VIVÊNCIAS, SENTIMENTOS E DIFICULDADES DE MÃES DE PREMATUROS

  • Carolina Heleonora Pilger
  • Natália da Silva Gomes
  • Jarbas da Silva Ziani
  • Graciela Dutra Sehnem
  • Silvana Bastos Cogo
  • Lisie Alende Prates
Rótulo Saúde, mulher, Trabalho, parto, prematuro, Nascimento, Recém-nascido, criança

Resumo

A gestação, o parto e o nascimento consistem em experiências únicas na vida da mulher. Contudo, intercorrências podem ocorrer, levando ao parto prematuro, o qual pode representar uma vivência traumatizante devido às imprevisibilidades desse evento, a possibilidade de separação entre mãe e filho e a internação deste em Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN). Assim, entende-se que o nascimento prematuro pode demandar cuidados complexos direcionados ao bebê, mas também atenção direcionada à puérpera, que pode se sentir fragilizada durante esse processo. Frente às incertezas, inúmeros sentimentos podem emergir, o que justifica a importância de dar voz às puérperas que vivenciam esse momento. Para tanto, objetivou-se conhecer as vivências, os sentimentos e as dificuldades enfrentadas por mães de bebês prematuros. Trata-se de uma pesquisa de campo qualitativa, desenvolvida em Policlínica Infantil de um município no Rio Grande do Sul. Os dados foram coletados por meio de entrevista semiestruturada individual, com dezesseis puérperas, e submetidos à análise de conteúdo temática. O projeto de pesquisa foi aprovado sob o CAAE 24860619.0.0000.5323, número do parecer 4.128.128 do Comitê de Ética em Pesquisa. As vivências durante o período gestacional envolveram complicações como a amniorrexe prematura, doenças hipertensivas específicas da gestação, descolamento prematuro da placenta, sangramentos, oligodrâmnio, multiparidade, e gravidez precoce ou tardia, que possivelmente, culminaram no nascimento prematuro. Em contrapartida, algumas puérperas relataram ausência de intercorrências, tendo uma gestação tranquila. Assim, percebe-se que mesmo que o nascimento ocorra prematuramente, o transcorrer da gestação pode ser sem nenhuma intercorrência ou complicação. Entre aquelas que apresentaram algum fator de risco, havia a preocupação e o medo quanto à prematuridade e possíveis agravos à saúde do recém-nascido, devido a informações fornecidas pelos profissionais de saúde, como apresentado na fala de uma das participantes: Tomamos um susto quando o doutor disse que não saberia se salvava a minha vida ou a do bebê. Dessa forma, o apoio espiritual tornou-se indispensável para as mães frente às incertezas e inseguranças quanto ao desfecho gestacional. No nascimento, as mulheres vivenciaram a separação de seus filhos e a internação imediata na UTIN, sem o fornecimento de justificativas e orientações adequadas, mesmo nos casos em que os bebês apresentavam condições clínicas estáveis, como apresentado na fala de uma das participantes a seguir: O nascimento foi bem tranquilo. Eu só não vi quando ela nasceu, porque levaram ela direto. Logo, percebe-se as fragilidades da assistência realizada pelos profissionais de saúde inseridos na maternidade. Na internação, as mães demonstraram o interesse e o conhecimento da condição clínica de seus filhos e compreenderam a necessidade de um cuidado especial, devido à imaturidade do sistema fisiológico dos bebês prematuros. Esse período implicou também em mudanças na rotina das mães, que vivenciavam desgaste físico e emocional. Diante de um longo período de internação, as mães vivenciaram o medo e a preocupação quanto a prematuridade e possíveis agravos, conforme o seguinte depoimento: Na UTI eu fiquei bastante preocupada porque com a prematuridade tem que ter atenção. A internação trouxe também alterações no cotidiano dessas mães, em que era necessário realizar o deslocamento diário de suas residências para o hospital. Elas também precisaram desenvolver precauções específicas ligadas à pandemia de COVID-19. Já no domicílio, após a alta da UTIN, as mães relataram a continuidade dos cuidados, demonstrando o envolvimento no cuidado com o seu bebê. Infere-se que os achados deste estudo possibilitaram conhecer as vivências, os sentimentos e as dificuldades enfrentadas pelas mães de bebês prematuros, sobretudo as possíveis complicações que acarretam na prematuridade. Além dessas considerações, foi possível revelar uma lacuna na assistência prestada pelos profissionais de saúde, especialmente no que se refere à comunicação entre profissional, mãe e família. Percebe-se a necessidade de desenvolver assistência humanizada, atentando para as necessidades específicas de cada binômio, com orientações que permitam maior empoderamento e participação da mãe e da família no cuidado ao bebê. Logo, para o ensino, essas recomendações também são válidas, sendo necessário a sensibilização dos estudantes, e futuros profissionais de saúde, para o cuidado a esses indivíduos, que com a chegada de um bebê prematuro, experienciam de maneira única esse processo.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
HELEONORA PILGER, C.; DA SILVA GOMES, N.; DA SILVA ZIANI, J.; DUTRA SEHNEM, G.; BASTOS COGO, S.; ALENDE PRATES, L. VIVÊNCIAS, SENTIMENTOS E DIFICULDADES DE MÃES DE PREMATUROS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.