudo e, no caso dos resultados laboratoriais, por meio do sistema do laboratório do hospital. As variáveis analisadas foram a presença ou não de obesidade e os valores de pico (maior valor durante todo o período de internação) dos seguintes parâmetros: leucograma (leucometria, monomorfonucleares e polimorfonucleares), LDH, dímero-D e PCR. Os dados referentes às variáveis contínuas foram analisados estatisticamente pelo Teste de correlação de Pearson (Pearson-R) entre obesidade e os biomarcadores do leucograma, LDH, dímero-D e PCR, avaliando se as variáveis são associadas (dependentes), ou não, por meio do SPSS 20. O presente projeto foi aprovado pelo CEP/Unipampa sob n° 4.231.736. Dados preliminares mostraram que, na população amostral analisada, 30 pacientes (17,6%) eram obesos e 140 (82,4%) não eram obesos. Não foi encontrada correlação significativa entre a obesidade e as variáveis leucometria (Pearson-R= -0,019, p>0,05), monomorfonucleares (Pearson-R= -0,063, p>0,05) e polimorfonucleares (Pearson-R= -0,058, p>0,05), LDH (Pearson-R= -0,123, p>0,05), dímero-D (Pearson-R= -0,114 p>0,05) e PCR (Pearson-R= -0,058, p>0,05). A pequena proporção de pacientes obesos na amostra analisada pode estar contribuindo para que não se estabeleça uma forte correlação entre as variáveis analisadas e a obesidade. Uma vez que é sabido que pacientes obesos com COVID-19 apresentam um aumento em algumas dessas variáveis analisadas, como o dímero-D e a PCR.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
ALEF SOBREIRA VIDAL, F.; TAVARES DA SILVA, F.; MARIA GIACOMINI, G.; ELLEN BONOW, N.; DIAS DA SILVEIRA, I.; CRISTINA DE MACEDO, I. ANÁLISE DE BIOMARCADORES DE PROGNÓSTICO DA COVID-19 EM PACIENTES COM OBESIDADE NA SANTA CASA DE URUGUAIANA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.