CONHECIMENTOS E PRÁTICAS DA EQUIPE DE ENFERMAGEM ACERCA DA TERAPIA DE NUTRIÇÃO ENTERAL: REVISÃO INTEGRATIVA

  • Emerson Risso
  • Bruna Stamm
Rótulo Nutrição, Enteral, Cuidados, Enfermagem, Conhecimentos, Segurança, Paciente

Resumo

Introdução: A Terapia Nutricional Enteral (TNE) objetiva a recuperação ou manutenção do estado nutricional de pacientes que não satisfazem suas necessidades nutricionais através da alimentação convencional1. Destaca-se o papel da equipe de enfermagem para o alcance das metas nutricionais e prevenção dos eventos adversos, tendo sua atuação nacionalmente estabelecida através da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 63/20002 e atualizada através da RDC nº 503/20213 versando sobre os requisitos mínimos para TNE no Brasil. Objetivo: identificar através de produções científicas os conhecimentos e as práticas da equipe de enfermagem acerca da TNE em pacientes adultos hospitalizados, no cenário brasileiro. Método: empregou-se a Revisão Integrativa (RI), que é constituída por seis etapas: formulação da pergunta de revisão; amostragem, extração de dados dos estudos selecionados; avaliação crítica; análise e síntese dos resultados; apresentação e divulgação da RI. Para formulação da pergunta de revisão foi utilizada a estratégia PICO (P população, I intervenção, C comparação, O resultados4. Os critérios de inclusão adotados foram: estudos originais de pesquisas no cenário brasileiro, publicado entre 2000-2020, nos idiomas português, inglês e/ou espanhol e que estivessem disponíveis gratuitamente, de forma online na íntegra. Foram excluídas pesquisas referentes à TNE por via oral, gastrostomias e jejunostomias. A localização dos estudos foi realizada no Portal da Biblioteca Virtual em Saúde e nas bases de dados MEDLINE, CINAHL, Embase e Web of Science, empregando os descritores Cuidados de Enfermagem AND Nutrição Enteral, adicionando entre os termos associados o operador boleano OR. Os estudos selecionados foram sumarizados e avaliados quanto seu nível de evidência através do instrumento de Melnyk e Fineout-Overholt5. Os resultados dos estudos foram extraídos e comparados com as Boas Práticas de Administração da Nutrição Enteral (BPANE), fixadas na RDC nº 503/2021 no anexo III - Roteiro de inspeção. Resultados: foram localizados 887 artigos, dos quais nove6-14 foram selecionados para compor a revisão. Entre as publicações 3 procediam do estado do Rio Grande do Sul, 3 do estado de São Paulo, 3 do Paraná e 1 do Ceará, sendo publicadas entre os anos 2003-2020. Quanto aos locais de realização do estudo prevaleceram as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) (n=4), Unidades Clínicas (UC) (n=3), Unidades Cirúrgicas (UC) (n=3) e Unidades de Urgência e Emergência (UUE) (n=3), englobando um total de 996 profissionais de enfermagem, sendo 775 (77,81%) enfermeiros, 122 (12,25%) auxiliares de enfermagem e 99 (9,94%) técnicos de enfermagem. Em relação aos cuidados de enfermagem ao paciente em TNE, três estudos abordaram a administração de medicamentos e identificou práticas como administração de medicamentos prescritos para o mesmo horário concomitante, não realização do flushing antes da administração dos fármacos e falta de avaliação da compatibilidade das fórmulas farmacêuticas para administração por sonda enteral contrapondo a RDC 503/2021 e 63/2000 no art. 241A equipe de enfermagem envolvida na administração da NE deve conhecer os princípios da BPANE. Em relação a verificação do volume residual gástrico (VRG) em um estudo 499 enfermeiros realizaram este cuidado, outro estudo 58 (90,6%) profissionais incluindo enfermeiros, técnicos de enfermagem e auxiliares referiram realizar a verificação do VRG, porém quando observados em prática somente 76,6% o fizeram, contrapondo o art. 54 O paciente submetido À TNE deve ser controlado quanto à eficácia do tratamento, efeitos adversos e alterações clínicas que possam indicar modificações da TNE. Quanto a inserção da sonda nasoentérica, em um estudo 1% dos profissionais não aguardava a confirmação radiológica da sonda para iniciar a administração de dietas e medicamentos contrapondo o art. 260 É responsabilidade do enfermeiro encaminhar o paciente para exame radiológico visando a confirmação da localização da sonda. Quanto aos diagnósticos de enfermagem (DE), em 150 inserções de sonda 82 não houve a prescrição dos cuidados de enfermagem e em 119 não foram elencados DE, contradizendo o artigo 238 da RDC 503/2021 e RDC 63/2000 O enfermeiro é responsável pela administração da NE e prescrição dos cuidados de enfermagem nível hospitalar, ambulatorial e domiciliar. Outro estudo identificou que nenhum profissional se comunicou com o paciente e familiares durante os procedimentos, contrapondo a RDC 63/2000 e RDC 503/2021, art. 279 Proporcionar ao paciente uma assistência de enfermagem humanizada, mantendo-o informado de sua evolução. Conclusão: Os conhecimentos e práticas da enfermagem identificados, em sua maioria, dispõem sobre o manejo com medicamentos e dieta pela sonda enteral e a verificação do volume residual gástrico encontrando-se fragilidades em relação as Boas Práticas na Administração da Nutrição Enteral previstas na legislação vigente.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
RISSO, E.; STAMM, B. CONHECIMENTOS E PRÁTICAS DA EQUIPE DE ENFERMAGEM ACERCA DA TERAPIA DE NUTRIÇÃO ENTERAL: REVISÃO INTEGRATIVA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.