CONSUMO ALIMENTAR, NÍVEIS SÉRICOS DE VITAMINA D E MARCADORES DE OBESIDADE EM RELAÇÃO RAÇA/COR EM MULHERES DA FRONTEIRA OESTE-RS

  • Vanessa Retamoso
  • Vanessa Retamoso
  • Lauren Alicia Flores Viera dos Santos
  • Débora Alejandra Vasquez Rubio
  • Lyana Feijoó Berro
  • Jacqueline Da Costa Escobar Piccoli
  • Ana Letícia Vargas Barcelos
Rótulo Hipovitaminose, Vitamina, mulheres, negras

Resumo

A vitamina D é indispensável para o desenvolvimento e manutenção do tecido ósseo, da homeostase do cálcio e do fósforo sendo que sua absorção se dá através de duas vias principais: pela biossíntese/exposição solar a raios UV e através do consumo de determinados alimentos. Porém seus níveis podem ser influenciados por fatores genéticos e ambientais e resultar em alterações como a hipovitaminose D, a qual está cada vez mais em evidência, tornando-se preocupante para a saúde pública. Estudos demonstram que as mulheres são mais suscetíveis a esta redução de níveis da vitamina D possivelmente devido a influências hormonais que também podem afetar o perfil metabólico e desta forma e influenciar no ganho de peso e faixa etária. Fatores regionais também podem afetar aquelas que vivem em cidades mais ao norte do país que apresentam valores significativamente mais altos de 25(OH)D do que as mulheres vivendo em cidades mais ao sul, porém, ainda assim, são valores considerados insuficientes (inferior 20ng/dL). Evidências também demonstram que a pele negra tem maior quantidade de melanina e prejudica a síntese de vitamina D através dos raios UV, ou seja, possivelmente uma baixa absorção. Assim, mulheres negras podem apresentar prejuízo nos níveis séricos quando comparadas às brancas, mesmo com o mesmo consumo alimentar. Deste modo, o objetivo do estudo foi verificar a influência da raça/cor nos níveis séricos de vitamina D, marcadores de obesidade, e consumo alimentar em mulheres. O presente estudo foi aprovado pelo CEP-UNIPAMPA / CONEP 977827. Participaram do estudo mulheres (≥ 18 a 59 anos), que foram recrutadas na comunidade nos municípios de São Borja e Uruguaiana. Após a assinatura do TCLE, a coleta de dados foi realizada pela aplicação do questionário com dados de identificação, autodeclaração de raça/cor, perfil sócio econômico e demográfico. O consumo alimentar foi realizado através do recordatório R24 horas, onde as voluntarias relatavam seu consumo alimentar do dia anterior. Avaliações antropométricas do peso, altura e foram classificadas de acordo com o IMC (WHO, 2000), além da aferição da circunferência da cintura. A coleta de sangue venoso foi realizada com jejum de 12 horas para análises bioquímicas. A dosagem de vitamina D sérica foi realizada pelo método de quimioluminescência e as demais análises bioquímicas em equipamento semiautomatizado ChemWell Labtest® utilizando kits comerciais padrão. E a análise estatística foi realizada em programa SPSS 20.0. Para descritivas foi realizada análise de frequência ou médias seguidas do desvio padrão. Para diferenças entre os grupos de autodeclaração de raça/cor, foi realizado o teste t de student. Foram consideradas significantes as diferenças com p≤ 0,05. Foram recrutadas 55 mulheres com média de idade de 28,5±9,8 anos. As mulheres foram divididas, segundo sua autodeclaração de cor, em dois grupos para as comparações: negras (12 pretas; 16 pardas) n=28 (50,9%) e brancas n=27 (49,1%). Observou-se diferenças na medida sérica de HDL-colesterol, mulheres autodeclaradas negras apresentaram valores significativamente menores de HDL (45,34±22,36 mg/dL) comparadas com as brancas (67,42±19,0 mg/dL), p=0,000. A vitamina D sérica também foi significativamente inferior nas participantes autodeclaradas negras (16,81±5,20 ng/dL) quando comparadas com as brancas (20,10±6,46 ng/dL), p=0,046. O que vem ao encontro com achados na literatura, os quais trazem níveis séricos inferiores de vitamina D em mulheres negras, quando comparadas as brancas, o que pode se justificar devido a quantidade maior de melanina presente em negros, necessitando de um maior tempo de exposição solar. Porém outros fatores devem ser considerados, como por exemplo a ação do gene VDR (receptor de vitamina D) no metabolismo de cada indivíduo. Além disto não houve diferença significativa no consumo alimentar de vitamina D entre os grupos, mas podemos destacar alguns alimentos a serem sugeridos para a população que está acometida por hipovitaminose D, como: sardinha, atum, leite/derivados, sementes de gergelim, entre outros. E embora os níveis séricos de vitamina D sejam baixos nos dois grupos, entre as autodeclaradas negras é os níveis séricos foram inferiores, indicando que mecanismos genéticos e ambientais, como os socioeconômicos, podem estar afetando esta população, sendo necessário estudos complementares podem auxiliar na elucidação deste problema, já que não houve diferença no consumo alimentar entre os grupos.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
RETAMOSO, V.; RETAMOSO, V.; ALICIA FLORES VIERA DOS SANTOS, L.; ALEJANDRA VASQUEZ RUBIO, D.; FEIJOÓ BERRO, L.; DA COSTA ESCOBAR PICCOLI, J.; LETÍCIA VARGAS BARCELOS, A. CONSUMO ALIMENTAR, NÍVEIS SÉRICOS DE VITAMINA D E MARCADORES DE OBESIDADE EM RELAÇÃO RAÇA/COR EM MULHERES DA FRONTEIRA OESTE-RS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.