ANÁLISE DO TURNO DE OCORRÊNCIA DAS DENÚNCIAS DE VIOLÊNCIA CONTRAA MULHER NO MUNICÍPIO DE URUGUAIANA/RS

  • Gabriela Bahi Da Silva
  • Leticia Barbosa Dias
  • Rayssa Paz Rodrigues Cogorni
  • Cindy Byane de Melo de Moura
  • Lisie Alende Prates
  • Kelly Dayane Stochero Velozo
Rótulo Mulher, Violência, contra, mulher, parceiro, íntimo, COVID-19

Resumo

No Brasil, as ocorrências de violência contra a mulher (VCM) são alarmantes e intensificaram-se durante a pandemia da COVID-19. Diante disso, reconhece-se a necessidade de pesquisas nessa área, buscando identificar variáveis relacionadas, que possam contribuir para o aprimoramento das ações e intervenções, visando reduzir esse agravo e/ou auxiliar as mulheres no seu enfrentamento. O presente estudo tem como objetivo analisar o turno em que ocorreram as denúncias dos casos de violência, registrados nos inquéritos policiais da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM), no município de Uruguaiana-RS. Pesquisa quantitativa, transversal, descritiva e retrospectiva. Realizou-se coleta e análise retrospectiva dos inquéritos presentes na Delegacia. Os critérios de inclusão foram inquéritos policiais sobre VCM causada por parceiro íntimo, com recorte temporal entre 01/04/2020 a 31/03/2021. Os critérios de exclusão foram inquéritos que não apresentavam o preenchimento completo das variáveis pré-estipuladas para análise no estudo. A coleta de dados ocorreu entre os meses de maio a setembro de 2021, com a coleta de 289 inquéritos, por meio de instrumento criado pelas pesquisadoras. Dentre as variáveis coletadas, buscou-se identificar o turno em que ocorreram as denúncias dos casos de violência. As variáveis coletadas foram digitalizadas e organizadas em um banco de dados desenvolvido em planilha do Microsoft Excel, e analisadas por meio de estatística descritiva. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, sob o número de parecer 4.551.775 e CAAE 42566920.8.0000.5323. Constatou-se que, no turno da noite, houve prevalência das denúncias com 51,90% (n=150) dos inquéritos presentes na DEAM, seguido pelo turno da tarde (30,10%; n=87) e da manhã (17,30%; n=50). Verificou-se que, em um mesmo dia, ocorreram duas denúncias de uma mulher, em turnos distintos (tarde e noite). Além disso, um inquérito não apresentava o horário do registro. Vale pontuar que o horário do registro pode ser no momento exato da agressão ou quando a vítima conseguiu procurar ajuda. Por isso, não é possível identificar se, nesses turnos, houve mais casos ou mais registros. Também percebeu-se ampla variedade nos horários das denúncias, sem um padrão exclusivo, mas com uma prevalência maior de registros em determinados horários em cada turno. No turno da noite, por exemplo, a maior prevalência de registros ocorreu entre às 20 e 22 horas, em 25,83% (n=39) dos casos. Diante desses achados, é preciso considerar que as Delegacias de Defesa da Mulher têm horário de funcionamento apenas no período diurno e durante a semana. Aos finais de semana e no turno da noite as denúncias são realizadas no plantão da Delegacia Civil. Entretanto, as situações de vulnerabilidade às quais as mulheres estão expostas não se restringem apenas ao período diurno. Portanto, reforça-se a importância da DEAM ofertar atendimento contínuo, pois reconhece-se que este é um espaço preparado e diferenciado para o desenvolvimento de ações de acolhimento às situações de VCM. Ainda vale lembrar que a implementação de Delegacias de Defesa da Mulher foram criadas, com o intuito de propor um novo modelo de serviço, pois, por muito tempo e ainda em várias regiões, as delegacias policiais impedem, diminuem e/ou desqualificam as situações de violência contra a mulher, reforçando posicionamentos machistas e opressores. Logo, há a necessidade de adequação desses serviços, de modo a garantir atendimento em tempo integral às mulheres. Destaca-se que o processo de análise de dados da pesquisa encontra-se em andamento, sendo que outras variáveis precisam ser consideradas para permitir traçar um perfil das mulheres vítimas de violência, causada por parceiro íntimo, no município, durante a pandemia da COVID-19. Entretanto, espera-se que os achados desse estudo forneçam subsídios que possam contribuir na elaboração e implementação de estratégias de enfrentamento às situações de violência a nível municipal, permitindo promover ações de promoção, proteção e apoio às mulheres.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
BAHI DA SILVA, G.; BARBOSA DIAS, L.; PAZ RODRIGUES COGORNI, R.; BYANE DE MELO DE MOURA, C.; ALENDE PRATES, L.; DAYANE STOCHERO VELOZO, K. ANÁLISE DO TURNO DE OCORRÊNCIA DAS DENÚNCIAS DE VIOLÊNCIA CONTRAA MULHER NO MUNICÍPIO DE URUGUAIANA/RS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.