ATIVIDADE CITOTÓXICA SINÉRGICA DE DISSULFIRAM E COBRE FRENTE AO MELANOMA E HEPATOCARCINOMA

  • Marissa Bolson Serafin
  • Vitória Segabinazzi Foletto
  • Taciéli Fagundes da Rosa
  • Altevir Rossato Viana
  • Laísa Nunes Franco
  • Rosmari Hörner
Rótulo Reposicionamento, medicamentos, Dissulfiram, Câncer, Sinergismo, drogas, Citotoxicidade

Resumo

Os índices de desenvolvimento do câncer continuam crescendo mundialmente. O melanoma e o hepatocarcinoma, possuem uma etiologia heterogênea e complexa, e as melhores respostas ao tratamento baseiam-se na quimioterapia citotóxica, limitada por fatores como imunossupressão, resistência e toxicidade, restringindo os avanços terapêuticos. Assim o reposicionamento de medicamentos tem ganhado destaque nas pesquisas. Esse termo é definido como a utilização de medicamentos já aprovados e bem estabelecidos na clínica, para o tratamento de doenças diferentes da sua indicação original. Possui vantagens em relação a busca tradicional de substâncias ativas, como administração mais segura, pois seus dados farmacológicos e toxicológicos já estão disponíveis, além de custo menor em relação ao seu desenvolvimento. O dissulfiram, utilizado há anos no tratamento do alcoolismo crônico, já demonstrou efeitos antineoplásicos promissores frente a uma ampla variedade de cânceres, sendo considerado um forte candidato ao reposicionamento no tratamento oncológico, tendo atividade cobre dependente descrita. O objetivo desse estudo foi analisar a atividade citotóxica in vitro de dissulfiram (DSF) e sua associação ao cobre, frente a linhagens celulares tumorais de melanoma (B16F10), hepatocarcinoma (HepG2) e linhagem não tumoral de macrófagos (Raw 264.7). A viabilidade celular foi determinada pelo ensaio colorimétrico com brometo de 3-(4,5-dimetiltiazol-2-il)-2,5-difeniltetrazólio (MTT). Aproximadamente 10.000 células foram adicionadas às microplacas de 96 orifícios de fundo chato. As linhagens celulares foram incubadas por 24 horas, a 5% de CO2 em atmosfera umidificada para aderência suficiente das células às placas. A seguir, as mesmas foram incubadas nas condições descritas anteriormente, com sete diferentes concentrações (1µM; 3µM; 6µM; 12µM; 25µM; 50µM; 100µM) do dissulfiram ou do cloreto de cobre (II) e ainda com a combinação dessas concentrações de dissulfiram com 3µM de cloreto de cobre (II), a fim de investigar suas interações. Após a incubação, 20μL de MTT (5mg/mL) foram adicionados aos poços e as placas foram incubadas por mais 4 horas. A seguir, o meio foi removido e os cristais de formazan foram dissolvidos pela adição de 200 μL de dimetilsulfóxido (DMSO). A citotoxicidade foi detectada por meio da medida das absorbâncias a 570 nm em leitora de microplacas (Anthos-2010). Os experimentos foram todos realizados em triplicata e a viabilidade celular para cada concentração dos compostos foi expressa em porcentagem, comparada com a obtida para os controles não tratados (100% de viabilidade). Os valores de IC50 (concentração do composto teste que reduziu a viabilidade celular em 50%) foram estimados por análise de regressão não linear. Para fins de controle e comparação, foram avaliadas as atividades dos medicamentos antineoplásicos utilizados na terapia clínica, temozolomida e sorafenibe. Os dados foram analisados por ANOVA de uma via, seguido pelo teste de Tukey, usando o software Graph Pad Prism 5 (Graph Pad, San Diego, CA). Diferenças com p <0,05* foram consideradas significativas. Após, foi determinado o Índice de Combinação (CI) da associação (DUAN et al., 2014), com a seguinte interpretação: CI = 1 indica aditividade; CI< 1 sinergismo e CI>1 indica antagonismo. Dissulfiram apresentou IC50= 9,14 no hepatocarcinoma, IC50= 29,36 no melanoma e IC50=17,5 nos macrófagos. Nas mesmas linhagens, cloreto de cobre (II) apresentou IC50= 25,88; IC50= 22,46 e IC50= 8,41, respectivamente. A combinação das duas substâncias apresentou IC50 de 5,42 na linhagem de hepatocarcinoma, valor menor que o apresentado pelo medicamento padrão sorafenibe (IC50 =7,13), sendo considerada sinérgica a associação de DFS e cobre (CI< 1). Frente ao melanoma, a combinação apresentou IC50= 8,25; valor próximo ao obtido para temozolamida, sendo também considerada sinérgica a combinação (CI< 1). Frente as células não tumorais, associadas, as substâncias apresentaram IC50= 17,42; devido a esse valor, a combinação foi considerada antagônica. Com base nos resultados apresentados, pode-se inferir dissulfiram como um potencial candidato ao reposicionamento de medicamentos no tratamento do câncer, principalmente no que diz respeito à sua utilização em combinação ao cobre, uma vez que apresenta efeito sinérgico frente as linhagens tumorais de melanoma e hepatocarcinoma. Ainda não havia sido relatada sua atividade frente a essas linhagens celulares tumorais, destacando a importância do segmento de pesquisas que visem a procura pelas atividades citotóxicas desse medicamento. Agradecimentos: Este estudo foi parcialmente financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código Financeiro 001.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
BOLSON SERAFIN, M.; SEGABINAZZI FOLETTO, V.; FAGUNDES DA ROSA, T.; ROSSATO VIANA, A.; NUNES FRANCO, L.; HÖRNER, R. ATIVIDADE CITOTÓXICA SINÉRGICA DE DISSULFIRAM E COBRE FRENTE AO MELANOMA E HEPATOCARCINOMA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.