CARACTERIZAÇÃO DE USUÁRIOS E ACOMPANHANTES ASSISTIDOS POR UMA CASA DE APOIO A PESSOAS COM CÂNCER

  • Laísa Escobar Sitja
  • Meline Soares Cortes
  • Fabiula Aquino Vilaverde
  • Rodrigo De Souza Balk
Rótulo Paciente, oncológico, Cuidadores, Casas, Apoio

Resumo

O diagnóstico de câncer interfere em aspectos importantes da vida do indivíduo e dos que o cercam. Essa condição muitas vezes culmina na redução da qualidade de vida. Nessa perspectiva, entram em ação as casas de apoio a pessoas com câncer, que constroem uma rede de amparo ao indivíduo e seu acompanhante, os tornando parte de um grupo que busca o melhor em sua qualidade de vida. O objetivo do estudo é investigar o perfil epidemiológico de pacientes oncológicos e acompanhantes de uma casa de apoio no município de Uruguaiana-RS. Trata-se de uma pesquisa quantitativa, exploratória descritiva realizada no interior de uma casa de apoio a pessoas com câncer de uma cidade do município da fronteira oeste do Rio Grande do Sul. O estudo teve a participação de pacientes com diagnóstico de câncer que utilizam o ambiente da casa de apoio por mais de 1 mês, de ambos os sexos, maiores de 18 anos, com diagnóstico clínico de câncer e seus acompanhantes. Foram avaliados os dados sociodemográficos, com questionários de identificação dos usuários e acompanhantes. Os dados foram analisados estatisticamente através da média aritmética computadas por meio de uma planilha no Microsoft Excel 2016. Os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE), aceitando participar do estudo. As coletas dos dados ocorreram no mês de agosto de 2021, conforme os protocolos de distanciamento social do Ministério da Saúde contra a COVID-19. Em consonância com o Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Federal do Pampa, o presente estudo está cadastrado sob CAEE n° 45544621.1.0000.532. Os resultados apresentam a participação de 17 usuários e 13 acompanhantes, totalizando 30 participantes. Dos 17 usuários entrevistados 64,7% são do sexo feminino e 35,3% do sexo masculino. A faixa etária dos participantes varia de 30 a 79 anos, tendo como média de idade os 57 anos, evidenciando o crescente diagnóstico de câncer conforme o aumento da idade. No que se refere ao tipo de neoplasia, destacaram-se o câncer de mama (35,2%), estômago (17,6%), próstata (11,7%) e metástases (11,7%). Tais dados refletem os principais tipo de câncer que atingem a população brasileira. Em relação ao principal tipo de câncer e prevalência de mulheres na instituição, pode-se estar relacionado a cultura do sexo feminino recorrer aos serviços de saúde e diagnosticarem a doença mais frequentemente do que o sexo masculino. O tratamento atual correspondeu a radioterapia (58,8%), seguido de quimioterapia (47,1%) e outros (35,2%), o que retrata o cenário de estudo ser referência no tratamento radioterápico para mais de 10 cidades da fronteira oeste do Rio Grande do Sul. No que se refere a escolaridade, 47,1% apresentaram 1° grau incompleto, 11,8% possuíam o 1° grau completo e 29,4% o 2° grau completo. Quanto à renda familiar, 64,7% vivem com 1 salário mínimo, 29,4% com até 2 salários mínimos e 5,9% com até 3 salários mínimos. O baixo grau de escolaridade e renda refletem o intuito das casas de apoio de atenderem a população com poucos recursos financeiros. A situação conjugal apresentou que 35,3% eram casados ou possuíam companheiros, 35,3% eram solteiros, 29,4% separados ou viúvos. A respeito dos 13 acompanhantes entrevistados, 84,6% são do sexo feminino e 15,3% do sexo masculino. Possuem faixa etária de 21 a 69 anos, com média de idade de 45 anos. Quando questionados sobre o vínculo com os usuários, 46,1% são filhos (as), 23% são irmãos (as), 15,3% são esposos (as) e 15,3% são noras. A figura feminina ainda se encontra atrelada ao papel de realizar o cuidado, bem como a relação do grau de familiaridade estar principalmente atrelada a esposa (o), filhas (os) e irmãos. O nível de escolaridade apresenta 30,7% com 1° grau incompleto, 23% com 2° grau incompleto e 23% com 2° grau completo. Quanto à distribuição domiciliar, a maior parte dos entrevistados residem juntamente com o paciente (69,2%) e 30,7% não moram no mesmo domicílio. A maioria dos acompanhantes (84,6%) possuem emprego além de cuidador do usuário, como também realizam outras tarefas domésticas (69,2%), concomitante ao cuidado. Além disso, predomina-se o cuidado exclusivo em tempo integral (69,2%) ao usuário. Tais dados demonstram que o cuidado ao paciente oncológico também reflete na vida do cuidador, ao passo emerge nos aspectos físicos e psicológicos da doença e do cuidado, resultando em indicativos de sobrecarga do cuidador. À vista disso, conclui-se que a doença afeta tanto o paciente oncológico quanto o seu cuidador, e que as casas de apoio desempenham papel fundamental de suporte a esses indivíduos.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
ESCOBAR SITJA, L.; SOARES CORTES, M.; AQUINO VILAVERDE, F.; DE SOUZA BALK, R. CARACTERIZAÇÃO DE USUÁRIOS E ACOMPANHANTES ASSISTIDOS POR UMA CASA DE APOIO A PESSOAS COM CÂNCER. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.