PREVALÊNCIA DE DISTÚRBIOS MUSCULOESQUELÉTICOS EM CAMINHONEIROS DO PORTO SECO RODOVIÁRIO DE URUGUAIANA/RS

  • Eduardo Timm Maciel
  • Vitoria Hamdan Padilha
  • Alexandre Crespo Coelho da Silva Pinto
  • Susane Graup
Rótulo distúrbios, musculoesqueléticos, caminhoneiros

Resumo

Entende-se por distúrbios musculoesqueléticos (DME) as patologias que acometem trabalhadores dos mais diversos grupos ocupacionais, possuidoras de etiologia multifatorial e determinadas por alterações de ordem socioeconômicas e individuais. Estas injúrias podem causar inflamação e degeneração, afetando principalmente estruturas como músculos, nervos, tendões, articulações e cartilagens, acarretando dor e limitação funcional. Neste contexto, os caminhoneiros apresentam elevados riscos de desenvolverem estes distúrbios, por se submeterem, diariamente, a jornadas de trabalho excessivas, ficarem expostos a ruídos, vibrações, temperaturas elevadas, posturas forçadas e movimentos repetitivos. Assim, pode-se dizer que a origem das doenças profissionais e dos acidentes de trabalho está frequentemente vinculada a várias causas relacionadas a fatores organizacionais, físicos e humanos, sendo que muitas das alterações de saúde pelas quais os indivíduos passam estão associadas à forma como reagem aos eventos do trabalho, e o mesmo acontece com os caminhoneiros. Isto posto, o presente estudo se propõe a analisar a prevalência de DME em caminhoneiros brasileiros de transportes internacionais. Trata-se de um estudo descritivo diagnóstico de corte transversal, no qual foram avaliados caminhoneiros brasileiros circulantes do Porto Seco Rodoviário do Município de Uruguaiana-RS, segundo maior da América Latina, estando no centro da principal rota do comércio exterior entre Brasil, Argentina e Chile. Para a coleta dos dados, foram utilizados três dias distintos do mês de janeiro de 2021, com abordagens individualizadas e desempenhadas por pesquisadores previamente treinados. Ressalta-se, ainda, que todas as orientações para condução de pesquisas e atividades durante a pandemia provocada pelo Coronavírus SARS-COV-2 provenientes do Comitê de Ética em Pesquisa da instituição dos pesquisadores foram respeitadas. Visando avaliar a incidência de DME foi utilizado o Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares (QNSO), validado para o Brasil. O QNSO foi desenvolvido com a proposta de padronizar a mensuração de relatos de sintomatologias osteomusculares e, assim, facilitar a comparação dos resultados entre os estudos. Há três formas do QNSO: uma forma geral, compreendendo todas as áreas anatômicas, e outras duas específicas para a região lombar e de pescoço/ombros. A forma geral do QNSO é a que recebe apresentação neste estudo. Fizeram parte do estudo 70 caminhoneiros com média de idade de 47,23 anos, carga horária média de trabalho diário de 11,9 horas/dia, e tempo de experiência profissional de 17,9 anos. Considerando a área corporal de manifestação de DME nos 7 dias precedentes à avaliação, verificou-se que 47,1% do quantitativo total de sujeitos referiu desconforto em, ao menos, um segmento corporal. Outrossim, a região lombar foi apontada como a mais acometida, sendo que 22,8% dos caminhoneiros relataram sintomatologia neste local. Subsequentemente, aparece a região do pescoço com 12,8% de prevalência, seguida dos joelhos com 11,4% e, por fim, os ombros com 10%. De acordo com os dados exposto, denotam-se consideráveis prevalências de DME, sendo a região lombar a mais sobressalente. Esses achados podem estar relacionados às peculiaridades do trabalho de caminhoneiro, que implica em fatores organizacionais, físicos, psíquicos e humanos únicos, favorecendo o desleixo com a saúde através da adoção de estilos de vida e relações com o trabalho nocivas. Diante disso, recomenda-se a elaboração de intervenções direcionadas a este nicho profissional, respeitando suas rotinas laborais singulares. Para tanto, sugere-se que as abordagens sejam realizadas de formas regulares e com enfoque para propostas de promoção e prevenção da saúde, além de diagnóstico precoce de problemas já instaurados.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
TIMM MACIEL, E.; HAMDAN PADILHA, V.; CRESPO COELHO DA SILVA PINTO, A.; GRAUP, S. PREVALÊNCIA DE DISTÚRBIOS MUSCULOESQUELÉTICOS EM CAMINHONEIROS DO PORTO SECO RODOVIÁRIO DE URUGUAIANA/RS. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.