PREOCUPAÇÕES SOBRE AS RELAÇÕES SEXUAIS E A INFLUÊNCIA PARA O USO DE CAMISINHAS ENTRE OS ACADÊMICOS DA UNIPAMPA

  • Anna Laura Holler Maioli
  • Isabela Crestani Bechel
  • Isabela Pretto Biasi
  • Beatriz Diniz da Conceição
  • Juliana Lopes de Macedo
  • Lucas Pitrez da Silva Mocellin
Rótulo Preservativo, Universitários, Gravidez, Infecções, Sexualmente, Transmissíveis

Resumo

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) e a gravidez indesejada são os assuntos centrais abordados na educação sexual, seja ela presente no ambiente familiar, escolar ou mediada por profissionais de saúde. Sabe-se também que a camisinha é o único método eficaz de evitar ambas situações simultaneamente, porém é visto que seu uso ainda não é consistente em populações, como os jovens e universitários. Diante disso, torna-se relevante verificar como tal estrato populacional se comporta e quais os fatores que são influentes nas escolhas na vida sexual desses indivíduos. Assim, o objetivo do estudo foi analisar as principais preocupações dos acadêmicos da Universidade Federal do Pampa (Unipampa) durante as relações sexuais, e qual a influência no uso de camisinhas. Sobre a metodologia de escolha, realizou-se uma pesquisa de cunho quantitativo, com delineamento transversal, entre o período de outubro a dezembro de 2020, em que foram coletados os dados via formulário Google Forms. A divulgação do questionário foi feita via e-mail e outras mídias sociais, em que puderam participar estudantes da Unipampa maiores de 18 anos. Posteriormente, foi feita a análise da frequência absoluta e relativa de cada variável. Também foi verificada a associação entre fatores que potencialmente influenciam o uso consistente do preservativo por meio do teste Qui-quadrado. Além disso, as análises foram desenvolvidas no software Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 22.0. Foram obtidas 284 respostas válidas. Quanto ao resultado do perfil sociodemográfico dos participantes da pesquisa, foi visto que 10,6% tinham entre 18 e 19 anos; 27,1%, entre 20 e 21 anos; 25,7%, entre 22 e 23 anos; 10,6%, entre 24 e 25 anos; 13,4%, de 26 a 30 anos; e 12,7%, 30 anos ou mais. Além disso, a maior parte dos respondentes (70,4%) se identifica como mulher cis, enquanto 29,2% eram homens cis e 0,4% homens trans. Afirmam serem cristãos 55,9% dos alunos. A renda de 38,4% dos participantes é de até 1000 reais; de 30,3%, entre 1001 e 2000 reais; de 20,1%, entre 2.001 e 4000 reais; e de 11,3% de mais de 4000 reais. Sobre a orientação sexual, 75,4% são heterossexuais; 4,6% homossexuais; 16,2% bissexuais e 2,8% outra, não especificada. Acerca do contexto afetivo-sexual, questionou-se quanto ao uso de contraceptivos na última relação: 54,4% dos respondentes utilizaram camisinha, e 43,7% afirmaram o uso de outro método anticoncepcional (além da camisinha, ou isoladamente). Além disso, 49,4% responderam que usam camisinha em todas as suas relações. Um ponto relevante foi que, ao indagar sobre as principais preocupações dos estudantes na hora da relação sexual - contrair uma IST, gravidez indesejada e prazer do(a) parceiro(a) a gravidez indesejada é a que mais gera preocupação em detrimento das outras, alcançando 4,36 ponto de média, em uma escala de até 5 pontos. Ainda, em relação aos indivíduos com muita preocupação com a gravidez, 55,4% deles informaram usar a camisinha em todas as relações sexuais, ao passo que os que possuem pouca preocupação, apenas 17,4% utilizam consistentemente (P<0,001). Foi visto que evitar uma gravidez indesejada é o principal assunto que a família dos participantes aborda ao falar sobre sexo e sexualidade (70,8% indicaram este como um tema recorrente). Ademais, alunos mais novos (de 18 a 21 anos) são os mais preocupados nesse quesito. Vale destacar também a questão de gênero, em que 86,6% das mulheres afirmaram ter muita preocupação com a gravidez indesejada, e apenas 5,4% pouca preocupação; em contrapartida com os homens, com 16,4% afirmando ter pouca preocupação e 72,6% muita preocupação. Dessa maneira, conclui-se que evitar uma gravidez indesejada é o influenciador mais relevante do contexto afetivo-sexual dos participantes para a escolha do uso de camisinhas. Tal afirmação provavelmente é reflexo das atuais abordagens da educação sexual no espaço familiar; da temporalidade e momento de vida do recorte pesquisado (universitários); e de paradigmas da atual construção social patriarcal, que deposita maior responsabilidade sobre as mulheres acerca da parentalidade. Também questiona-se a eficácia de políticas de saúde quanto à prevenção de Infecções Sexualmente Transmissíveis, e o porquê dessa não ser a principal influência para o uso de preservativos.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
LAURA HOLLER MAIOLI, A.; CRESTANI BECHEL, I.; PRETTO BIASI, I.; DINIZ DA CONCEIÇÃO, B.; LOPES DE MACEDO, J.; PITREZ DA SILVA MOCELLIN, L. PREOCUPAÇÕES SOBRE AS RELAÇÕES SEXUAIS E A INFLUÊNCIA PARA O USO DE CAMISINHAS ENTRE OS ACADÊMICOS DA UNIPAMPA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.