DESENVOLVIMENTO, PERFIL DE LIBERAÇÃO IN VITRO E AVALIAÇÃO DE CITOTOXICIDADE E GENOTOXIXIDADE DE NANOCÁPSULAS POLIMÉRICAS CONTENDO NIFEDIPINO

  • Bárbara Felin Osmari
  • Giovana Aime Medeiros
  • Jéssica Brandão Reolon
  • Natália Brucker
  • Letícia Cruz
Rótulo Nanopartículas, Nifedipino, Liberação, controlada, Modelos, alternativos

Resumo

O nifedipino (NIFE) é um fármaco bloqueador dos canais de cálcio utilizado no tratamento de doenças cardiovasculares, angina e hipertensão. Entretanto, o NIFE pertence a classe II do Sistema de Classificação Biofarmacêutica, apresentando baixa solubilidade aquosa e alta permeabilidade intestinal. Além disso, o NIFE apresenta um curto tempo de meia-vida biológica e sofre intenso metabolismo de primeira passagem no fígado, acarretando baixa biodisponibilidade oral. Outra limitação característica do NIFE é a sensibilidade frente à luz, resultando na sua degradação em NIFE oxidado. A fim de contornar estas limitações, uma alternativa é a sua incorporação em sistemas nanoestruturados, como as nanocápsulas poliméricas (NCs). Tais estruturas são constituídas por um núcleo oleoso envolto por uma parede polimérica, as quais encontram-se em suspensão aquosa. Desta forma, o objetivo deste trabalho foi desenvolver NCs contendo NIFE, avaliar o perfil de liberação in vitro e a segurança destas quanto à citotoxicidade e genotoxicidade. As suspensões de NCs foram preparadas em triplicata pelo método de deposição interfacial do polímero pré-formado, no qual uma fase orgânica, composta por triglicerídeos de cadeia média (0,300 g), Eudragit® RS100 (0,100 g), monooleato de sorbitano (0,077 g), NIFE (10 mg) e acetona (27,0 mL) foi mantida sob agitação magnética por 60 minutos à 40 °C. Posteriormente, com auxílio de um funil, essa fase orgânica foi injetada sob uma fase aquosa (53 mL) contendo polissorbato 80 (0,077 g). Após 10 minutos sob agitação magnética, a suspensão foi concentrada em evaporador rotatório a 40 ºC para eliminação do solvente orgânico e ajuste do volume final (10 mL), correspondendo a concentração final de NIFE de 1,0 mg/mL. Também, foram preparadas formulações sem NIFE, denominadas NC-BR. Após o preparo, as NCs foram caracterizadas quanto ao tamanho de partícula e índice de polidispersão por espectroscopia de correlação de fótons e potencial zeta por eletroforese. Por sua vez, o teor de NIFE foi determinado por cromatografia líquida de alta eficiência (CLAE) e a eficiência de encapsulamento (EE%) após separação das nanoestruturas por ultrafiltração-centrifugação. Dando seguimento, o pH foi avaliado através de potenciômetro e o perfil de liberação in vitro foi analisado pela técnica de difusão por sacos de diálise. De modo preliminar, a segurança das NCs foi avaliada quanto à citotoxicidade e genotoxicidade utilizando modelo de Allium cepa. As formulações desenvolvidas apresentaram tamanho de partícula na faixa nanométrica (174 ± 5 nm para NC-BR e 176 ± 6 nm para NC-NIFE), o potencial zeta foi de +7,99 ± 1,3 mV e +10,26 ± 0,13 mV para NC-BR e NC-NIFE, respectivamente, o que confirmou o caráter catiônico do invólucro polimérico. O teor e a EE% de NIFE ficaram em torno de 100% e os valores de pH foram levemente ácidos (5,1 4,5). Em relação ao perfil de liberação, NC-NIFE apresentou uma menor quantidade liberada em comparação ao NIFE na sua forma livre (p<0,05), evidenciando que a nanoencapsulação foi capaz de controlar a liberação do fármaco. Os resultados obtidos em modelo de Allium cepa demostraram que a nanoencapsulação do NIFE reduziu a citotoxicidade quando comparada ao ativo em sua forma livre (p<0,05), o que pode ser explicado pelo perfil de liberação controlada do NIFE quando nanoencapsulado. Além disso, não foram observadas alterações genotóxicas para as formulações desenvolvidas, bem como para o ativo livre. Assim, neste trabalho demonstrouse a viabilidade do desenvolvimento de NCs contendo NIFE, as quais apresentaram características adequadas para sistemas nanoestruturados. A nanoencapsulação mostrou-se promissora no controle da liberação do ativo e na redução da citotoxicidade do NIFE. Também, não foram observados eventos genotóxicos para as formulações em estudo.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
FELIN OSMARI, B.; AIME MEDEIROS, G.; BRANDÃO REOLON, J.; BRUCKER, N.; CRUZ, L. DESENVOLVIMENTO, PERFIL DE LIBERAÇÃO IN VITRO E AVALIAÇÃO DE CITOTOXICIDADE E GENOTOXIXIDADE DE NANOCÁPSULAS POLIMÉRICAS CONTENDO NIFEDIPINO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.