ABORTO NA FRONTEIRA OESTE DO RIO GRANDE DO SUL: QUEBRANDO TABUS

  • Valéria Lima
  • Jussara Mendes Lipinski
Rótulo Mulher, Aborto, Saúde, mulher, Comportamento, Reprodutivo, Direitos, Sexuais, Reprodutivos

Resumo

Introdução: O aborto acontece mesmo frente a criminalização imposta pela sociedade, levando as mulheres a realizá-lo na clandestinidade fazendo uso de medicamentos, instrumentos perfuro cortantes, chás e buscando por pessoas que realizem o procedimento.A precária abordagem da temática, limita a implementação de ações. Objetivos: - conhecer o perfil reprodutivo das mulheres residentes na Fronteira oeste do Rio Grande do Sul, que realizaram aborto ao longo de sua vida reprodutiva e, - identificar a magnitude do aborto na região. Método: pesquisa exploratória descritiva com abordagem quantitativa desenvolvida, na fronteira oeste do RS entre setembro de 2020 e maio de 2021 aprovada no Comitê de Ética em Pesquisa parecer: 4.711.212. Utilizou-se um questionário com 24 questões fechadas via google forms e foi garantida a liberdade das participantes responderem ou não aos questionamentos propostos no questionário. A amostra de 383 mulheres, foi calculada tendo por base o número de mulheres em idade reprodutiva na região.Resultados: Responderam ao instrumento 383 mulheres, destas, 65 informaram ter realizado ao menos um aborto. Realizaram aborto entre 19 e 29 anos 57 mulheres, entre 30 e 34 anos três, entre 35 e 39 anos duas mulheres e três não responderam a questão. Relataram uso de medicamentos para realização do aborto 48 mulheres, 11 utilizaram chás, 10 utilizaram instrumentos perfuro cortantes, e cinco mulheres desconheciam o método utilizado, uma relatou outro método e três não responderam à questão. Complicações tais como retenção de restos placentários e infecção foram relatadas por 27 mulheres, que buscaram atendimento e 23 não relataram complicação. Destaca-se ainda que quatro mulheres relataram alguma complicação após realizar o aborto porém não procuraram nenhum serviço de saúde apóss o aborto. Evidencia-se que das 65 mulheres, 60 delas ou 92% responderam que conhecem outras mulheres que realizaram aborto.Responderam que ainda consideram que falar de aborto é um tabu 59 mulheres 90,8 % outras 6 mulheres reponderam que não consideram tabu. Resultados e discussão: Os resultados iniciais mostram que o aborto é uma prática frequente na vida das mulheres que tendem a realizá-lo no ápice da vida reprodutiva. A utilização de medicamentos tem sido o método de escolha da maior parte das mulheres, ainda que algumas utilizem chá e instrumentos perfurocortantes, estes aumentam significativamente o risco de complicações. Em relação às complicações, a infecção e retenção de restos placentários aparece com destaque. Conclusão: Os dados corroboram que mesmo frente a possibilidade de criminalização as mulheres recorrem a prática do aborto, colocando suas vidas em risco. Ressalta-se a necessidade de que em qualquer circunstância as mulheres sejam assistidas e orientadas para que se reduza o hiato existente entre o discurso da integralidade no cuidado à saúde da mulher, seus direitos reprodutivos e a assistência efetivamente ofertada por profissionais e serviços.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2021-11-16
Como Citar
LIMA, V.; MENDES LIPINSKI, J. ABORTO NA FRONTEIRA OESTE DO RIO GRANDE DO SUL: QUEBRANDO TABUS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.