SEGURANÇA DO PROFISSIONAL OTORRINOLARINGOLOGISTA EM TEMPOS DE COVID-19: ESTUDO DE REVISÃO

  • Maria Eduarda Grutzmacher
  • Natalia Tonn
  • Gabriel Kriesler Biolowons
  • Eduardo Rodrigues Goncalves
Rótulo Otorrinolaringologia, Covid-19, Atenção, Saúde, Equipamento, Proteção, Individual, Contenção, Riscos, Biológicos

Resumo

A pandemia da Covid-19 trouxe novos desafios à prática do profissional Otorrinolaringologista (ORL) - o médico especialista em tratar afecções que envolvem áreas como nariz, ouvido e garganta -, visto que ele está mais suscetível à contaminação por patógenos transmitidos por gotículas provenientes das vias respiratórias. Estes profissionais estiveram entre os primeiros a serem infectados pelo SARS-CoV-2, o novo coronavírus, assim como registrou-se um relevante número de óbitos. Com o aumento da atuação dos movimentos antivacina, atrasos na vacinação da população, enorme poder de infectividade do novo coronavírus e possíveis novas variantes em circulação, os cuidados durante a prática médica devem ser os mais adequados possíveis, tendo em vista a proteção do profissional e de seu paciente. Diante desse cenário, objetiva-se elencar técnicas utilizadas para evitar a contaminação na prática médica do ORL. Trata-se de um estudo de revisão em que foram buscados artigos publicados do início de 2020 até 15 de setembro de 2021, com as palavras-chave Otorhinolaryngology, Healthcare e Covid-19, nas bases de dados Medline e Biblioteca Virtual em Saúde. A busca inicial encontrou 81 publicações. Como critério de inclusão adotou-se a necessidade de trazer guidelines para evitar a contaminação pelo SARS-CoV-2 e foram excluídos trabalhos com ênfase em telemedicina. Foram selecionadas sete publicações, de Lavinsky et al. 2020, Kowalski et al. 2020, Benito et al. 2020, Krajewska Wojciechowska et al. 2020, Howard e Lal 2020, Leitmeyer et al. 2020 e Willer et al. 2020. As informações dos artigos foram separadas em três categorias: a primeira, referente às consultas médicas gerais em Otorrinolaringologia; a segunda, sobre recomendações para exames das mucosas orais e/ou nasais e a terceira, sobre cuidados na sala cirúrgica em procedimentos geradores de aerossóis. Com base na análise, seis artigos abordaram assuntos da primeira categoria. Destes, cinco recomendaram o uso de máscara cirúrgica, enquanto um a considerou insuficiente, preferindo a máscara PFF2/N95. Cinco postulavam a necessidade do uso de óculos de proteção ou face shield e cinco recomendaram o uso de luvas. O jaleco foi sugerido por cinco artigos, um destes mencionando que deveriam ser trocados e lavados diariamente. Todos os sete artigos abordavam recomendações sobre a segunda categoria de assuntos, isto é, para os exames que envolvem as mucosas, tendo considerado a máscara cirúrgica insuficiente e recomendando o uso das máscaras PFF2/N95. Seis artigos, ainda, mencionaram os respiradores motorizados como forma preferível de proteção, caso possível. Todos os artigos sugeriram o uso de óculos de proteção e quatro recomendaram o uso concomitante de face shield. Todos escreveram em favor do uso de luvas e quatro, do uso de propés. Os sete artigos recomendaram o uso de jalecos, sendo que um deles sugeriu que seja descartável e outro artigo, impermeável. Quatro trabalhos recomendaram, sempre que possível, a realização de exames da cavidade nasal e oral por vídeo, alertando para que se analise as imagens por meio da tela/monitor, evitando olhar pela lente óptica do instrumento, a fim de evitar proximidade. Quanto à terceira categoria, seis artigos trouxeram recomendações. Quatro deles aconselharam que cada sala tivesse seu próprio sistema de ventilação e cinco recomendaram filtro HEPA (Alta Eficiência na Retenção de Partículas). Dois artigos recomendaram salas separadas para procedimentos geradores de aerossóis e um sugeriu sala separada para Covid-19. Todos recomendaram sistemas de pressão negativa. Embora a separação de salas para procedimentos geradores de aerossóis possa ser vista como inviável, essa demanda pode ser planejada para reformas futuras. Considerando a revisão realizada, percebe-se que as principais recomendações para aumentar a segurança da prática do ORL em tempos de pandemia são possíveis e alcançáveis como, por exemplo, o uso de máscara PFF2/N95 durante todas as consultas, uso do jaleco, calçar luvas, além de óculos protetor ou face shield. Ao seguir estas orientações, espera-se diminuir o risco de contaminação pelo SARS-CoV-2 e, assim, aumentar a biossegurança dos médicos otorrinolaringologistas, além de contribuir para o combate à pandemia, junto às demais medidas protetivas adotadas pela sociedade.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
EDUARDA GRUTZMACHER, M.; TONN, N.; KRIESLER BIOLOWONS, G.; RODRIGUES GONCALVES, E. SEGURANÇA DO PROFISSIONAL OTORRINOLARINGOLOGISTA EM TEMPOS DE COVID-19: ESTUDO DE REVISÃO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.