FATORES QUE LEVAM PESSOAS IDOSAS AO ABANDONO DA TERAPIA ANTIRRETROVIRAL: UMA REVISÃO

  • Maria Amanda Bibiano de Jesus
  • Cenir Gonçalves Tier
Rótulo HIV/Aids, Idoso, Abandono, antirretrovirais

Resumo

A aids é uma doença causada pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). O vírus atinge o sistema imunológico, destruindo as células CD4, favorecendo outras doenças infecciosas. No início dos anos de 1990, houve um avanço histórico na qualidade de vida dos pacientes com HIV/AIDS, com o desenvolvimento da terapia antirretroviral de alta potência que desde 1996, segundo a Lei nº 9.313/96 o governo brasileiro garante a distribuição dos medicamentos de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O uso das medicações trouxe grandes benefícios, prolongando o tempo de vida de usuários que infectaram-se com o vírus, deixando de ser considerada uma doença fatal, tornando- se condição crônica. Mesmo com os benefícios da terapêutica ainda existem muitas dificuldades, dentre elas destaca-se a falta de adesão do paciente ao tratamento. Conforme o Ministério da Saúde é considerado abandono de tratamento quando o usuário não comparece ao serviço três meses após retirar seus medicamentos, ou que não comparece às consultas em um intervalo maior que seis meses. A justificativa para este relato pauta-se em uma das constatações durante a coleta de dados do Trabalho de Conclusão de Curso, em que verificou-se que 15% das pessoas idosas atendidas em um serviço de SAE/CTA abandonaram o tratamento. Diante do contexto ora apresentado, objetiva-se apresentar a partir da literatura os principais fatores que levam as pessoas idosas que vivem com HIV/aids a abandonarem o tratamento. Trata-se de uma revisão integrativa de literatura realizada em setembro de 2021, seguindo as seguintes etapas: Identificação do tema, critérios de inclusão e exclusão, definição das informações relevantes para o estudo, interpretação dos resultados e apresentação dos dados obtidos. Para viabilizar a busca, foi realizada consulta dos Descritores em Ciências da Saúde (DECS). Foram identificados os seguintes descritores em português e seus correspondentes em inglês: "idoso" and "abandono tratamento hiv. Os critérios de inclusão foram: artigos originais que abordassem a temática do estudo, disponíveis online na íntegra, publicados nos últimos cinco anos e, em língua portuguesa. Os critérios de exclusão foram: publicações com apenas resumos, artigos sem delimitação do tema, artigos estrangeiros, duplicidade de artigos, editoriais, teses, dissertações, trabalhos de conclusão de curso e relato de experiência. Ao utilizar a estratégia de busca proposta foram encontrados 54 artigos, sendo selecionado após critérios apenas cinco artigos. Conforme os artigos selecionados são vários os fatores que levam o indivíduo a abandonar o tratamento como dificuldade para agendar consultas e exames, sentimentos de vergonha, culpa e medo, dificuldades com uso dos antirretrovirais, efeitos colaterais, horários das doses, que podem conflitar com as rotinas e o estilo de vida, periodicidade das consultas com o infectologista e rotina de exames para o acompanhamento da carga viral. Outro fator apontado diz respeito à evolução da doença, quando atinge o estágio mais grave onde o CD4 está abaixo de 200 células/mm3, levando a ineficácia de algumas medicações, havendo assim, a necessidade de substituir por outro antirretroviral. O idoso não sabendo dessa informação pode entender que os medicamentos não estão fazendo efeito e abandonar o tratamento, caso não tenha um acompanhamento de serviço de saúde. Também, a baixa escolaridade dificulta o entendimento da importância de realizar o tratamento para não haver a progressão da doença, bem como a não aceitação da soropositividade, pois, iniciar a terapia anti-retroviral (TARV) significa reconhecer que a condição de infecção pelo HIV é uma realidade. Destaca-se que também contribui para o abandono do tratamento o uso abusivo de álcool e outras drogas. Para tanto, conclui-se que a manutenção da terapia antirretroviral é um desafio e que a falta de adesão ao tratamento medicamentoso por parte do paciente gera o agravamento da doença, pois ocorre o aumento da replicação viral e o enfraquecimento gradativo do sistema imunológico, deixando a pessoa idosa mais vulnerável a outras patologias.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
AMANDA BIBIANO DE JESUS, M.; GONÇALVES TIER, C. FATORES QUE LEVAM PESSOAS IDOSAS AO ABANDONO DA TERAPIA ANTIRRETROVIRAL: UMA REVISÃO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.