A EVOLUÇÃO CLÍNICA DA COVID-19 RETRATADA EM UM ESTUDO DE CASO

  • Jamille Louise Bortoni de Oliveira
  • Thiago Lopes Espindola
  • Luca Goncalo Santos
  • Sabrina Nesi
  • Letice Dalla Lana
  • Paulo Emilio Botura Ferreira
Rótulo Coronavírus, COVID, 19, Unidades, Terapia, Intensiva

Resumo

A COVID-19, segundo o Ministério da Saúde, é uma doença causada pelo coronavírus (SARS-CoV-2) que ocasiona a síndrome respiratória aguda grave. Devido ao seu alto potencial de transmissibilidade, após ser identificado na cidade de Wuhan, China, decretou-se a pandemia em março de 2020 pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O prognóstico da maioria dos pacientes é favorável, mas as piores evoluções dos quadros de COVID-19 correspondem a pessoas portadoras de doenças crônicas como hipertensão arterial (HAS), insuficiência renal, diabete mellitus (DM), doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), asma e cardiopatias, bem como fatores de risco modificáveis, como tabagismo, idade avançada e obesidade. Diante disto, este estudo justifica-se pela necessidade de buscar conhecimento científico que sustente a evolução clínica de um paciente com fatores de risco modificáveis e não-modificáveis após infecção pela COVID-19. Este estudo tem por objetivo relatar a evolução clínica de um paciente internado pela COVID-19 portador de doenças pré-existentes. Estudo descritivo retrospectivo, do tipo estudo de caso, pertencente a um projeto de pesquisa multicêntrico, CAEE 30782820.2.0000.5323. As informações referentes ao perfil clínico epidemiológico foram extraídas de um prontuário físico pertencente a um Hospital Municipal de Sergipe. Paciente do sexo masculino, 77 anos de idade, histórico de doenças prévias de hipertensão (HAS), diabetes mellitus tipo 2 (DMII) e doença pulmonar obstrutiva (DPOC). Procura serviço de emergência em virtude de sinais e sintomas para COVID-19. Faz uso de Anlodipino, Losartana, Metformina, sem descrição da posologia. Tabagista e sedentário. Foi transferido para um Hospital Municipal de Sergipe em decorrência do quadro evolutivo de dispneia, astenia, inapetência, sinais e sintomas característicos para COVID-19. A identificação para a COVID-19 se deu pela técnica conhecida como RT-PCR (transcrição reversa seguida de reação em cadeia da polimerase), que justificou a internação por infecção por coronavírus de localização não especificada e DPOC. Devido à instabilidade respiratória, bem como picos de hipertensão arterial, foi encaminhado para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Na admissão do paciente foi coletada uma gasometria arterial que identificou acidose respiratória (pH: 7,136 - paCO2: 82,9 - pO2:150,6 - HCO3: 21,2 - BE: -1,7). Nesta ocasião, o paciente foi submetido a entubação orotraqueal, instalação de cateter venoso central para infusão de sedativos com relaxante muscular e analgésicos de modo contínuo, e colocação de sonda nasoentérica e vesical. Para controlar o avanço da doença, iniciaram-se antibióticos endovenosos como Ceftriaxona e Azitromicina, e anti-inflamatório como a dexametasona. A equipe multidisciplinar implementou intervenções para promover melhora na estabilidade hemodinâmica e respiratória como prona, elevação de cabeceira, fisioterapia, oferta de nutrientes, controle hídrico e mobilização no leito. Após uma semana de internação, o paciente evolui para choque séptico com pressão arterial sistêmica (PA) de 97/59 mmHg, temperatura axilar de 33,6°C, SPO2: 67%, e permanência de acidose respiratória conforme gasometria arterial. Na mesma data, paciente apresentou uma parada respiratória seguida de cardíaca, demandando manobras de reanimação cardíaca. Constata-se o óbito por insuficiência respiratória. A Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) aponta que a Ceftriaxona e Azitromicina são medicamentos que podem minimizar o quadro clínico do paciente com COVID-19. Entretanto, não são antimicrobianos específicos para o coronavírus, pois não apresentam resultados exatos sobre a eficácia e a segurança com o seu uso. Acrescido pela ausência de medicamentos específicos para a COVID-19, pode-se deduzir que os fatores de risco não-modificáveis podem ter favorecido o desfecho clínico insatisfatório. Como o vírus SARS-CoV-2 utiliza o mesmo receptor da enzima conversora de angiotensina tipo 2 (ECA-2), pode-se inferir que houve infecção disseminada nas células do endotélio, dos rins e dos pulmões. Assim, neste caso, pode-se inferir que o aumento da expressão da ECA-2 pode ser potencializado ao identificar o histórico de tabagismo e DPOC, oportunizando uma maior suscetibilidade para a infecção, depressão do sistema respiratório e óbito. Conclui-se, que, a partir do relato de caso, a COVID-19 é desafiadora mediante aos cuidados necessários ao paciente portador de doenças prévias e idade avançada. Mesmo diante de muitas intervenções, principalmente medicamentosas, o histórico de doenças crônicas, idade e ausência de imunizantes específicos para a COVID-19 potencializaram a evolução do desfecho clínico desse paciente.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
LOUISE BORTONI DE OLIVEIRA, J.; LOPES ESPINDOLA, T.; GONCALO SANTOS, L.; NESI, S.; DALLA LANA, L.; EMILIO BOTURA FERREIRA, P. A EVOLUÇÃO CLÍNICA DA COVID-19 RETRATADA EM UM ESTUDO DE CASO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.