DISFUNÇÕES SEXUAIS EM IDOSAS DURANTE A PANDEMIA DE COVID-19: RESULTADOS PRELIMINARES

  • Deise Iop Tavares
  • Cora da Gama Souza
  • Géssica Bordin Viera Schelemmer
  • Melissa Medeiros Braz
  • Alecsandra Pinheiro Vendrusculo
Rótulo Sexualidade, COVID-19, Idosos

Resumo

A pandemia de COVID-19 causou diversas mudanças tanto comportamentais como sociais que podem interferir na forma como se constrói a sexualidade. Em relação aos idosos, essa construção é cercada de mitos e tabus, podendo afetar a saúde sexual e a qualidade de vida. Este estudo tem como objetivo avaliar a ocorrência de disfunções sexuais em idosas durante a pandemia de COVID-19. Estudo quantitativo explicativo e retrospectivo pertencente a um estudo integrado registrado e aprovado no Comitê de Ética Institucional sob parecer 3.074.107 (CAAE: 03467718.5.0000.5346). A amostra preliminar foi de 50 mulheres com 60 anos ou mais, sexualmente ativas. Excluiu-se aquelas que não responderam a todas as questões solicitadas bem como que não estavam na faixa etária descrita acima. A coleta de dados se deu de forma virtual através de convites em redes sociais e englobava dados sociodemográficos, antecedentes ginecológicos e obstétricos, informações sobre o coronavírus e a função sexual. Os dados foram coletados entre os meses de dezembro de 2020 a agosto de 2021. Os instrumentos utilizados e as informações (objetivos, procedimentos, riscos e benefícios da pesquisa) assim como o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) foram inseridos na plataforma Google Formulários. Após, foi obtido o link de acesso que foi repassado para a população através das mídias sociais. Todos os preceitos éticos foram cumpridos de acordo com a Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. Para avaliação da função sexual utilizou-se o instrumento Female Sexual Function Index (FSFI) que apresenta seis domínios da resposta sexual, sendo eles: desejo, excitação, lubrificação, orgasmo, satisfação e dor ou desconforto. O instrumento apresenta os seguintes pontos de corte: 26,55 para o escore total, 4,28 para o domínio desejo, 5,08 para excitação, 5,45 para lubrificação, 5,05 para orgasmo, 5,04 para satisfação e 5,51 para o domínio dor ou desconforto. Em relação a análise estatística, foi realizado uma análise descritiva. Os resultados preliminares apresenta uma amostra com 65,69±5,64 anos, sexualmente ativa nas quatro últimas semanas (100%), das quais 22% (n=11) já tiveram COVID-19 e o principal sintoma foi febre acima de 38ºC (54,5%, n=06) e 36,3% (n=4) precisaram de internação. Em relação à função sexual, as idosas apresentam uma boa função sexual (FSFI = 27,11±6,9). Em relação aos domínios, a amostra apresentou escores abaixo dos pontos de corte em todos os domínios, sendo os piores os domínios desejo (4,02±1,49) e excitação (4,20±1,39). Ao verificar a porcentagem da amostra que apresenta indicativos de disfunção sexual verificou-se que 40% apresentam no geral, 60% apresentam alterações no desejo, 76% na excitação e 68% na lubrificação. O orgasmo é comprometido em 62% das idosas e a satisfação em 54% da amostra. A dor ou desconforto está presente em 24% da amostra estudada. Conclui-se que a amostra estudada apresenta predição de disfunção sexual pela análise de todos os domínios de resposta sexual. Novos estudos se fazem necessários para avaliar melhor a saúde sexual das idosas durante esse período que fez com que a população ficasse mais reclusa e com preocupações de saúde, principalmente da população longeva.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
IOP TAVARES, D.; DA GAMA SOUZA, C.; BORDIN VIERA SCHELEMMER, G.; MEDEIROS BRAZ, M.; PINHEIRO VENDRUSCULO, A. DISFUNÇÕES SEXUAIS EM IDOSAS DURANTE A PANDEMIA DE COVID-19: RESULTADOS PRELIMINARES. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.