FATORES ASSOCIADOS AO NÍVEL DE FORMAÇÃO E A DISPONIBILIDADE DE EPI AOS TRABALHADORES DA SAÚDE FRENTE A COVID-19

  • Jarbas da Silva Ziani
  • Bruna Lixinski Zuge
  • Karlo Henrique dos Santos Herrera
  • Maria Eduarda Costa de Almeida
  • Carla de Oliveira Michelin
  • Jenifer Harter
Rótulo COVID-19, Equipamentos, Proteção, Individual, Pessoal, saúde

Resumo

A rápida disseminação da COVID-19 exigiu decisões e elaborações de respostas rápidas e estratégicas nos diferentes âmbitos gestores, que, apesar de iniciadas prontamente em solo brasileiro não foram capazes de conter a disseminação da doença. A pandemia vem promovendo grandes desafios, os quais acredita-se que o mundo está apenas parcialmente preparado. Dentre os diversos desafios, ressalta-se os enfrentados pelos trabalhadores da saúde, como o aumento expressivo na carga de trabalho, visto que eles, além de prestar cuidados e atendimentos específicos a pacientes infectados, passaram a lidar com a escassez de trabalhadores, suprimentos médicos e equipamentos de proteção individual (EPI), o qual é de extrema importância para que os atendimentos sejam realizados de forma segura frente a um momento de pandemia. Assim, esse estudo objetivou avaliar os fatores associados ao nível de formação profissional e a disponibilidade de EPI aos trabalhadores da saúde. Trata-se de um estudo de delineamento transversal quantitativo, com amostra selecionada por conveniência de trabalhadores da área da saúde de uma cidade gaúcha. Foi realizado de março a agosto de 2020, e acompanhou 750 trabalhadores da saúde do quadro ativo da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), os quais foram monitorados quanto à presença de sintomas de COVID-19. Se, na presença de sintomas procedeu-se o teste RT-PCR ou anticorpos IgG e IgM conforme recomendação. Para inclusão no estudo considerou-se, estar em atividade no período da pandemia da COVID-19 e, o critério de exclusão estabelecido foi, trabalhadores em internação hospitalar antes da data de agendamento prevista para testagem na SMS em decorrência da sintomatologia de COVID-19. Para análise das variáveis quantitativas considerou-se a idade em anos completos, tempo de formação e dias de trabalho, apresentadas em mediana, média e desvio-padrão (±). A amostra estratificou-se em dois grupos, sendo um grupo composto por trabalhadores de nível médio e o outro, de nível superior. As variáveis categóricas analisadas foram: sexo (masculino/feminino), recebeu orientação sobre o uso de EPI, qual o momento de maior risco para o trabalhador com relação a paramentação. Analisou-se o recebimento dos EPI (touca, óculos de proteção, luvas, face shield, avental descartável, máscara N95 ou PFF, máscara cirúrgica e máscara de pano). Ressalta-se, ainda, que o estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o parecer n° 30837420.0.0000.5323 e respeitou todos os preceitos éticos. Quanto aos resultados, observou-se que, dos 750 trabalhadores de saúde, 27% apresentaram sintomas gripais nos seis me analisados. Totalizando (206) 34% positivos para COVID-19, sendo 197 análises de RT-PCR e nove diagnosticados com teste rápido apresentando IgM. A média de idade foi 39 anos completos (DP±11). Quanto à jornada de trabalho, os dias ativos na semana foram de cinco dias (DP±1) em média e 7 horas diárias (DP±3). Do total, 75,72% dos participantes eram do sexo feminino, fato que reflete a maioria da realidade da classe trabalhadora, sendo exercida majoritariamente por mulheres. 69,41% eram trabalhadores de nível superior e 78,15% prestavam assistência direta aos pacientes. Do total, 28,6% manifestaram não ter recebido orientação sobre a utilização dos EPI, fato que torna-se de extrema relevância, visto que não saber utilizar os EPI de forma correta, torna esses profissionais ainda mais suscetíveis à contaminação. Ao analisar significância estatística no qui-quadro em relação aos níveis de formação com as variáveis de recebimento de luvas (p<0,001) e face shield (p<0,001), os trabalhadores de nível superior que receberam e a utilizaram corretamente não se contaminaram pela COVID-19, uma vez que o rosto e as mãos são a principal forma de disseminação da doença e, com a proteção adequada evita-se que o profissional toque o rosto, nariz e olhos. Ainda, quanto ao momento de maior risco de contaminação, grande parte dos trabalhadores de nível médio, referiram apenas risco ao atender casos suspeitos (p<0,001), ou seja, consideram-se expostos ao atender casos assintomáticos ou de sintomatologia leve de COVID-19. Por fim, pode-se evidenciar que os profissionais de nível superior demonstraram possuir maior conhecimento acerca da utilização dos EPI, o que pode estar relacionado com o tempo de formação e a forma de ensino, tendo o nível superior maior direcionamento e articulação teórica/prática. Ainda, observou-se que essa classe contaminou-se menos pela COVID-19 em comparação com os trabalhadores de nível técnico. O que demonstra a necessidade de capacitações, treinamentos e atualizações contínuas acerca da utilização correta dos EPI, uma vez que, se os profissionais de saúde não possuem conhecimento suficiente sobre aspectos relacionados à paramentação e a desparamentação, estão ainda mais suscetíveis a situações de risco e contaminações uma vez que esses profissionais não dispõem na totalidade

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2021-11-16
Como Citar
DA SILVA ZIANI, J.; LIXINSKI ZUGE, B.; HENRIQUE DOS SANTOS HERRERA, K.; EDUARDA COSTA DE ALMEIDA, M.; DE OLIVEIRA MICHELIN, C.; HARTER, J. FATORES ASSOCIADOS AO NÍVEL DE FORMAÇÃO E A DISPONIBILIDADE DE EPI AOS TRABALHADORES DA SAÚDE FRENTE A COVID-19. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.