ESTUDO COMPARATIVO DO COMPORTAMENTO BIOADESIVO DE GOMAS NATURAIS EM PELE HUMANA

  • Daiane Britto de Oliveira Britto de Oliveira
  • Bárbara Felin Osmari
  • Letícia Cruz
  • Jéssica Bradão Reolon
Rótulo Bioadesão, Pele, Polímeros, naturais

Resumo

A bioadesão é um processo que consiste na ligação de um material bioadesivo a uma superfície biológica de interesse por um determinado período, a qual fundamenta-se em prolongar o tempo de residência de uma formulação no local de ação. Nesse sentido a administração cutânea de ativos está sendo utilizada para aplicações de preparações farmacêuticas, apresentando vantagens quando comparada a outras vias de administração, tais como proporcionar conforto ao paciente por não ser invasiva, minimizar o metabolismo de primeira passagem, aplicação sítio específica e uma redução nos efeitos adversos. Dependendo da patologia que acomete o tecido cutâneo, é possível que a pele esteja estruturalmente modificada ou lesionada. Estas modificações estruturais podem alterar as funções de barreira da pele, podendo modificar o perfil de absorção de ativos, bem como o potencial bioadesivo das formulações. Dentre as formulações destinadas ao uso cutâneo, os hidrogéis (HGs) destacam-se como alternativas atraentes por serem bases hidrofílicas de fácil aplicação, remoção e de secagem rápida. Neste contexto, uma vasta gama de HGs está sendo desenvolvida com base em polímeros naturais, os quais demonstram uma alternativa interessante por serem biocompatíveis, biodegradáveis e atóxicos. Gomas naturais como gelana e xantana (polissacarídeos bacterianos), guar (endosperma de sementes), karaia (exudato de árvores) e carragenina (polissacarídeo de algas marinhas) são excipientes atrativos na preparação de novas formulações. Apesar do uso extensivo destes materiais no âmbito farmacêutico, poucos estudos buscam explorar e comparar estes polímeros quanto ao comportamento bioadesivo. Diante disso, esse trabalho tem como objetivo preparar HGs com diferentes gomas naturais e avaliar o possível potencial bioadesivo destas formulações in vitro utilizando a pele humana. Para isso, os HGs foram preparados em triplicata a partir da dispersão das gomas xantana, gelana, guar, carragenina e karaia na concentração de 3% em água destilada, utilizando gral e pistilo. Como controle positivo nas avaliações de bioadesão, foi utilizado um hidrogel de Carbopol® Ultrez 0,5%. O potencial bioadesivo dos HGs foi determinado pela técnica da força de destacamento, utilizando como membranas biológicas de contato a pele humana íntegra ou lesionada (CAAE: 27168719.4.0000.5346; número do parecer: 895.464). A pele lesionada a nível de epiderme viável foi obtida por técnica de tape stripping, e para produzir uma lesão a nível de derme, utilizou-se banho-maria a 60 °C por 45 segundos, seguido de remoção da camada epidérmica com uma espátula. Após a avaliação do potencial bioadesivo no tecido cutâneo observou-se um comportamento distinto para cada material polimérico quando em contato com a pele íntegra ou lesionada. Os HGs de gomas xantana e karaia apresentaram um potencial bioadesivo reduzido quando comparados aos demais polímeros e ao controle positivo (p < 0,05). Além disso, as gomas xantana e karaia apresentaram um comportamento bioadesivo semelhante quando em contato com as diferentes superfícies (p > 0,05), sustentando um padrão bioadesivo independente da integridade do tecido cutâneo. As formulações de goma gelana demonstraram uma maior interação com a pele lesionada em nível de derme, a qual manteve valores inferiores ao Carbopol em todas as superfícies biológicas avaliadas (p < 0,05). Os HGs de goma carragenina mostraram-se com maior potencial bioadesivo na pele lesionada em níveis de epiderme viável, mantendo valores superiores ao carbopol nesta superfície biológica (p < 0,05). Os HGs de goma guar foram os mais bioadesivos, demonstrando um aumento deste potencial conforme maior o grau de lesão no tecido cutâneo (p < 0,05). A superioridade da goma guar em relação às demais gomas e ao controle positivo manteve-se independente das condições de integridade da superfície cutânea. Portanto, o presente trabalho avaliou de forma comparativa o comportamento bioadesivo de hidrogéis constituídos por diferentes gomas naturais, demonstrando que a constituição polimérica e a integridade cutânea podem interferir de forma significativa no potencial bioadesivo. Assim, este estudo demonstra resultados relevantes para guiar outros pesquisadores na escolha adequada do material polimérico para o desenvolvimento de hidrogéis, considerando o potencial bioadesivo desejado, bem como características estruturais e fisiopatológicas do tecido cutâneo.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
BRITTO DE OLIVEIRA BRITTO DE OLIVEIRA, D.; FELIN OSMARI, B.; CRUZ, L.; BRADÃO REOLON, J. ESTUDO COMPARATIVO DO COMPORTAMENTO BIOADESIVO DE GOMAS NATURAIS EM PELE HUMANA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.