EFEITO DO SUOR DECORRENTE DO EXERCÍCIO SOBRE O REGISTRO DA TEMPERATURA DA PELE MEDIDA COM TERMOGRAFIA E SENSORES DE CONTATO

  • Eduarda Santos Tulius
  • Marina Gil Calvo
  • Irene Jimenez Perez
  • Jose Ignacio Priego Quesada
  • Alvaro Sosa Machado
  • Felipe Carpes
Rótulo Temperatura, Sudorese, Exercício, Físico, Termorregulação

Resumo

O monitoramento da temperatura corporal permite investigar as respostas fisiológicas após o exercício físico. Essas medidas podem ser feitas com termografia infravermelha e com sensores de contato. Ambas são medidas não invasivas, mas apenas os sensores de contato permitem uma aferição contínua da temperatura durante o exercício. Nesse caso, a medida pode sofrer influência da sudorese. No entanto, pouco se sabe sobre o impacto do acúmulo da sudorese promovida pela fixação do sensor nos resultados da medida de temperatura. O objetivo deste estudo foi comparar a temperatura aferida por sensores térmicos de contato com os valores apresentados por medidas de termografia infravermelha (IRT) nas situações pré e pós exercício físico induzindo sudorese. Foram avaliados nove corredores recreacionais: idade 26 ± 10 anos, massa corporal 71,8 ± 13,6 kg, estatura 1,80 ± 0,10 m e volume de treinamento de corrida 30,8 ± 28,9 km/semana. O estudo foi aprovado pelo comitê de ética (registro nº 1252705). Foram investigados dados de temperatura por meio de IRT (FLIR E60bx, FLIR, Wilsonville, EUA; resolução de 320 × 240 pixels; incerteza de medição de ± 2 °C ou 2% e diferença equivalente de ruído < 0,05 °C) e de temperatura e umidade relativa por quatro sensores de contato (IButton DS1923 Hygrochron, Maxim Produtos Integrados, Califórnia, EUA; exatidão > ± 0,5 °C; sensibilidade 0,06 °C; diâmetro: 16 mm) fixados na pele com fita clínica de poliacrilato Hypafix️ (BSN Medical GmbH, Hamburgo, Alemanha) de 5x5 cm. As medidas foram realizadas 5 min antes e 5 min depois de uma corrida em esteira ergométrica em intensidade moderada por 32 min com intensidade de 12 pontos na escala de Borg (escala de 6 a 20). Os sensores térmicos foram divididos em dois fixos, cuja utilização permaneceu durante a corrida, e dois não-fixos, utilizados antes e depois da corrida com objetivo de não serem saturados de água pelo suor. Em cada perna, um sensor de um par era posicionado na região mais proximal da coxa e um sensor do par oposto era posicionado logo acima da patela, sendo essa configuração invertida na perna contralateral e randomizada para cada participante. A temperatura média registrada pelos sensores de contatos e pela IRT da região anterior da coxa foi utilizada para as análises. A normalidade dos dados foi confirmada com teste de Shapiro-Wilk. Os dados dos sensores fixos, não fixos e IRT foram apresentados em média e desvio-padrão, sendo comparados com ANOVA de uma via e post-hoc de Bonferroni, com nível de significância de 0,05. Para a temperatura média, no pré-exercício a IRT e os sensores fixos apresentaram valores maiores que os sensores não fixos (IRT 31,8 ±1,4ºC vs. Fixos 31,3 ±1,7ºC vs. Não fixos 28,3 ±3,3ºC; p<0,05). No pós-exercício, os sensores fixos apresentaram temperatura maior que a IRT (IRT 33,2 ±1,4ºC vs. Fixos 33,9 ±1,3ºC; p<0,05), enquanto os sensores não fixos apresentaram valores inferiores que a IRT (Não fixos 31,8 ±1,8ºC; p<0,001) e que os sensores fixos (p<0,001). Não houve diferença na umidade relativa entre os sensores fixos e não fixos no pré-exercício (p>0,05), mas após o exercício os sensores fixos demonstraram maior umidade relativa (Fixos 101,2 ±2,1% vs. Não fixos 83,2 ±16,2%; p<0,05). Esses resultados indicam que a randomização e configuração dos sensores térmicos de contato foi adequada. A umidade relativa média do sensor fixo (101%) sugere uma saturação de suor causada pelo método de fixação. O sensor térmico apresentou temperatura da pele mais alta após a corrida do que a IRT, e esse resultado pode ser esclarecido pela redução convectiva e evaporativa da perda de calor do sensor térmico de contato e seu método de fixação. Os sensores não-fixos subestimaram a temperatura, demonstrando que sua utilização por 5 minutos não seria suficiente para obter o valor da temperatura média. Concluímos que o acúmulo de suor sob sensores térmicos fixados na pele superestima a medição a temperatura da pele após um exercício físico.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2021-11-16
Como Citar
SANTOS TULIUS, E.; GIL CALVO, M.; JIMENEZ PEREZ, I.; IGNACIO PRIEGO QUESADA, J.; SOSA MACHADO, A.; CARPES, F. EFEITO DO SUOR DECORRENTE DO EXERCÍCIO SOBRE O REGISTRO DA TEMPERATURA DA PELE MEDIDA COM TERMOGRAFIA E SENSORES DE CONTATO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.