FATORES ASSOCIADOS À SATISFAÇÃO SEXUAL DE MULHERES BRASILEIRAS SEXUALMENTE ATIVAS

  • Giulia Brondani Greff
  • Jaíne Dalmolin
  • Guilherme Tavares de Arruda
  • Erisvan Vieira da Silva
  • Melissa Medeiros Braz
  • Hedioneia Maria Foletto Pivetta
Rótulo Mulheres, Função, sexual, Satisfação, Sexual

Resumo

Embora a sexualidade feminina seja um tema amplamente estudado e discutido, os estudos sobre ele ainda demonstram o tabu que o cerca. Um estudo brasileiro publicado em 2020 afirma que o controle social impera sobre a sexualidade das mulheres. Tudo isso repercute na satisfação sexual, que é um dos indicadores da saúde sexual, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Porém, sabe-se pouco sobre quais fatores estão associados com a satisfação sexual feminina brasileira. Dessa forma, o objetivo deste estudo foi analisar os fatores (sociodemográficos, comportamentais e obstétricos) associados à satisfação sexual de mulheres brasileiras sexualmente ativas. Trata-se de estudo transversal realizado online, através de um link do Google Formulários, entre abril e junho de 2021 com mulheres adultas sexualmente ativas nas últimas 4 semanas. A pesquisa foi aprovada sob o número do parecer 4.027.422. Foram incluídas mulheres brasileiras, maiores de 18 anos de idade e capazes de ler e escrever em português brasileiro. Foram excluídas as mulheres transsexuais e com autorrelato de esquizofrenia e retardo mental. Para a divisão dos grupos de mulheres satisfeitas sexualmente (GSS) e insatisfeitas sexualmente (GIS), foi utilizado o ponto de corte de 5 pontos para o domínio satisfação sexual do Female Sexual Function Index (FSFI), conforme Jamili et al. (2016). Este domínio é composto por 3 itens que avaliam a satisfação sexual nas últimas 4 semanas, no qual pontuações mais altas indicam melhor satisfação sexual. Para a caracterização das participantes, foi utilizado um questionário com perguntas sociodemográficas (idade, peso e altura para cálculo do índice de massa corporal IMC e estado de relacionamento), comportamentais (uso de cigarro e bebida alcoólica, prática de atividade física e frequência de atividade sexual) e obstétrica (paridade). A comparação entre os grupos foi realizada pelo teste U de Mann-Whitney e Qui-Quadrado. As variáveis com diferença significativas nestes testes foram incluídas no modelo de regressão logística binária com análise ajustada para os fatores associados à satisfação sexual e controle de fatores confundidores. Para todos os testes, utilizou-se p<0,05. Participaram do estudo 444 mulheres, sendo que 310 (69,82%) eram sexualmente ativas nas últimas 4 semanas. Destas, 180 (58,06%) mulheres eram GSS e 130 (41,94%) eram GIS. A média da idade, IMC e satisfação sexual foi, respectivamente, 30,28±9,97 anos, 24,55±4,55 kg/m² e 5,73±0,31 pontos para o GSS, e 29,56±9,13 anos, 24,41±4,85 kg/m² e 3,81±1,00 pontos para o GIS. Nenhuma dessas variáveis apresentou diferença significativa entre os grupos (p≥0,05). Em ambos os grupos, houve prevalência de mulheres com companheiro(a) (GSS: 92,22%; GIS: 83,08%), não tabagista (GSS: 93,89%; GIS: 90,77%), etilistas (GSS: 69,44%; GIS: 80%), nuligestas (GSS: 68,89%; GIS: 72,31%), praticantes de atividade física (GSS: 75,55%; GIS: 73,08%) e tinham atividade sexual mais de uma vez por semana (GSS: 87,22%; GIS: 65,38%). Nessas comparações, somente o estado de relacionamento (p=0,019), etilismo (p=0,049) e a frequência de atividade sexual (p<0,001) apresentaram diferença significativa entre os grupos. Através da análise de regressão logística ajustada, as mulheres não etilistas e as que tem atividade sexual mais de uma vez por semana possuem, respectivamente, 1,95 vezes (OR=1,95; IC95% 1,11-3,41) e 3,82 vezes (OR=3,82; IC95% 2,14-6,81) mais chances de estarem satisfeitas sexualmente, comparadas às mulheres etilistas e que possuem atividade sexual menos de uma vez por semana. O estado de relacionamento não foi considerado fator associado à satisfação sexual (OR=1,58; IC95% 0,74-3,40). O não consumo de bebida alcoólica e a frequência de atividade sexual são fatores associados à satisfação sexual entre as mulheres brasileiras. Portanto, esse estudo contribui para ressaltar que a atividade sexual, independente do estado de relacionamento, seja vista como parte da qualidade de vida feminina assim como, os hábitos de vida saudáveis. A difusão de conhecimento sobre os aspectos relacionados à saúde sexual deve ser feita por parte dos profissionais da saúde, respeitando a singularidade de cada mulher, para que possam exercer papel determinante na sua sexualidade.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
BRONDANI GREFF, G.; DALMOLIN, J.; TAVARES DE ARRUDA, G.; VIEIRA DA SILVA, E.; MEDEIROS BRAZ, M.; MARIA FOLETTO PIVETTA, H. FATORES ASSOCIADOS À SATISFAÇÃO SEXUAL DE MULHERES BRASILEIRAS SEXUALMENTE ATIVAS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.