TABAGISMO E SINAIS DE ALERTA EM SAÚDE MENTAL DA POPULAÇÃO DE BAGÉ NOS PRIMEIROS MESES DE PANDEMIA, 2020

  • Carla de Oliveira Michelin
  • Carla de Oliveira Michelin
  • Pedro Henrique Drehmer de Vargas
  • Thiago Réger Fontoura da Silva
  • Jarbas da Silva Ziani
  • Milena Dal Rosso da Cruz
  • Jenifer Harter
Rótulo Tabagismo, COVID-19, Pandemia, Saúde, Mental

Resumo

Desde o início de 2020, o coronavírus trouxe, além de uma nova doença (COVID-19), inúmeras mudanças e incertezas na vida de todos. Em meio a pandemia, com o distanciamento social e a transição drástica na rotina habitual, o medo do coronavírus se instalou na sociedade. Com isso, observou-se aumento dos casos de pessoas com depressão e ansiedade. O objetivo deste trabalho foi estimar os impactos observados do tabagismo e saúde mental após o início da pandemia de COVID-19 na população de Bagé no Rio Grande do Sul (RS). Refere-se a um inquérito epidemiológico de base populacional, com quatro momentos sequenciais. As coletas ocorreram entre maio e junho de 2020, com intervalos de 15 a 20 dias, cada uma com 400 domicílios na rodada, totalizando ao fim, 1.600 domicílios visitados. A população elegível para o estudo foram os residentes na zona urbana do município, não inclusos os indivíduos institucionalizados em asilos, hospitais e presídios. Os entrevistadores foram 30 trabalhadores de saúde das ESF do município, os quais dirigiram-se aos domicílios, conforme sorteio aleatório de setores censitários, realizaram teste rápido de anticorpos totais para a COVID-19 em um morador de cada residência selecionado de modo aleatório, bem como realizaram uma entrevista sobre características socioeconômicas e demográficas, a sintomatologia gripal, comportamento de busca por serviços de saúde, distanciamento social e saúde mental. A pesquisa obteve aprovação do Comitê de Ética sob parecer 30869820.0.3001.5317 e todos entrevistados e responsáveis assinaram Termo de Consentimento Livre Esclarecido ou Assentimento. Para a avaliação da saúde mental dos entrevistados foi utilizado uma versão adaptada do questionário Patient Health Questionnaire-9, que serve para identificar indivíduos em risco de depressão e já foi devidamente validado para a população brasileira. Para este estudo procedeu-se à análise de proporção bivariada do PHQ-9 ( questões em escala likert) com tabagismo (sim/não) e distanciamento social (escala likert). Responderam ao desfecho de interesse 1.560 entrevistados. De acordo com os resultados, dentre o total de entrevistados adultos 23,5% é tabagista e entre estes 31,3% aumentaram o consumo do cigarro. O público feminino foi mais prevalente (63,2%) quando comparado ao sexo masculino (36,8%) ao analisar o aumento no seu consumo de cigarros. Ligando os fatos com questões relacionadas à saúde mental dos indivíduos, 65,5% relatou que não estavam sentindo-se deprimidos ou sem perspectivas nos últimos dias. Assim como, não predominou perceberem-se mais lentos ou mais ansiosos que o normal (91,4%). Os entrevistados afirmaram que não observaram essa diferença nos seus dias, sendo assim desconsiderando tais fatores motivantes para o aumento do tabagismo. Entretanto, verificado o grau de distanciamento, 30% dos entrevistados afirmaram que estavam isolados de todo mundo no início da pandemia de COVID-19, quando os dados foram coletados. Desse modo, sendo um dos possíveis aspectos que colaborou para o aumento do tabagismo. Cabe ressaltar também, que muitos tabagistas podem ter ampliado seu consumo de modo despercebido, gerando tal reflexão com a aplicação do questionário, sem necessariamente atribuir uma causa específica de ordem mental para esse acréscimo de cigarros. Do mesmo modo, relatar sintomas depressivos ou ansiedade pode ser difícil, ainda mais quando o processo pode ser recente. Observa-se que os dados analisados não apresentaram repercussões associadas à saúde mental na amostra populacional no período referido, em especial em se tratando de ansiedade e depressão auto percebidos. Todavia, enfatiza-se que o distanciamento social, imposto pela pandemia de COVID-19, potencialmente contribui para o processo de adoecimento e sofrimento mental. Por fim, os achados revelam a dimensão das implicações do cenário pandêmico e do isolamento social sobre os aspectos da qualidade de vida, o que se denota a necessidade de garantir a provisão de serviços de atenção à saúde mental para toda à população.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2021-11-16
Como Citar
DE OLIVEIRA MICHELIN, C.; DE OLIVEIRA MICHELIN, C.; HENRIQUE DREHMER DE VARGAS, P.; RÉGER FONTOURA DA SILVA, T.; DA SILVA ZIANI, J.; DAL ROSSO DA CRUZ, M.; HARTER, J. TABAGISMO E SINAIS DE ALERTA EM SAÚDE MENTAL DA POPULAÇÃO DE BAGÉ NOS PRIMEIROS MESES DE PANDEMIA, 2020. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.