ASSOCIAÇÃO ENTRE DISFUNÇÕES DO ASSOALHO PÉLVICO E PROGNÓSTICO DA LOMBALGIA INESPECÍFICA CRÔNICA EM MULHERES

  • Leonara Alves da Cruz Arnold
  • Izabela Rodrigues Camilo
  • Amanda Lena Mendrano
  • Gabriele Vieceli Salvetti
  • Núbia Carelli Pereira de Avelar
  • Janeisa Franck Virtuoso
Rótulo Dor, Lombar, Prognóstico, Distúrbios, Assoalho, Pélvico

Resumo

A lombalgia inespecífica crônica é definida como dor, tensão ou rigidez muscular localizada entre a margem costal e as dobras glúteas, com período de dor superior a 12 semanas, sem causa patológica ou anatômica determinada e sem indicativos de comprometimento nervoso. A lombalgia pode modificar estratégias de controle motor e de estabilidade lombo-pélvica, atuando sobre as estruturas de suporte postural, como os músculos estabilizadores profundos, compostos pelos músculos transverso abdominal, diafragma, multifídeo e músculos do assoalho pélvico (MAP). Desta forma, sabe-se que os MAP desempenham um papel importante na estabilidade lombopélvica postural e possuem função de manter o suporte dos órgãos pélvicos. Quando as funções dos MAPs não são executadas corretamente, pode-se observar a ocorrências das disfunções do assoalho pélvico (DAP), como a incontinência urinária (IU), incontinência anal (IA), prolapso de órgão pélvico (POP), disfunção sexual feminina (DSF) e constipação intestinal. Portanto, é importante compreender aspectos relacionados a lombalgia e disfunções do assoalho pélvico em mulheres, tendo em vista a relação das estruturas envolvidas nessas duas condições, podendo, desta forma, contribuir com a literatura, principalmente diante da escassez de estudos nacionais com essa temática, bem como contribuir com a prática clínica ao esclarecer uma possível associação entre duas condições frequentes em mulheres. Desta forma, o objetivo deste estudo foi verificar a relação entre as DAPs e o mau prognóstico relacionado a lombalgia inespecífica crônica em mulheres. Para tanto, foi realizado um estudo de caráter transversal com 160 mulheres residentes do sul do Brasil. O estudo foi conduzido de forma digital por meio de um formulário online, divulgado através de mídias sociais, como Instagram, WhatsApp e Facebook, no período entre outubro de 2020 e junho de 2021. Foram incluídas mulheres com idade superior a 25 anos, que apresentavam sintomas autorrelatados de lombalgia inespecífica crônica e que residissem nos estados da região sul do Brasil. Foram excluídas gestantes, mulheres com sintomas de infecção urinária, diagnóstico de doença articular do quadril ou endometriose, histórico de cirurgia lombar, lombalgia aguda ou subaguda (sintomas presentes há menos de 3 meses) e lombalgia específica (doenças específicas da coluna lombar, histórico de fratura ou trauma grave ou dor irradiada para membros inferiores), avaliado por autorrelato. Para avaliar o desconforto de sintomas relacionados ao assoalho pélvico foi utilizado o questionário Pelvic Floor Distress Inventory (PFDI-20), que avalia a sintomatologia relacionada ao assoalho pélvico, trato urinário, trato intestinal e o nível de desconforto que esses sintomas causam, sendo que a escala geral equivale uma pontuação total de 0 a 300 e quanto maior a pontuação, maior é o desconforto. Para avaliação do risco de desenvolver mau prognóstico relacionado a lombalgia foi utilizado o questionário STarT Back Screening Tool (SBST), utilizado para avaliação do prognóstico em desfechos em saúde, representado por um questionário autoaplicável, composto por nove itens, sendo os itens de 1 a 4 relacionados à dor, disfunção e comorbidade, e os itens de 5 a 9 compondo a subescala psicossocial, assim, quanto maior a pontuação, mais alto o risco de desenvolver um mau prognóstico relacionado a lombalgia. Foi testada a normalidade dos dados por meio do teste de Kolmogorov-Smirnov. Para avaliar a relação entre as variáveis, foi utilizado o teste de correlação de Spearman. 160 mulheres com média de idade de 32,30 anos (±7,96), A amostra foi composta por mulheres residentes no Paraná (n= 80; 50,0%), Santa Catarina (n=50; 31,03%) e Rio Grande do Sul (n= 29; 18,1%). A maioria era solteira (n= 80; 50,0%), branca (n= 97; 60,6%) e possuía 8 ou mais anos de estudo (n= 147; 91,9%). O teste de correlação de Spearman evidenciou correlação positiva e fraca entre a pontuação dos questionários PFDI-20 e SBST (p=0,02; coeficiente de correlação = 0,184; coeficiente de determinação=3,3%). A partir dos resultados, pode-se concluir que existe correlação positiva e fraca entre as DAPs e o risco de desenvolver mau prognóstico relacionado a lombalgia, ou seja, quanto, maior o desconforto dos sintomas relacionados ao assoalho pélvico, pior o prognóstico da lombalgia, uma vez que 3,3% da variação no prognóstico da lombalgia pode ser explicada pelas DAPs. Esses resultados demonstram que mulheres em tratamento de lombalgia devem ser abordadas quanto a presença de sintomas relacionados aos músculos do assoalho pélvico, a fim de se otimizar os resultados do tratamento por meio de um olhar global da paciente.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
ALVES DA CRUZ ARNOLD, L.; RODRIGUES CAMILO, I.; LENA MENDRANO, A.; VIECELI SALVETTI, G.; CARELLI PEREIRA DE AVELAR, N.; FRANCK VIRTUOSO, J. ASSOCIAÇÃO ENTRE DISFUNÇÕES DO ASSOALHO PÉLVICO E PROGNÓSTICO DA LOMBALGIA INESPECÍFICA CRÔNICA EM MULHERES. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.