PERFIL DE MULHERES QUE MANTIVERAM A AMAMENTAÇÃO PROLONGADA/CONTINUADA: REVISÃO NARRATIVA

  • Milena Dal Rosso da Cruz
  • Rhayanna de Vargas Perez
  • Lisie Alende Prates
Rótulo Saúde, Mulher, Criança, Aleitamento, Materno, Nutrição, Lactente

Resumo

A Organização Mundial de Saúde recomenda que a criança seja alimentada exclusivamente pelo leite humano até os seis meses de vida. Após essa idade, orienta-se que o aleitamento materno seja complementado com a introdução alimentar e mantenha-se até dois anos ou mais, representando, assim, a amamentação prolongada/continuada (AMP). Nesse sentido, apesar de todos os benefícios, o tabu da amamentação continuada/prolongada acompanha a história da humanidade, ao longo das gerações. De maneira geral, há o desconhecimento da sociedade quanto às vantagens da permanência dessa prática após os dois anos de idade da criança. Além disso, sabe-se que amamentação é uma prática, que pode ser influenciada por aspectos fisiológicos (leite insuficiente, cansaço, fadiga), clínicos (mastite, ingurgitamento mamário), culturais (crenças e tradições familiares), sociais (pressões do ambiente e das pessoas, rede de apoio) e psicológicos. Logo, essas questões também podem implicar na continuidade da amamentação. A partir disso, reconhece-se a importância de conhecer as experiências de mulheres que vivenciam o AMP, identificando os seus saberes, motivações, dificuldades e/ou desafios frente à decisão de manter essa prática. Logo, este estudo tem como objetivo identificar o perfil das mulheres que mantiveram o AMP, de acordo com as evidências disponíveis na literatura científica nacional. Trata-se de revisão narrativa, desenvolvida em setembro de 2021, na Biblioteca Virtual em Saúde, utilizando a estratégia de busca amamentação prolongada or amamentação continuada or aleitamento materno prolongada or aleitamento materno continuada, no campo de busca resumo. Essa revisão configura-se como a primeira etapa do projeto de pesquisa intitulado Amamentação prolongada: saberes, motivações, dificuldades e/ou desafios de mulheres da Fronteira Oeste, o qual encontra-se em tramitação no Comitê de Ética em Pesquisa. Essa revisão antecede a etapa de coleta de dados do projeto de pesquisa e está sendo desenvolvida, com o intuito de permitir o aprofundamento teórico sobre o objeto de investigação. Diante da busca na base de dados, identificou-se 70 estudos. Destes, 11 foram excluídos pois não eram artigos, 10 não eram pesquisas, 21 não versavam sobre a temática, 12 não responderam a questão de pesquisa e 3 foram considerados apenas uma vez, pois estavam repetidos na base de dados. Desse modo, 11 estudos foram incluídos e sinalizam que as mulheres que amamentaram por tempo igual ou maior a 24 meses possuíam faixa etária entre 20 e 34 anos, eram casadas ou tinham união estável, apresentavam maior escolaridade, pertenciam à classe média inferior, exerciam atividade remunerada em casa, não fumavam e tinham histórico anterior de amamentação por período igual ou maior a 24 meses. Com relação a esta última variável, pesquisa sinaliza que ter experiência prévia de amamentação por um período igual ou superior a 24 meses aumenta em 7,32 vezes mais as chances de repetir a experiência de AMP. Ainda, a literatura indica que o uso de chupeta e mamadeira geram confusão de bicos, podendo levar ao desmame precoce. Outro fator associado ao AMP envolve a oferta de orientações dos profissionais de saúde durante o pré-natal. Constatou-se que, quando as mulheres são sensibilizadas sobre os benefícios do aleitamento materno para a saúde materno-infantil, elas se sentem apoiadas para manter essa prática por mais tempo. Ademais, outras causas que contribuem para a continuidade da amamentação, envolvem a presença e disponibilidade de uma rede de apoio, o bem-estar físico, mental e espiritual da mulher, o conhecimento quantos aos direitos da lactante nos diferentes âmbitos da sociedade e o fortalecimento do binômio a partir das sensações de alegria, realização e prazer da mulher ao desenvolver essa prática. Esses achados indicam um caminho a ser percorrido no desenvolvimento do projeto de pesquisa, demonstrando a necessidade de identificar o perfil das mulheres da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, que vivenciam o AMP, verificando semelhanças e diferenças entre elas e as participantes dos estudos dessa revisão. Ainda, percebe-se a necessidade de avançar na construção do conhecimento da temática, identificando os saberes, motivações, dificuldades e/ou desafios vivenciados por essas mulheres. A partir desses achados, será possível propor ações que possam auxiliar na promoção, proteção e apoio do AMP na região oeste. Agradecimentos: ao Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIBIC) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pela concessão de bolsa de pesquisa, vinculada ao projeto. Palavras-chave: Saúde da Mulher; Saúde da Criança; Aleitamento Materno; Nutrição do Lactente; Nutrição da Criança.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
DAL ROSSO DA CRUZ, M.; DE VARGAS PEREZ, R.; ALENDE PRATES, L. PERFIL DE MULHERES QUE MANTIVERAM A AMAMENTAÇÃO PROLONGADA/CONTINUADA: REVISÃO NARRATIVA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.