VIOLÊNCIA CONTRA PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL DE URUGUAIANA/RS

  • Emily Zanferari
  • Vitória Hamdan Padilha
  • Lidiele Roque Bueno
  • Susane Graup
Rótulo Assédio, Violência, Docente, Educação, Infantil

Resumo

Ser docente é trabalhar diretamente com pessoas, seja com os alunos, os próprios colegas ou ainda, com os familiares. Essas interações interpessoais, cotidianas e recorrentes no ambiente de trabalho potencializam possíveis situações de assédio ou violência que possam vir a ocorrer. O assédio, derivado do verbo assediar, consiste no ato de insistência inconveniente, persistente e duradoura em relação a alguém, perseguindo, abordando ou cercando essa pessoa e pode ser evidenciado de diferentes formas, como o psicológico que persiste em uma violência emocional; o moral que tem como característica todo o comportamento indesejado, baseado em fator de discriminação; o assédio verbal que possui presente aspectos como xingamentos, insultos, provocações e ameaças; o sexual descrito como o ato de constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual; e o assédio virtual onde há algum tipo de assédio já citado por meio das comunicações tecnológicas. A violência pode ser caracterizada como um ato de crueldade com emprego de meios violentos, onde podemos destacar a agressão verbal e física. Todas as formas de agressão e assédio trazem consequências negativas para a saúde mental do profissional, podendo resultar no surgimento de patologias, bem como, refletem nas interações entre os professores e as crianças, principalmente na educação infantil, na qual o educar e o cuidar exigem um profissional habilidoso, dedicado e atento. Logo, estar exposto a essas condições de trabalho, onde a gestão escolar muitas vezes tem a sua parcela de contribuição para o desfecho destas situações, é um fator determinante e desencadeante de patologias físicas e principalmente mentais aos docentes expostos às mesmas, o que reflete na qualidade do trabalho do profissional adoecido. É um assunto com enorme importância, necessitando de maiores discussões na literatura, principalmente no que tange os profissionais que atuam na Educação Infantil. Diante dessas informações, este estudo teve por objetivo analisar as diferentes violências sofridas por docentes atuantes na rede municipal de Educação Infantil de uma cidade da fronteira oeste do Rio Grande do Sul. Trata-se de um estudo descritivo de abordagem quantitativa, que foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o nº 32908620.5.0000.5323, do qual participaram professores da Educação Infantil da rede municipal de ensino de Uruguaiana-RS. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, atuam 236 docentes neste nível de ensino e desta forma, todos foram convidados para participar do estudo por meio das redes sociais e e-mail institucional das escolas. A coleta de dados foi realizada mediante um questionário construído especificamente para o estudo, aplicado por meio do Google Forms, no qual continham questões relativas a aspectos sociodemográficos e aos tipos de violências e/ou assédio possivelmente sofridas por estes profissionais, o mesmo foi aplicado entre os meses de abril e maio de 2020. Responderam ao questionário 123 docentes, dos quais 106 eram regentes de sala, 13 de Educação Física e 4 de espanhol, sendo a maioria do sexo feminino (97,7%) na faixa etária de até 40 anos (54,4%) com carga horária de 20 horas semanais (52%). Os resultados mostraram que 61% relatou já ter sofrido assédio psicológico; 17,9% foi vítima de assédio verbal; 11,4% de assédio moral; 5,7% de assédio sexual e 3,3% foi vítima de assédio virtual, sendo que apenas 0,7% não sofreu nenhum tipo de assédio no ambiente de trabalho. Com relação aos dados sobre violência nos últimos 12 meses, 13,8% relataram já ter sofrido agressão verbal em sala de aula, 3,3% foram vítimas de agressão física e 4,9% de ambas as agressões. Embora 78,9% não tenham sofrido qualquer tipo de violência, estes resultados são preocupantes por se tratar de um alto índice de professores que passam por situações que podem levar ao adoecimento. Visto que toda forma de agressão e assédio gera danos negativos a saúde mental, que consequentemente, se manifesta na saúde física, pelo surgimento de patologias, também na saúde psicológica, com a presença de Distúrbios Psíquicos Menores e nas condições de trabalho, pois para um bom aprendizado, é necessário uma boa qualidade de saúde. Nesse sentido, devido ao número elevado de profissionais que foram vítimas de alguma forma de assédio e/ou agressão, é essencial ter maior atenção a essa temática, pelo papel importante que os docentes desempenham na sociedade e pela forma que essas situações interferem na qualidade do ensino, bem como, são necessárias a criação de políticas públicas que versem sobre a conscientização e o enfrentamento dessas situações, antes das mesmas ocorrerem.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
ZANFERARI, E.; HAMDAN PADILHA, V.; ROQUE BUENO, L.; GRAUP, S. VIOLÊNCIA CONTRA PROFESSORES DA EDUCAÇÃO INFANTIL DE URUGUAIANA/RS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.