RELAÇÃO ENTRE APRECIAÇÃO CORPORAL E FUNÇÃO SEXUAL DE MULHERES BRASILEIRAS SEXUALMENTE ATIVAS: ESTUDO TRANSVERSAL

  • Erisvan Vieira da Silva
  • Melissa Medeiros Braz
  • Guilherme Tavares de Arruda
Rótulo Imagem, corporal, Saúde, Mulheres

Resumo

A imagem corporal, importante componente da qualidade de vida, envolve crenças, sentimentos e comportamentos relacionados à percepção da aparência física do indivíduo. A insatisfação com a imagem corporal pode afetar a qualidade de vida e gerar casos de ansiedade, maus hábitos alimentares, excesso de atividade física e aumento na busca por procedimentos estéticos. Em mulheres, a insatisfação corporal foi associada a pior qualidade de vida relacionada à saúde física e mental e pior funcionamento psicossocial. Além disso, uma percepção corporal negativa pode reduzir o orgasmo, o desejo, a excitação e a satisfação sexual. Assim, se torna importante entender a relação que se forma entre a percepção de apreciação corporal e a saúde sexual feminina, em particular a função sexual. Objetivo: Verificar a relação entre apreciação corporal e função sexual de mulheres brasileiras sexualmente ativas. Metodologia: Trata-se de um estudo observacional e transversal realizado de forma online através de um link do Google Formulários disponibilizado no período de abril a junho de 2021. A pesquisa foi aprovada sob o número do parecer 4.027.422. Foram incluídas mulheres sexualmente ativas nas últimas 4 semanas, com idade acima de 18 anos, e que soubessem ler e escrever em português brasileiro. Mulheres transexuais e que relataram possuir esquizofrenia foram excluídas. Para avaliação da apreciação corporal, utilizou-se o Body Appreciation Scale (BAS-2), no qual pontuações mais altas identificam maior apreciação corporal. O Female Sexual Function Index (FSFI) foi utilizado para avaliar a função sexual em 6 domínios: desejo, excitação, lubrificação, orgasmo, satisfação e dor. Pontuações mais altas do FSFI indicam melhor função sexual no domínio avaliado. Os dados foram analisados por meio da Correlação de Spearman. A classificação quanto à força da correlação seguiu os critérios de Malina (1996): rho<0,30 como baixa correlação; 0,30≤rho≤0,60 como moderada correlação; e rho>0,60 como alta correlação. Os dados foram analisados no SPSS 22.0 e foi adotado p<0,05. Resultados: Participaram do estudo 310 mulheres sexualmente ativas (29,98 ± 9,62 anos de idade). A média do IMC e da pontuação da apreciação corporal foram, respectivamente, 24,49 ± 4,67 kg/m² e 3,85 ± 0,77 pontos. Os domínios da função sexual tiveram as seguintes pontuações médias: desejo sexual (3,78 ± 1,15), excitação (4,81 ± 1,01), orgasmo, (4,57 ± 1,43), lubrificação (5,19 ± 1,01), satisfação sexual (4,91 ± 1,17) e dor (5,31 ± 1,02). Foi observada correlação significativa, positiva e fracas entre a apreciação corporal e todos os domínios da função sexual: desejo (rho=0,218; p<0,001), excitação (rho=0,213; p<0,001), lubrificação (rho=0,152; p=0,007), orgasmo (rho=0,204; p<0,001), satisfação (rho=0,247; p<0,001) e dor (rho=0,152; p<0,001). Conclusão: Nesse estudo, foi observado que a apreciação corporal das mulheres aumenta com o aumento da função sexual em todos os domínios. Deste modo, sugere-se a realização de estudos que investiguem de forma mais aprofundada a apreciação corporal e investigue também a função sexual, com vistas a promover melhorias nestes constructos e fornecer cuidado integral ao paciente.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2021-11-16
Como Citar
VIEIRA DA SILVA, E.; MEDEIROS BRAZ, M.; TAVARES DE ARRUDA, G. RELAÇÃO ENTRE APRECIAÇÃO CORPORAL E FUNÇÃO SEXUAL DE MULHERES BRASILEIRAS SEXUALMENTE ATIVAS: ESTUDO TRANSVERSAL. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.