SÍNDROME DA DOR CRÔNICA PÓS-MASTECTOMIA E FATORES PSICOLÓGICOS: AUTORRELATO DE MULHERES QUE REALIZARAM OU NÃO TRATAMENTO RADIOTERÁPICO

  • Sabrina Orlandi Barbieri
  • Camila Laís Menegazzi Giongo
  • Melissa Medeiros Braz
  • Hedioneia Maria Foletto Pivetta
Rótulo Neoplasias, mama, Dor, crônica, Mastectomia, Radioterapia

Resumo

O câncer (Ca) é uma doença causada por uma proliferação desordenada de células, capazes de invadir tecidos e órgãos e formar um tumor. O Ca de mama é o mais recorrente em mulheres em todo o mundo ficando atrás apenas do Ca de pele não melanocítico. O tratamento mais comum é a cirurgia associada ou não a terapias complementares como radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e terapia biológica (terapia alvo). Dentre as técnicas cirúrgicas, a mastectomia é a mais utilizada, e por ser um tratamento agressivo, está diretamente associada a inúmeras comorbidades, dentre elas a dor. A Síndrome da Dor Pós-Mastectomia (PMPS) atinge mais da metade das pacientes e possui como características sensações ardentes e dolorosas na parte anterior do tórax, axila e/ou metade superior do braço com início posterior à cirurgia e persistência por mais de 3 meses. Esta dor não aliviada, a longo prazo, pode gerar inúmeras repercussões na vida destas mulheres. Portanto, o presente trabalho tem por objetivo analisar as repercussões da PMPS nos fatores psicológicos das mulheres que realizaram ou não tratamento radioterápico. Trata-se de um estudo de caráter transversal e abordagem quantitativa. A amostra foi composta por 17 mulheres, as quais foram divididas em dois grupos: mulheres que fizeram mastectomia e radioterapia (GR=8) e mulheres que fizeram apenas a mastectomia (GNR=9). A coleta de dados foi realizada no período de julho de 2019 a novembro de 2020, no ambulatório de Fisioterapia do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM) e teve início a partir do consentimento das mulheres, sendo estas abordadas e informadas sobre a pesquisa, riscos e benefícios. Junto à abordagem foi realizada a apresentação e assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). O presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da instituição sob número 3.152.026. Em um primeiro momento, foi aplicada uma ficha de avaliação a fim de recolher dados sociodemográficos e de tratamento, bem como questões psicológicas autorrelatadas (ansiedade, depressão). Em seguida foi aplicada a Escala Visual Analógica (EVA), uma linha variando de 0 a 10, para graduar a intensidade da dor e por fim, o Mapa Corporal para que as mulheres localizassem a(s) região(ões) do corpo em que sentiam dor. Os dados foram analisados através de estatística descritiva. Foi observado que 94,11% das participantes apresentou PMPS com início após a cirurgia (76,47%), com frequência diária (58,82%), durando menos que uma hora (47,06%) e sem um período do dia predominante. Os movimentos mais citados pelas mulheres como causadores do aumento da dor foram alcançar (52,94%) e puxar (52,94%), seguido de empurrar (47,06%). Ademais, a intensidade da dor de acordo com a EVA foi de 2,94 (±3,29) para a região axilar, 2,65 (±2,98) para a lateral do tórax, 1,12 (±2,39) para a região interna do braço e 1,18 (±2,53) em outras regiões (como ombro e região entre as escápulas). Quando questionadas se a dor possuía fatores psicológicos envolvidos, 75% do GR e 88,89% do GNR autorrelataram que não. As participantes também não referiam se sentir ansiosas e/ou depressivas, não relataram insônia, depressão ou deixar de sair por conta da dor. Por fim, a dor, nos grupos investigados, não apresentou repercussões psicológicas segundo o relato das mulheres. Isso pode ter ocorrido pelo fato de a dor ser de baixa intensidade, por relutância ou receio de as mulheres expressarem impactos psicológicos em decorrência da dor.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
ORLANDI BARBIERI, S.; LAÍS MENEGAZZI GIONGO, C.; MEDEIROS BRAZ, M.; MARIA FOLETTO PIVETTA, H. SÍNDROME DA DOR CRÔNICA PÓS-MASTECTOMIA E FATORES PSICOLÓGICOS: AUTORRELATO DE MULHERES QUE REALIZARAM OU NÃO TRATAMENTO RADIOTERÁPICO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.