USO DE CANNABIS SATIVA NO REPOSICIONAMENTO FRENTE A DOENÇAS INFECCIOSAS

  • Vitória Segabinazzi Foletto
  • Taciéli Fagundes da Rosa
  • Marissa Bolson Serafin
  • Sara de Lima Marion
  • Augusto Dias da Mota
  • Rosmari Horner
Rótulo Cannabis, sativa, Canabinóides, Resistência, microbiana, Atividade, antimicrobiana, Redirecionamento

Resumo

Cannabis sativa, droga ilícita mais utilizada no mundo, pode ser considerada um problema de saúde pública devido as complicações clínicas e sociais que pode causar. Seu uso diário resulta em efeitos psicotrópicos que podem desenvolver dependência, diminuição da capacidade cerebral e aumento do risco de experimentação de outros psicoativos. Nos últimos anos, chamou-nos atenção o número de estudos envolvendo a atividade antimicrobiana de C. sativa, a popular maconha, como nova indicação terapêutica no tratamento de doenças infecciosas, sendo sugerida como substância reposicionada no tratamento de infecções microbianas. O reposicionamento tem sido uma área de ativa pesquisa, constituindo alternativa promissora para identificar novos usos terapêuticos para fármacos e substância já utilizados na clínica, explorando novas propriedades e reduzindo os custos e tempo de desenvolvimento. O objetivo desta revisão sistemática foi expor ao leitor estudos que demonstraram atividade antimicrobiana de C. sativa, bem como discutir os efeitos que o reposicionamento dessa substância pode causar na terapêutica. A coleta de dados foi realizada por meio do banco de dados PubMed, utilizando a seguinte estratégia de busca: [(Cannabis sativa) OR (canabinoides) AND (antimicrobiano) AND (antibacteriano)]. Os critérios de inclusão foram estudos publicados que avaliaram a atividade antimicrobiana in vitro e in vivo de C. sativa, escritos na língua inglesa e em outras línguas. A busca sistemática retornou 247 artigos que correspondiam aos critérios. Finalmente, incluímos 22 estudos em nossa revisão, os quais demonstraram que metabólitos de C. sativa apresentaram atividade frente a cepas bacterianas e fúngicas, incluindo biofilmes. Os valores de Concentração Inibitória Mínima (CIM) variaram entre 1 a >100 µg/ml e a zona de inibição entre 10 a 20 mm. De encontro aos resultados encontrados e como forma de refletir sobre o reposicionamento de tal substância, expomos os obstáculos e complicações que poderiam limitar o uso de C. sativa como substância reposicionada no tratamento de infecções microbianas. O aumento dos níveis de Tetra-hidrocanabinol (THC) e diminuição de Canabidiol (CBD) nas novas variantes de maconha e a falta de comprovação da pureza dos compostos podem resultar em produtos de CBD contendo traços de THC, o responsável pelos efeitos deletérios da droga. A ausência de regulamentação na maioria dos países contribui para a falta de qualidade com que a substância possa ser prescrita. Também o uso crônico da C. sativa pode provocar surgimento de doenças psiquiátricas e danos nas vias respiratórias, conduzindo ao aparecimento de câncer de pulmão. Questiona-se também o fato de que os estudos que demonstraram atividade antimicrobiana de C. sativa não consideram em nenhum momento o perigo e os efeitos psicotrópicos colaterais que THC pode provocar. Ainda é necessário considerar as características que envolvem o paciente, como problemas psicológicos e cognitivos, bem como se já foi usuário de drogas ilícitas ou se há probabilidade de começar a utilizá-las, fato que poderia ser agravado caso houvesse a utilização de C. sativa no tratamento de doenças infecciosas. Outra questão a ser avaliada é a consequente finalidade lucrativa e comercial que pode ocorrer por parte das indústrias farmacêuticas, assim como a forma que será feito o controle da comercialização e da produção desses produtos, a fim de não permitir abusos financeiros por parte das empresas fabricantes e dos revendedores. A presente revisão disponibiliza ao leitor alguns resultados acerca das atividades antimicrobianas de C. sativa encontradas na literatura, e o convida a refletir sobre as implicações que o reposicionamento dessa substância poderia provocar se permitida sua utilização na terapêutica.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
SEGABINAZZI FOLETTO, V.; FAGUNDES DA ROSA, T.; BOLSON SERAFIN, M.; DE LIMA MARION, S.; DIAS DA MOTA, A.; HORNER, R. USO DE CANNABIS SATIVA NO REPOSICIONAMENTO FRENTE A DOENÇAS INFECCIOSAS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.