GESTÃO DO CUIDADO AO PACIENTE CARDIOPATA SUBMETIDO A INTERVENÇÃO CORONÁRIA PERCUTÂNEA

  • Laura Cavalcante Bolacel
  • Jamille Louise Bortoni de Oliveira
  • Luiza Madruga Gonçalves
  • Letice Dalla Lana
Rótulo Enfermagem, Gestão, Serviço, Intervenção, Coronária, Percutânea

Resumo

A Intervenção Coronária Percutânea (ICP) caracteriza-se por ser um procedimento não cirúrgico, que visa remodelar a placa aterosclerótica e reduzir a estenose dos vasos. A ICP é realizada em um centro cirúrgico especializado em cardiologia, denominado hemodinâmica. Neste serviço, podem surgir não-conformidades que incluem a equipe profissional e recursos, aos quais podem repercutir na segurança e recuperação do paciente. A gestão de materiais na hemodinâmica é essencial porque possui um alto custo, bem como impacto direto nos índices de complicações ou insucesso no pré-trans-pós-operatório. A justificativa do presente estudo se dá pela necessidade de conhecer a gestão do serviço de hemodinâmica e as ações que levam ao sucesso dos procedimentos nela realizados. Deste modo, o objetivo é relatar a partir de um estudo de caso, a gestão do cuidado ao paciente cardiopata em um serviço de hemodinâmica. Estudo descritivo, do tipo relato de caso pertencente a um projeto de pesquisa intitulado Características Clínicas dos Pacientes Submetidos à Intervenção Coronariana Percutânea no Serviço de Hemodinâmica, CAAE nº 30498320.0.0000.5323. A pesquisa foi realizada no período de agosto e setembro de 2021, por meio da coleta de dados em prontuário físico e contato telefônico com o paciente. A primeira etapa da coleta de dados foi realizada em agosto, a partir da análise de prontuário físico de paciente submetido a ICP no serviço de hemodinâmica de um Hospital do Rio Grande do Sul. A segunda etapa metodológica foi realizada no mês de setembro mediante ligação telefônica e entrevista ao paciente. A análise dos dados deu-se de modo qualitativo, com o intuito de elencar aspectos inerentes à gestão do serviço. Paciente de sexo masculino, 69 anos, casado, ensino médio completo, cor parda e aposentado. Possui histórico de hipertensão arterial sistêmica (HAS), diabetes mellitus, tabagismo e dislipidemia. Foi submetido a uma angioplastia coronariana transluminal percutânea (ACTP) eletiva. Inicialmente a via de acesso escolhida foi a artéria radial, porém após complicações no trans-procedimento mudou-se para a artéria femoral. No trans-operatório, paciente apresentou bradicardia em decorrência da significativa extensão da estenose em coronária. A bradicardia foi controlada por meio da administração de uma ampola de atropina 0,25mg, que atua bloqueando os receptores muscarínicos da acetilcolina, neurotransmissor que leva à redução dos batimentos cardíacos. No início do procedimento almejava-se implantar dois stents, porém o procedimento foi concluído com o implante de apenas um stent farmacológico em artéria coronária direita com sucesso. Desta forma, o paciente foi encaminhado a outra instituição de referência, a qual possuía os materiais necessários para a realização de um procedimento com sucesso. Durante contato telefônico o paciente informou que executa alguma atividade física, pratica futebol duas vezes na semana, mas não possui hábitos alimentares adequadamente. Declarou que desde o procedimento apresentou cansaço e um quadro de anemia, e que já não é mais tabagista. Sobre suas medicações relata fazer uso de anti hipertensivos e metformina. A partir do relato de caso observou-se a gestão do cuidado ao paciente, pois mesmo sem materiais disponíveis para o sucesso na implantação dos stents, houve atitude dos profissionais em referendar para outros serviços de saúde. Nota-se que a gestão do cuidado incluiu a prestação da assistência pré-operatória a qual integra o levantamento de insumos e agendamento dos procedimentos. A gestão do cuidado no pós-operatório foi significativa ao identificar que paciente realizou o procedimento após o encaminhamento, e modificou alguns hábitos de vida, aos quais podem aumentar o tempo de sobrevida pós-ACTP. Para tal, afirma-se que a gestão do pós-operatório incluiu preceitos do cuidado humanizado e organização da rede de atendimento ao paciente cardiológico. Conclui-se que a gestão de serviços de saúde demanda organização dos recursos financeiros, humanos, sanitários e logísticos. Isso requer do gestor a capacidade de coordenar processos, atender e conhecer as necessidades da instituição, visando sempre a segurança e a qualidade do atendimento prestado aos pacientes.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
CAVALCANTE BOLACEL, L.; LOUISE BORTONI DE OLIVEIRA, J.; MADRUGA GONÇALVES, L.; DALLA LANA, L. GESTÃO DO CUIDADO AO PACIENTE CARDIOPATA SUBMETIDO A INTERVENÇÃO CORONÁRIA PERCUTÂNEA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.