PREVALÊNCIA DE DOR MUSCULOESQUELÉTICA EM BAILARINAS JOVENS

  • Vitória Hamdan Padilha
  • Eduardo Timm Maciel
  • Simone Lara
  • Susane Graup
  • Lilian Pinto Teixeira
Rótulo Ballet, Membros, inferiores, Dor, musculoesquelética

Resumo

O Ballet clássico é descrito como a modalidade de dança com maior exigência técnica e a que apresenta o mais elevado índice de lesões entre as praticantes. A técnica utiliza os en dehors (conjunto de rotações dos membros inferiores), amplitudes articulares extremas, exercícios em isometria mantidos por longos períodos e movimentos repetitivos de alto impacto, incluindo saltos e giros, tornando sua biomecânica sugestiva de lesão. Nesse sentido, bailarinas podem apresentar distúrbios musculoesqueléticos ao longo de sua trajetória na dança, ocasionados por modificações biomecânicas e pelas características de exacerbada demanda física, afetando diretamente a manutenção adequada de estruturas corporais. E consequentemente, resultando em perda funcional e incapacidade no longo prazo, abreviando a carreira e a prática na modalidade artística. Portanto, devido às suas fortes influências no desempenho das demandas funcionais e esportivas, este estudo teve por objetivo avaliar a prevalência de dor musculoesquelética em bailarinas jovens. Trata-se de um estudo quantitativo descritivo de corte transversal, que incluiu uma amostra por conveniência, composta por bailarinas praticantes de ballet clássico de um estúdio de dança do município de Uruguaiana-RS, no ano de 2021. As avaliações foram realizadas por pesquisadores previamente treinados, no período de junho deste mesmo ano, seguindo todas as medidas sanitárias de prevenção e controle contra COVID-19, recomendados pelo Ministério da Saúde. Aplicou-se o Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares (QNSO), validado para o Brasil, a fim de investigar a incidência de distúrbios musculoesqueléticos entre as praticantes. Este instrumento é composto de questões que se referem à ocorrência de sintomas compreendendo todas as áreas anatômicas, considerando os doze meses que antecederam a coleta. Este estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob parecer nº 4.587.592 e, para efetivá-lo, foram seguidas as observâncias éticas estabelecidas na Resolução nº 466/2012 do CNS. Foram avaliadas 14 bailarinas não profissionais (13,5±1,55 anos), com mais de 3 anos de prática na modalidade. Foi possível verificar que a maioria das bailarinas relatou dor na região do joelho (57,1%), seguida da região lombar, quadril e tornozelo (todas com 42,9%). Estes resultados ratificam investigações anteriores e podem estar condicionados ao uso excessivo de membros inferiores durante as aulas, em movimentos repetitivos salto e aterrissagem, indicando relação nexo-causal entre esses fatores e a alta incidência de sintomas musculoesqueléticos de bailarinas. Além disso, a faixa etária estudada se encontra entre o pico de crescimento e a maturação esquelética, o que predispõe desalinhamentos biomecânicos, dos quais destaca-se o valgo dinâmico, gerando estratégias preditivas de lesões durante a execução dos movimentos exigidos na dança. Por fim, a técnica favorece um desequilíbrio de forças entre a musculatura anterior e posterior de tronco, por uma contração agonista exacerbada da região lombar em desvantagem ao grupo antagonista abdominal, resultando em instabilidade da coluna vertebral. Conclui-se que há uma prevalência considerável de dor musculoesquelética em membros inferiores e coluna lombar de bailarinas jovens, o que corrobora pesquisas na literatura. Nesse sentido, sugere-se intervenções preventivas buscando reduzir os índices de dor musculoesquelética em extremidades inferiores em bailarinas, bem como melhorar a performance e a qualidade na prática da dança.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
HAMDAN PADILHA, V.; TIMM MACIEL, E.; LARA, S.; GRAUP, S.; PINTO TEIXEIRA, L. PREVALÊNCIA DE DOR MUSCULOESQUELÉTICA EM BAILARINAS JOVENS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.