CONCEPÇÕES DE RISCO E VULNERABILIDADE EM RELAÇÃO À COVID-19 ENTRE A POPULAÇÃO ADULTA

  • Guilherme Henrique Rodrigues Pinto
  • Laissa Santana de Jesus
  • Filipe Blum de Vasconcelos
  • Juliana Lopes De Macedo
Rótulo Covid-19, Risco, Vulnerabilidade

Resumo

A Covid-19 provocou milhares de mortes no mundo e impôs mudanças significativas para todas as esferas sociais. Medidas para refrear a epidemia foram adotadas, com intuito de diminuir o contágio, tais como as medidas de isolamento, distanciamento social, uso de máscaras, álcool em gel entre outras ações. Porém, o cumprimento das medidas de prevenção por parte dos indivíduos está relacionado às percepções que estes possuem sobre o risco em relação ao vírus e à doença. A literatura indica que risco significa perigo e é uma forma de se relacionar com o futuro, sendo portanto, uma construção sociocultural. Nesse sentido, o estudo busca compreender as percepções sobre risco em relação à Covid-19 e a forma como essas percepções repercutem nas medidas de proteção entre indivíduos. Para tanto, a pesquisa adota a metodologia qualitativa para produção dos dados. O estudo utilizou uma amostragem não probabilística baseada no critério de intencionalidade e na técnica de snowball que utiliza cadeias de referência. A produção de dados ocorreu através de entrevistas semi-estruturadas, realizadas de forma online através do uso do recurso de videochamadas. As entrevistas foram audiogravadas e transcritas para posterior sistematização do material e análise. Para a análise dos dados foi utilizada a técnica de análise de conteúdo, na qual foram elaboradas categorias temáticas e teóricas a fim de representar os dados obtidos. A pesquisa encontra-se em desenvolvimento, portanto, serão apresentados os achados preliminares do estudo, o que representa 14 entrevistas realizadas entre setembro de 2020 à maio de 2021. A maior parte dos entrevistados definiu o Coronavírus como uma doença fatal e contagiosa, alguns fizeram paralelo com a Dengue, pneumonia e gripe sobre a sua gravidade dependendo em que região residiam, como na região norte onde a dengue é mais prevalente foi feito essa comparação no sul foi mais ligado a gripe. Contudo, o reconhecimento da gravidade do vírus não está diretamente vinculado ao medo que o entrevistado possui em relação à doença. Nesse sentido, emergem duas categorias para explicar o sentimento de medo observado: solidariedade e incerteza. A categoria incerteza esteve presente entre 6 dos 14 entrevistados e refere-se ao fato de que não é possível prever como cada indivíduo irá reagir se contaminado com o vírus, especialmente em relação à necessidade de internação. Destaca-se que o medo para esses entrevistados está associado à possibilidade de internação hospitalar e não ao contágio com o vírus. Já a categoria solidariedade esteve presente entre 5 dos 14 entrevistados. Esses indivíduos não se percebem em risco para a doença pois consideram que possuem boas condições de saúde, entretanto, temem contaminar seus familiares. Destaca-se que entre esses entrevistados, todos residiam com familiares próximos (pais, avós, cônjuges) que possuíam doenças crônicas ou eram idosos. Dessa forma, a ideia de grupo de risco se torna central para compreender as concepções de medo em relação à Covid-19 para os entrevistados. É interessante notar que a proximidade com pessoas com diagnóstico de Covid-19 não interfere nas concepções de medo dos entrevistados, pois todos os entrevistados, exceto um, conheciam pessoas próximas que foram infectadas pelo vírus ou que morreram em decorrência da doença. Diante deste contexto, apenas três entrevistados mantinham as medidas protetivas que haviam adotado no início da Pandemia. Outro elemento importante para as percepções sobre medo é o tempo de duração da Pandemia. Existe uma percepção maior de risco para a Covid-19 entre os indivíduos que foram entrevistados em 2020 do que entre aqueles que foram entrevistados em 2021. Conclui-se que as percepções sobre Covid-19 interferem na adoção de medidas de proteção contra o vírus. Dessa maneira, como a maior parte dos entrevistados não se considera suscetível a desenvolver casos graves da doença, o medo é relativizado e a Covid-19 passa a ser uma preocupação do outro que possui características de vulnerabilidade. Essa noção está diretamente associada ao relaxamento dos cuidados para prevenir o contágio e o tempo de duração da pandemia, o que contribui para as percepções sobre risco. Desta forma, parece ser relevante que as orientações informadas pelas autoridades sobre as medidas de prevenção ao Coronavírus adotem uma postura de oposição à ideia de grupos de risco, tendo em vista que atualmente sabe-se que todos são suscetíveis ao contágio.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
HENRIQUE RODRIGUES PINTO, G.; SANTANA DE JESUS, L.; BLUM DE VASCONCELOS, F.; LOPES DE MACEDO, J. CONCEPÇÕES DE RISCO E VULNERABILIDADE EM RELAÇÃO À COVID-19 ENTRE A POPULAÇÃO ADULTA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.