PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE BRASILEIROS ADULTOS COM ESTOMA INTESTINAL DE ELIMINAÇÃO: REVISÃO NARRATIVA

  • Jonatan Machado Druzian
  • Eduardo da Silva Gomes
  • Priscila Perfeito Paz
  • Nara Marilene Oliveira Girardon Perlini
  • Bruna Sodré Simon
  • Angélica Dalmolin
Rótulo Estomia, Perfil, Saúde, Estomaterapia, Enfermagem

Resumo

Estomas intestinais de eliminação são aberturas realizadas cirurgicamente no intestino delgado ou grosso com a finalidade de desviar o conteúdo colônico para o meio externo ao organismo. A Associação Brasileira de Ostomizados, identificou, no ano de 2020, que aproximadamente 300 mil pessoas conviviam com um estoma intestinal no Brasil. No entanto, existe uma lacuna na determinação do perfil epidemiológico desse contingente populacional no país, tendo em vista que não há um banco de dados sistematizado que contenha essas informações. Assim, este estudo objetivou identificar as evidências científicas relativas ao perfil epidemiológico de brasileiros adultos com estoma intestinal de eliminação. Para tanto, desenvolveu-se uma revisão de literatura narrativa, realizada em agosto de 2021, por meio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), nas bases de dados: MEDLINE, LILACS, BDENF e IBECS, utilizando-se a seguinte estratégia de busca: estomia OR estoma OR ostoma OR ostomia AND "perfil clínico" OR caracterização OR "perfil epidemiológico". Incluíram-se os artigos dos últimos cinco anos, em inglês, português ou espanhol, provenientes do Brasil; e excluíram-se as teses; dissertações; manuais; textos que abordassem crianças e adolescentes; estudos relativos a estomas respiratórios, urinários e intestinais de alimentação. A busca resultou em 427 estudos. Com a aplicação dos filtros: últimos cinco anos, idiomas e base de dados, obtiveram-se 178 estudos, para os quais procedeu-se a leitura dos títulos e resumos, considerando-se os critérios de inclusão e exclusão. Foram selecionados 18 documentos para a leitura na íntegra. Desses, 11 artigos compuseram o corpus do estudo, os sete restantes foram excluídos por não apresentarem compatibilidade com os critérios da pesquisa. As informações extraídas pela dupla análise independente foram organizadas em tabelas do software Excel for Windows. As produções científicas eram provenientes das regiões Nordeste (n=6), Sudeste (n=4) e Centro-Oeste (n=1). O ano com o maior número de publicações foi 2017 (n=4). Com relação ao tamanho amostral, os estudos selecionados apresentaram um quantitativo igual ou maior que 30. Os indivíduos do sexo masculino foram mais frequentes em seis dos 11 estudos. Observou-se a prevalência de idades superiores a 50 anos (n=11). O nível de escolaridade mais frequente foi o ensino fundamental incompleto em sete dos 10 estudos que analisaram essa variável. Dos estudos que traziam a renda (n=10), a maior prevalência contempla pessoas com até um salário-mínimo (n=4). Indivíduos pardos representaram a maioria das pessoas que confeccionaram estomas intestinais de eliminação em três das cinco publicações que abordaram a raça. Com relação ao estado conjugal, nove estudos exploraram essa categoria, sendo que em sete destes os participantes possuíam companheiro(a). Por conseguinte, os aspectos clínicos são cruciais para a composição do perfil epidemiológico dessas pessoas, como a causa que levou à confecção do estoma. Esta foi analisada em nove estudos, sendo a neoplasia a mais preponderante (n=7) e nos demais (n=2) foram a única causa de confecção investigada. O caráter temporal do estoma identificou-se em sete publicações, uma delas aborda somente estomas definitivos e outra apenas temporários, dos cinco que exploram ambos, o caráter definitivo se mostra mais frequente (n=3). Dentre os artigos que traziam o tipo de estomia (n=8), a colostomia apresentou maior tendência (n=7), o outro estudo analisou somente ileostomias. Diante das evidências científicas identificadas, conclui-se que o perfil epidemiológico de brasileiros adultos com estomas intestinais de eliminação é constituído por homens, pardos, com idades superiores a 50 anos, de baixa renda, com reduzido grau de instrução, que possuem companheira(o), e que foram submetidos a colostomia em função de uma neoplasia, com caráter definitivo. Dessa forma, esses resultados podem contribuir para a determinação do perfil epidemiológico desse contingente populacional, e consequentemente, subsidiar o desenvolvimento de políticas públicas em saúde mais direcionadas e efetivas.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
MACHADO DRUZIAN, J.; DA SILVA GOMES, E.; PERFEITO PAZ, P.; MARILENE OLIVEIRA GIRARDON PERLINI, N.; SODRÉ SIMON, B.; DALMOLIN, A. PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DE BRASILEIROS ADULTOS COM ESTOMA INTESTINAL DE ELIMINAÇÃO: REVISÃO NARRATIVA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.