CONHECIMENTOS DE MULHERES ACERCA DAS INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS

  • Thayná da Fonseca Aguirre
  • Leticia Barbosa Dias
  • Jarbas da Silva Ziani
  • Carolina Heleonora Pilger
  • Natália da Silva Gomes
  • Lisie Alende Prates
Rótulo Mulheres, Infecções, Sexualmente, Transmissíveis, Atenção, Primária, Saúde

Resumo

As Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) são agravos transmitidos por via sexual por pessoas contaminadas por bactérias, vírus ou microrganismos, quando não há proteção de barreira. Ainda podem ser transmitidas por via oral, vaginal ou anal. Dentre as principais, tem-se a herpes genital, sífilis, gonorreia, tricomoníase, infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), infecção pelo Papilomavírus Humano, hepatites virais B e C. No Brasil, em 2018, foram diagnosticados 43.941 novos casos de HIV e 37.161 casos de Aids, 8.051 casos de sífilis adquirida, 62.599 casos de sífilis em gestantes, 233.027 (36,8%) casos de hepatite B, 228.695 (36,1%) casos de hepatite C. Com relação às mulheres, estas apresentam características de maior vulnerabilidade às IST devido às questões sociais e de gênero, mas também em decorrência de atividade sexual precoce e baixa renda. Diante disso, reconhece-se a necessidade de conhecer os conhecimentos de mulheres acerca das ISTs. Foi desenvolvida pesquisa qualitativa, de campo e descritiva, no Centro de Referência para Saúde da Mulher de um município na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, entre os meses de novembro e dezembro de 2020. A pesquisa foi realizada com 11 mulheres, a partir de uma entrevista semiestruturada e das técnicas de criatividade e sensibilidade Corpo Saber e Almanaque. Os dados foram submetidos à análise de conteúdo temática. O projeto de pesquisa foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa, em 10 de novembro de 2020, registrado com o número de parecer 4.390.633 e CAAE 39479720.0.0000.5323. A faixa etária das participantes variou entre 21 a 43 anos. A maioria possuía o ensino fundamental completo e era solteira. As participantes indicaram os testes rápidos como forma de diagnóstico, além da sintomatologia, seja por meio de lesões ou úlceras. No que tange a sintomatologia, elas referiram que a presença das ISTs está ligada à presença de feridas, alterações em região genital e na pele, linfonodos palpáveis na região da virilha/vagina/pescoço, cistos uterinos/ovarianos, perda de peso e dor na bexiga. Quanto aos meios de transmissão para adquirir ISTs, foram citados as relações sexuais desprotegidas e o compartilhamento de objetos perfuro cortantes infectados, bem como a transmissão por via sanguínea. Entretanto, as mulheres sinalizaram alguns mitos mencionando o beijo, o compartilhamento de roupas, o contato de feridas e as relações homossexuais como vias de transmissão das ISTs. Elas também apresentaram conhecimentos incipientes sobre os tratamentos das ISTs, visto que nenhuma delas conseguiu citar com precisão sobre as terapêuticas disponíveis para cada infecção. Elas destacaram os antibióticos como estratégia eficaz no tratamento de todas as formas de ISTs e muitas acreditavam que o HIV tem cura. Por meio dessa pesquisa, foi possível evidenciar o conhecimento incipiente das mulheres sobre os meios de transmissão, formas de detecção, sintomatologia e tratamento das ISTs. Reforça-se que a ESF representa a primeira porta de entrada dos usuários no Sistema Único de Saúde, representando o espaço adequado para a detecção das ISTs. Com isso, acredita-se que ações de educação em saúde no âmbito da atenção primária em saúde precisam ser ofertadas para a população, seja nas consultas, nas atividades em grupo, nas salas de espera ou durante a realização dos testes rápidos, como foco na prevenção desses agravos, mas também no incentivo às relações sexuais protegidas e no próprio autocuidado.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
DA FONSECA AGUIRRE, T.; BARBOSA DIAS, L.; DA SILVA ZIANI, J.; HELEONORA PILGER, C.; DA SILVA GOMES, N.; ALENDE PRATES, L. CONHECIMENTOS DE MULHERES ACERCA DAS INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.