A ATIVAÇÃO DO CÓRTEX PRÉ-FRONTAL INFRALÍMBICO E PRÉ-LÍMBICO É NECESSÁRIA PARA MELHORIA DA EXTINÇÃO DA MEMÓRIA AVERSIVA PROMOVIDA PELA REATIVAÇÃO

  • Ana Carolina de Souza da Rosa
  • Karine Ramires Lima
  • Ben Hur Souto das Neves
  • Pâmela Billig Mello Carpes
  • Liane da Silva de Vargas
Rótulo Memória, aversiva, Extinção, memória, Reativação, Córtex, Pré-frontal, Infralímbico, Pré-límbico

Resumo

A aprendizagem da extinção é a base da terapia de exposição, amplamente utilizada na clínica para tratar condições patológicas relacionadas às memórias de medo, como o transtorno de estresse pós-traumático. No entanto, a redução das respostas aversivas relacionadas ao trauma não é permanente, e a reativação é uma estratégia que vem sendo utilizada para melhorar esse aprendizado. O córtex pré-frontal ventromedial (CPFvm) participa da extinção da memória, mas o envolvimento das regiões infralímbica (IL) e pré-límbica (PL) do CPFvm não está claro. Neste estudo investigamos o papel das regiões IL e PL do CPFvm na modulação da extinção pela reativação da memória. Este projeto foi aprovado pelo CEUA/UNIPAMPA (protocolo 027/2013) e para o seu desenvolvimento foram utilizados 49 ratos Wistar machos adultos, os quais foram subdivididos de acordo com as duas etapas dos experimentos. Na etapa (i), para avaliar o efeito da reativação da memória na extinção da memória aversiva, 16 animais foram treinados na tarefa de Esquiva Inibitória (EI); 24h após os animais foram submetidos às sessões de extinção; parte dos animais foi submetida a uma reativação da memória 10 min antes do protocolo de extinção. No dia 3 foi realizado o teste de retenção de EI. Na etapa (ii), para investigar a participação de diferentes regiões do CPFvm no efeito modulador da reativação na extinção da memória, 44 animais foram submetidos à cirurgia estereotáxica para implantação de cânulas no CPFvm IL ou PL e, após um período de recuperação, foram submetidos ao mesmo protocolo descrito anteriormente; entretanto, os animais dos grupos experimentais receberam infusão de muscimol (0,01 μg/μL) (um agonista GABA que leva à inibição da estrutura cerebral) na região IL ou PL imediatamente após a reativação, enquanto os animais dos grupos controle receberam infusão de solução salina (veículo). No dia seguinte, todos os ratos foram submetidos ao teste de retenção. Após avaliação histológica pós-mortem, 33 animais foram incluídos na análise dos dados, considerando o correto posicionamento das cânulas. A tarefa de EI foi utilizada para avaliação da memória aversiva nas duas etapas; seu treino consistiu em colocar os animais na plataforma da EI e, quando desceram e colocaram as quatro patas nas grades eletrificáveis, um estímulo elétrico de 0,5mA por 2s foi desferido e os animais foram retirados do aparato e devolvidos à gaiola. O treinamento da extinção na EI começou 24h após o treino, realizado em 3 sessões, com intervalo de 90min entre elas; na extinção, os ratos foram novamente colocados na plataforma, e após descida da plataforma não receberam nenhum estímulo elétrico e exploraram o aparato por mais 30s. 48h após o treino, o teste de retenção foi realizado e a latência de descida da plataforma foi registrada. Alguns animais foram submetidos a sessão de reativação da memória 10 min antes das sessões de extinção, quando os ratos foram colocados na EI com as quatro patas nas grades eletrificáveis e receberam um estímulo de 0,5mA por 2s. O teste de Wilcoxon foi usado para comparar os resultados intragrupo (treino x teste na EI). O teste de Kruskal-Wallis seguido pelo post-hoc de Dunn foi usado para a comparação dos resultados entre os grupos. O teste de medidas repetidas de Friedman foi usado para comparar os resultados ao longo das sessões de extinção. As diferenças foram consideradas estatisticamente significativas quando P<0,05. Na etapa (i) deste estudo, verificamos que a reativação da memória antes do treino de extinção facilita a extinção da memória. No dia do treino na EI, não houve diferença entre os grupos (P=0,55). Nas sessões de extinção, ambos os grupos apresentaram latência de descida alta na primeira sessão, comparada ao dia do treino (P=0,007 para o grupo controle; P=0,007 para o grupo reativação), demonstrando que todos animais aprenderam a tarefa; não foram encontradas diferenças entre os grupos nas sessões de extinção 2 e 3. No dia do teste na EI, o grupo reativação apresentou latência menor que o grupo controle (P=0,02), demonstrando que a reativação facilitou a extinção da memória aversiva. Na etapa (ii), verificamos que a ativação do CPFvm IL e PL é necessária para a facilitação da extinção do medo por reativação. Os resultados do treino e sessões de extinção são semelhantes à etapa (i). No teste na EI, os grupos submetidos à reativação que receberam a infusão de muscimol, quando comparados aos grupos que receberam veículo, perderam o efeito facilitador da reativação na extinção (P=0,03 para PL+veículo x PL+muscimol; P=0,01 para IL+veículo x IL+muscimol). Portanto, demonstramos que a facilitação da extinção promovida pela reativação requer a ativação do CPFvm IL e PL, e pode ser uma estratégia comportamental utilizada na terapêutica de transtornos do medo.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
CAROLINA DE SOUZA DA ROSA, A.; RAMIRES LIMA, K.; HUR SOUTO DAS NEVES, B.; BILLIG MELLO CARPES, P.; DA SILVA DE VARGAS, L. A ATIVAÇÃO DO CÓRTEX PRÉ-FRONTAL INFRALÍMBICO E PRÉ-LÍMBICO É NECESSÁRIA PARA MELHORIA DA EXTINÇÃO DA MEMÓRIA AVERSIVA PROMOVIDA PELA REATIVAÇÃO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.