QUAIS INTERVENÇÕES PODEM SER REALIZADAS PARA COMBATER O NEUROMITO DOS ESTILOS DE APRENDIZAGEM?

  • Ederson Nunes Bueno
  • Railson Carlos Olinto de Brito
  • Davi Henrique da Rocha Gonçalves Miranda
  • Mauren Assis De Souza
Rótulo Neuromitos, Estilos, aprendizagem, Ensino-aprendizagem

Resumo

São considerados neuromitos os conceitos equivocados, sobre as funções do cérebro, que acabam sendo propagados pela mídia e pelos sistemas educacionais. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) definiu neuromito como "um equívoco gerado por um mal-entendido, uma leitura incorreta ou uma citação incorreta de fatos cientificamente estabelecidos (por pesquisa do cérebro) para justificar o uso da pesquisa do cérebro na educação e outros contextos. Sendo assim, é importante que os neuromitos sejam identificados, estudados e combatidos para que não existam más interpretações sobre esse tema que é totalmente relacionado com a aprendizagem. O maior problema de perpetuar um neuromito na área da educação é que o ensino acaba não pautado em evidências científicas, mas sim em interpretações erradas sobre um determinado tema. Um dos neuromitos mais propagados por professores, e por alunos, que atuam diretamente nas escolas e universidades, é o neuromito dos estilos de aprendizagem que consiste em afirmar que alunos aprendem melhor se ensinados de acordo com sua preferência sensorial de aprendizado (Visual, auditivo, cinestésico, leitura e escrita). Pensando nisso, essa pesquisa buscou avaliar quais são as possíveis intervenções, práticas ou teóricas, para combater o neuromito dos estilos de aprendizagem. Este é um estudo de revisão de literatura que utilizou as plataformas de busca PubMed e ERIC com as palavras-chave: Neuromyths and learning. Foram incluídos artigos publicados em inglês (2017-2021), que abordaram os estilos de aprendizagem como neuromitos, que indicaram algum tipo de intervenção e que foram publicados em revistas que possuem maior fator de impacto JCR acima de 2.070. Foram encontrados 31 artigos no total, sendo onze filtrados e cinco selecionados de acordo com os critérios de inclusão. Quatro, destes cinco estudos, identificaram os estilos de aprendizagem como o neuromito mais presente, ao passo que todos os artigos trouxeram medidas de enfrentamento a esses equívocos. O desenvolvimento de treinamentos baseados em neurociência, voltados à formação de professores, foi a intervenção mais proposta e esteve presente em todos os estudos. Nessa ação, está a introdução de cursos de curta duração, seminários e workshops para o desenvolvimento crítico desses profissionais (PASTOU; HALIOU; VLACHOS, 2017). A formação inicial ou continuada deve se manter atualizada conforme as demandas educacionais. Além disso, o aumento do diálogo bidirecional entre pesquisadores e professores, almejando o desenvolvimento de práticas baseadas em evidência, foi a segunda intervenção mais citada entre os estudos. Em complemento a essas medidas, Grospietsch e Mayer (2019) defenderam que o treinamento em neurociência educacional também deve englobar os alunos, pois eles podem criar um raciocínio crítico a respeito de neuromitos como o dos estilos de aprendizagem. Os estudos também trouxeram a necessidade de uma mudança cultural no ambiente educacional, tendo em vista que as crenças sobre o aprendizado também estão presentes no funcionamento das instituições. Para isso, treinamentos voltados à liderança podem ser feitos com o objetivo de educar as equipes no tocante aos neuromitos. Por fim, há diferentes intervenções viáveis que podem ser tomadas para o combate ao neuromito dos estilos de aprendizagem, trazendo à tona a possibilidade da erradicação desses equívocos. Entretanto, mais pesquisas precisam ser analisadas para verificar se mesmo crendo em neuromitos os professores e alunos utilizam-se de práticas erradas em suas tarefas educacionais.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
NUNES BUENO, E.; CARLOS OLINTO DE BRITO, R.; HENRIQUE DA ROCHA GONÇALVES MIRANDA, D.; ASSIS DE SOUZA, M. QUAIS INTERVENÇÕES PODEM SER REALIZADAS PARA COMBATER O NEUROMITO DOS ESTILOS DE APRENDIZAGEM?. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.