EXACERBAÇÃO DO CONSUMO DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS DURANTE A PANDEMIA COVID-19

  • Gabriela Sehnem
  • Grace Kelly Merigo
  • João Felipe Peres Rezer
  • Luciana de Souza Nunes
Rótulo Drogas, psicoativas, álcool, COVID-19

Resumo

O desdobramento abrupto da pandemia de COVID-19, impulsionou uma reorganização social, o desenvolvimento de diferentes hábitos individuais e coletivos bem como novas práticas de consumo. Conjuntamente, trouxe repercussões emocionais importantes, visto que fomentou o receio do adoecimento, do desemprego, do desamparo e do medo da morte. Nesse sentido, percebe-se as motivações que podem impulsionar a humanidade a se relacionar com substâncias capazes de alterar os estados de consciência individual, em busca de prazer e alívio para as tensões cotidianas. Assim, à medida que a COVID-19 desponta como uma das principais geradoras de tensão na sociedade atual, surge a preocupação sobre os novos padrões de consumo de drogas psicoativas, lícitas ou ilícitas, como estratégias de enfrentamento dessa crise. Soma-se a isso, a impossibilidade de frequentar locais de confraternização, o que, contribuiu para impulsionar a transferência do consumo público para o privado dessas substâncias, possibilitando um menor controle social de tais hábitos associados à possibilidade de tempo estendido para seus usos. Objetiva-se analisar a influência da pandemia de COVID-19 como fator de vulnerabilidade para exacerbação de hábitos de etilismo e de outras drogas psicoativas na população em geral. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, acerca da pandemia de COVID-19 e o consumo de substâncias lícitas e ilícitas. Utilizou-se como bases de dados eletrônicas: PubMED; BVS; SciELo, como estratégia de busca, os descritores: COVID-19; Doença pelo Novo Coronavírus; Dependência de substâncias; Abuso de álcool, Abuso de drogas, e operadores Booleanos AND e OR. Como critérios de inclusão, os artigos deveriam abordar COVID-19; uso de substâncias como álcool e drogas psicoativas, ou dependência química; publicados nos últimos 3 anos e apresentados em português, inglês ou espanhol; foram excluídos os incoerentes com a proposta do trabalho, resumos, e os não disponibilizados gratuitamente na íntegra. A busca dos dados compreendeu 100 artigos, que após sujeição à análise, definiu-se que 9 estavam em conformidade com as determinações metodológicas. Os estudos alertam para projeções de aumento global de 11% no número de pessoas que usam drogas até 2030, e que no Brasil, até o momento, existem 3,5 milhões de usuários de álcool e outras drogas, com possível subnotificação dos números. As substâncias escolhidas para uso são normalmente sedativas e anestésicas (álcool, tabaco, maconha) definidas pela acessibilidade fácil, baixo custo e capacidade de acalmar os sentimentos negativos, isso mostra o resultado da ação dessas drogas no cérebro humano com o intuito de promover prazer e alívio temporário. A Associação Brasileira de Estudos de Álcool e outras Drogas em 2020, relata que até maio, já havia um crescimento de 38% na utilização de substâncias psicoativas. A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), infere que o uso de álcool e outras substâncias podem estar associados ao gerenciamento de emoções e estresses decorrentes da pandemia de COVID-19. Esses fatos ancoram-se em estudo norte-americano, que identificou que desastres e eventos estressores foram preditores diretos das doses de álcool consumidas nos meses e anos seguintes aos acontecimentos. Aponta-se ainda a intensificação do uso de psicoativos em situações de luto e angústia, portanto, à medida que a COVID-19 desponta como uma das principais causas de morte, tais hábitos deletérios podem estar sendo veladamente motivados. Observou-se, ainda aumento no consumo de drogas lícitas, como o álcool e tabaco, decorrente do isolamento da pandemia. Na China, 32% dos consumidores de álcool relataram aumento do seu uso, já na Alemanha, 34,7% dos pesquisados passaram a beber mais ou muito mais álcool após o início do lockdown. No Brasil, pesquisa com 44.062 participantes revelou que 40% aumentaram o número de dias em que consomem álcool e quase 35% estão começando a consumir mais cedo no dia. Ocorre ainda aumento da frequência do tabagismo entre fumantes atuais e a maior chance de recaída entre ex-fumantes, devido às mudanças sociais e à maior permanência em ambiente domiciliar, o que perpetuaria o hábito. Em relação à cannabis durante a pandemia, pesquisa em 77 países com profissionais de saúde revelou que 42% perceberam aumento das internações decorrentes da intoxicação por maconha e que isso associou-se à menor percepção, pelos usuários, dos riscos do consumo da droga. Embora o impacto da COVID-19 no aumento da utilização de psicoativos ainda não seja totalmente conhecido, sugere-se que a pandemia trouxe uma exacerbação importante no consumo de substâncias lícitas e ilícitas, que deve ser um alerta para o risco de dependência química, agravos do estado geral de saúde e um problema de saúde pública em expansão. Destaca-se que essa revisão integrativa irá balizar as ações de um projeto de extensão com intuito de mitigar o uso de álcool e outras drogas entre adolescentes e adultos jovens.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
SEHNEM, G.; KELLY MERIGO, G.; FELIPE PERES REZER, J.; DE SOUZA NUNES, L. EXACERBAÇÃO DO CONSUMO DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS DURANTE A PANDEMIA COVID-19. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.