EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS REFERENTE AO ALCOOLISMO EM PESSOAS IDOSAS: UMA REVISÃO

  • Camile da Silva Martins
  • Tatiéle Zago Bonorino
  • Melissa Frecero Consiglio
  • Aline Ost dos Santos
  • Cenir Gonçalves Tier
Rótulo Idoso, Alcoolismo, Enfermagem

Resumo

Envelhecer é um processo natural na vida dos seres humanos, ocorrendo de maneira única em cada um e trazendo consigo uma série de mudanças anatômicas e fisiológicas (BARBOSA et al., 2018). Nesse sentido, verifica-se que alguns hábitos, como o consumo frequente de bebidas alcoólicas, podem comprometer a qualidade de vida da pessoa idosa devido aos prejuízos consideráveis do álcool à saúde (GUIMARÃES et al., 2019). Os males trazidos pelo uso contínuo de álcool, podem afetar em vários níveis a pessoa idosa, levando a alterações físicas, emocionais e comportamentais, bem como contribuindo substancialmente para que ocorra morbidade, mortalidade e internações hospitalares (GUIMARÃES et al., 2019). Por este motivo, é importante realizar uma análise em relação aos fatores de risco e de proteção para o desenvolvimento do alcoolismo em pessoas idosas, na medida em que estes refletem, muitas vezes, nos motivos que afastam as pessoas idosas do uso abusivo de álcool ou que as mantém próximas. Para tanto, os objetivos do estudo são analisar e apresentar as evidências científicas sobre os fatores de risco e de proteção para o desenvolvimento do alcoolismo em pessoas idosas. Trata-se de uma Revisão Integrativa realizada nas bases de dados Scielo e Pubmed utilizando como descritores Alcoolismo e Idoso e booleanos ''AND e OR. Questão norteadora: Quais as evidências científicas disponíveis sobre os fatores de risco e proteção para o desenvolvimento do alcoolismo em pessoas idosas?. Os critérios de inclusão foram baseados em produções científicas elaboradas na temática da revisão, artigos completos, modalidade original, publicados em português do tipo de relato de experiência ou de pesquisa e recorte temporal dos últimos cinco anos. E, como critérios de exclusão: publicações com apenas resumo, reflexões, resenhas, revisões da literatura, revisão sistemática e temáticas que não respondessem à questão de pesquisa. A revisão integrativa foi elaborada após a realização da seleção dos estudos, com apenas cinco (05) artigos científicos da base de dados Scielo, pois a busca na base de dados Pubmed foi zerada conforme os critérios de inclusão e exclusão estabelecidos. De acordo com os artigos investigados, o alcoolismo na pessoa idosa está associado predominantemente ao sexo masculino na faixa etária de 60 a 70 anos de idade, perante uma maior pressão social que os homens têm para iniciar o consumo em relação ao sexo feminino (DULLIUS et al., 2018). A precarização em relação a questões como renda e escolaridade em pessoas idosas, também foram apontadas, pois o contexto que o indivíduo está inserido pode impactar diretamente nos seus hábitos e costumes de vida (GUIMARÃES et al., 2019). Evidenciou-se que a pessoa idosa tabagista apresenta maiores chances para o uso de risco do álcool (DULLIUS et al., 2018). Além disso, idosos diagnosticados com comorbidades podem recorrer ao álcool como se ele fosse uma válvula de escape e auxiliasse a passar por esse processo (SANTANA et al., 2019). Ademais, o processo de envelhecimento pode ser mais dificultoso para alguns idosos, pois ele pode resultar em um estado de maior vulnerabilidade e em determinadas situações pode ocorrer a perda de autonomia da pessoa idosa, corroborando para o surgimento de transtornos emocionais, mas principalmente a depressão e a ansiedade, que são associados a utilização nociva do álcool (BARBOSA et al., 2018). Quando refere-se a fatores de proteção, os estudos reforçam a emergência do incentivo a mudanças comportamentais por meio da promoção da saúde, assim como a ampliação de uma rede forte de relacionamentos, incentivo aos vínculos afetivos e as relações de interdependência (BARBOSA et al., 2018). A resiliência também aparece como fator de proteção para o uso abusivo de álcool e a relaciona com maior engajamento social, otimismo e independência desenvolvidos pela população idosa (DULLIUS et al., 2018). Destarte, em conformidade com as evidências científicas sobre os fatores de risco e proteção para o desenvolvimento do alcoolismo em pessoas idosas, nota-se a insuficiência de estudos que dão enfoque a essa temática. Nessa perspectiva, cabe dar ênfase a mecanismos de proteção para aumentar a qualidade de vida da pessoa idosa, por meio do estímulo à atividade física, a boa alimentação, a realização de atividades de lazer e a conservação dos vínculos afetivos com amigos e familiares. Igualmente, investir em uma rede de apoio e diagnóstico para idosos com alcoolismo, para possibilitar a eles uma reabilitação e superação dessa adversidade. Destaca-se, por fim, a importância da Enfermagem fomentar a produção científica e a pesquisa aos projetos de extensão universitária, com o propósito de gerar um maior conhecimento acerca do alcoolismo, especificamente na terceira idade, visando a melhora nos instrumentos de diagnóstico, tratamento e prevenção para modificar o panorama e viabilizar uma sensação de pleno bem-estar para a pessoa idosa.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
DA SILVA MARTINS, C.; ZAGO BONORINO, T.; FRECERO CONSIGLIO, M.; OST DOS SANTOS, A.; GONÇALVES TIER, C. EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS REFERENTE AO ALCOOLISMO EM PESSOAS IDOSAS: UMA REVISÃO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.