Avaliação de possíveis alterações na frequência alimentar e IMC de acadêmicos da região sul do Brasil desencadeados pelo distanciamento social

  • Érica Casquero Cunha
  • Suelen Dallanora
  • Eduarda Christina Assis de Miranda
  • Isabel Cristina de Macedo
  • Dulce Montserrat Zuchini de León
  • Martine Elisabeth Kienzle Hagen
Rótulo Distanciamento, social, Frequência, alimentar, IMC, Obesidade, Pandemia

Resumo

A pandemia de coronavírus SARS-Cov2 interrompeu as atividades presenciais de estudantes em todos os níveis de ensino ao redor do mundo, representando um desafio para as instituições de ensino superior que tiveram de fazer distanciamento social para impedir a transmissão da COVID-19. Universidades tiveram que se reinventar para manter atividades de ensino na modalidade remota emergencial, garantindo a manutenção da educação em nível superior, priorizando a segurança dos quadros discentes e docentes. Acredita-se que as drásticas mudanças ocorridas durante a pandemia podem ter alterado a frequência alimentar, uma vez que muitos acadêmicos ficaram confinados em suas casas, devido ao excessivo tempo de tela (computador, televisão, smartphone). Esse comportamento pode contribuir com o estabelecimento de sobrepeso e obesidade. Para avaliação da obesidade é empregado o índice de massa corporal (IMC), para obtenção desse índice divide-se o peso corporal pela altura elevada ao quadrado, sendo considerado um peso normal entre 18,5-24,9 Kg/m2. Convenciona-se chamar de sobrepeso o IMC de 25 a 29,9 Kg/m2, obesidade Grau I um IMC entre 30-34,9 Kg/m2, obesidade Grau II um IMC de 35-39,9 Kg/m2 e obesidade Grau III um IMC acima de 40Kg/m2. Com base no acima exposto, este estudo busca analisar dados demográficos (gênero e idade), bem como a frequência alimentar e o IMC de acadêmicos da região sul do Brasil antes e durante a pandemia por COVID-19. Este estudo traz resultados preliminares coletados de abril a setembro/2021, do projeto de pesquisa Avaliação do comportamento alimentar do tipo aditivo em situação de distanciamento social por Covid-19: Emprego da escala Modified Yale Food Addiction Scale Version 2.0, registrado na Plataforma Brasil CAAE nº 31678920.0.0000.5323, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa-CEP/Unipampa, registro no SIPPEE nº 20200511181859. Foram coletadas, por meio de formulário do Google, respostas de 1.427 acadêmicos de 63 instituições de ensino superior, públicas ou privadas, da região sul do Brasil. O termo de consentimento livre esclarecido (TCLE) foi inserido no formulário eletrônico e o participante após lê-lo teve a opção de aceitar ou não responder ao questionário. As variáveis categóricas de frequência foram analisadas pelo teste de Qui-Quadrado e as amostras relacionadas pelo teste de Wilcoxon empregando o software SPSS 20. Foram analisadas gênero, idade, número de refeições/dia antes e durante a pandemia e IMC antes e após o período analisado. Entre os participantes do estudo 75,4% (n=1076) eram mulheres, 24,2% (n=346) eram homens e 0,4% (n=5) se definiram inespecificamente como outros gêneros. Quanto à idade, 87,5% (n=1249) dos acadêmicos tinham idade entre 18 a 33 anos; 10,1% (n=144) entre 34 a 49 anos, 2,3% (n=33) entre 34 a 49 anos e 1 (0,1%) acima de 65 anos. Quanto ao número de refeições por dia houve um aumento significativo (p<0001) durante o distanciamento social resultante da pandemia. Da mesma forma, ocorreu um significativo aumento no IMC comparando os valores referentes ao período anterior a pandemia com os valores observados 12 meses após o início da pandemia (p<0001). Nossos resultados demonstram um predomínio de mulheres no ensino superior, assim como um maior número de acadêmicos entre 18 e 33 anos, o que corrobora dados nacionais do censo da educação superior do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP) realizado em 2018 e também dados internacionais da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD) de 2019. O aumento no número de refeições pode resultar da facilidade e proximidade com os alimentos em casa, mas também pode ser consequência do aumento de exposição às telas (computador, celular e TV) que pode levar ao maior consumo de refeições e petiscos em frente às telas. Por sua vez, o acréscimo no número de refeições pode ter contribuição direta para o aumento do IMC.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
CASQUERO CUNHA, ÉRICA; DALLANORA, S.; CHRISTINA ASSIS DE MIRANDA, E.; CRISTINA DE MACEDO, I.; MONTSERRAT ZUCHINI DE LEÓN, D.; ELISABETH KIENZLE HAGEN, M. Avaliação de possíveis alterações na frequência alimentar e IMC de acadêmicos da região sul do Brasil desencadeados pelo distanciamento social. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.