TRABALHADORES DO SEXO E VULNERABILIDADE ÀS ISTS: UMA DIMENSÃO BIOLÓGICA, SOCIAL E ECONÔMICA.

  • Grace Merigo
  • Gabriela Dutra Sehnem
  • Luciana de Souza Nunes
  • João Felipe Peres Rezer
Rótulo Profissionais, sexo, Infecções, sexualmente, transmissíveis, Saúde

Resumo

Introdução: A prostituição é uma das profissões mais antigas no mundo. Contudo, é contemporaneamente e permanentemente permeada por um tabu regido por valores culturais, sociais, políticos e morais que regulam a sexualidade. Esse estigma impede o entendimento adequado sobre os trabalhadores do sexo e torna-se alicerce para perpetuar a vulnerabilidade social e risco para a saúde, já que não há ações potencialmente efetivas e voltadas para os cuidados e prevenção. Objetivo: Investigar os fatores determinantes para a maior vulnerabilidade dos profissionais do sexo em relação às infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), a fim de atuar, futuramente, de maneira prática e teórica capaz de minimizar cadeias de contaminação. Metodologia: Realizou-se uma revisão sistemática da literatura por meio da pesquisa bibliográfica em artigos, nas bases de dados SCIELO, LILACS, PUBMED de publicações, no período de 2012 a 2019, com os descritores: Profissionais do sexo; Infecções sexualmente transmissíveis; Saúde. Resultados: Os resultados encontrados na revisão de literatura apontam que a inserção nesta profissão tem como fatores propulsores a renda financeira obtida, ausência de emprego no mercado formal, baixo nível de escolarização, violência doméstica e ausência de suporte familiar. Em contrapartida, esse ingresso não garante melhoria nas condições socioeconômicas e, ao contrário, potencializa as fragilidades, visto que há falta de regulamentação do trabalho do sexo e o estabelecimento, na maioria das vezes, de relações abusivas e dominadoras. A partir disso, essa população encontra-se vulnerável em diferentes aspectos e, principalmente, ameaçada por infecções sexualmente transmissíveis e uso de substâncias psicoativas. Inicialmente, nota-se, nos artigos analisados, um direcionamento para profissionais do sexo feminino. Além disso, é notório que esses profissionais possuem um conhecimento, mesmo que superficial, sobre a importância em manter relações sexuais protegidas. Todavia, apesar desse conhecimento e da pluralidade de vivências, percebe-se que estão submetidos às diferentes formas de violência física, sexual e psicológica e, também, expostos a situações de risco para a transmissão de IST. Inicialmente, esses profissionais mantêm um grande número de relações por dia com múltiplos parceiros, com eventuais microtraumatismos que perturbam a integridade e a microbiota genital, favorecendo contaminações. Estudos inferem que, na maioria das vezes, as relações que se estabelecem são abusivas e verticais e os trabalhadores são influenciados por envolvimento emocional, confiança no parceiro e desejo do outro de praticar sexo desprotegido como mecanismo de excitação em troca de uma melhor remuneração aliada a falta de poder de negociação balizada por comportamentos violentos. Isso faz com que essa população se submeta a relações sem proteção. Como também, o consumo de álcool e de drogas ilícitas é apontado como um dos fatores que potencializa as vulnerabilidades às ISTs, já que em muitos casos, quando os profissionais trabalham em casas noturnas, existem recompensas ou comissões conforme o consumo alcoólico pelos clientes. Bem como, esses usos são formas de enfrentamento à situação, servindo como conforto térmico e psicológico. E, por possuir efeito de desinibição, ocorre a perda do senso crítico e maior exposição a situações de risco. Por fim, a prostituição não é regulamentada, o que não garante direitos de saúde e de previdência. Dessa maneira, torna-se uma barreira para que esses profissionais frequentem os serviços de saúde por receio de discriminação, julgamentos e um discurso social punitivo, afastando de possíveis ações de prevenção e recuperação da saúde. Conclusão: Percebe-se que a vulnerabilidade dos trabalhadores do sexo em relação as ISTs é um problema de saúde pública que, além de apresentar problemas de ordem biológica, traz questões emocionais e sociais, na problemática da violência, exercida por clientes, instituições e sociedade os quais influenciam os comportamentos de risco. Portanto, a partir dessa revisão é possível contextualizar inicialmente a realidade dessa população-chave. Entretanto, é necessário que haja estudos mais amplos em relação aos profissionais do sexo e suas vulnerabilidades em relação às ISTs e cuidados em saúde, envolvendo tanto o conhecimento sobre o assunto como os fatores financeiros e culturais no meio que estão inseridos, para que seja possível elaborar ações extesionistas eficazes nesse grupo, capazes de gerar alterações significativas para reduzir a disseminação de infecções sexualmente transmissíveis.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
MERIGO, G.; DUTRA SEHNEM, G.; DE SOUZA NUNES, L.; FELIPE PERES REZER, J. TRABALHADORES DO SEXO E VULNERABILIDADE ÀS ISTS: UMA DIMENSÃO BIOLÓGICA, SOCIAL E ECONÔMICA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.