AVALIAÇÃO DA TOXICIDADE CRÔNICA DO EXTRATO DA PITANGA ROXA (EUGENIA UNIFLORA) EM ROEDORES

  • Eduarda Monteiro Fidelis
  • Jhuly Dorneles de Mello
  • Anne Suély Pinto Savall
  • Cristiane Casagrande Denardin
  • Simone Pinton
Rótulo EUGENIA, UNIFLORA, TOXICIDADE, EXTRATO

Resumo

A pitangueira (Eugenia uniflora) é uma árvore nativa do Brasil, mas é cultivada em vários países subtropicais. Uma grande diversidade de nutrientes e compostos bioativos tem sido encontrada nas folhas e frutos da E. uniflora, o que dá suporte ao seu uso na medicina popular para o tratamento de doenças como distúrbios estomacais e intestinais, febre e inflamação geral. Efeitos antioxidantes, antiflamatórios e neuroprotetores também são relatados para este fruto, entretanto, com relação ao perfil toxicológico, ainda existem poucos dados na literatura. Frente a esse questionamento, propusemos avaliar os efeitos da toxicidade a exposição crônica ao extrato da pitanga roxa em roedores. Para este protocolo utilizamos as Diretrizes OECD 423. Foram utilizados ratos machos e fêmeas Wistar (250-300 g) com 3 meses de idade (CEUA 008/2021), divididos em 4 grupos: (Controle/Fêmea; Pitanga/Fêmea; Controle/Macho e Pitanga/Macho, N=6/grupo). Os grupos controles receberam o veículo (salina) (3ml/kg, via gavage), os grupos tratados com pitanga receberam via gavage 1000mg/kg do extrato de pitanga roxa, os tratamentos ocorreram diariamente por 28 dias (protocolo I). A mortalidade e sinais de toxicidade geral - mudanças no peso corporal, consumo de alimento e água - foram monitorados ao longo de 28 dias. No último dia os animais realizaram o teste do campo aberto e em seguida foram eutanasiados. Seguindo a mesma Diretriz, para observar qualquer feito de toxicidade tardio é necessário utilizar um grupo satélite, que consiste em repetir esses 4 grupos e observá-los por mais 14 dias após o término do tratamento por 28 dias, logo, no 43º dia os animais realizaram o teste do campo aberto e após foram eutanasiados (protocolo II). Nossos resultados mostram que nenhum sinal de toxicidade ou morte foi registrado durante os 28 e nos 14 dias consecutivos após o tratamento por via oral com pitanga. O extrato da pitanga roxa não produziu nenhuma mudança significativa em ratos machos e fêmeas, como evidenciado pela ausência de sintomas tóxicos, e pela manutenção da ingestão de água/comida e ganho de peso corporal em ambos os protocolos. No teste do campo aberto, não teve diferença significativa no número de cruzamentos (marcador de locomoção) e elevações cervicais (marcador de comportamento exploratório) entre os grupos em ambos os protocolos. Em conclusão, a administração oral repetida do extrato da pitanga roxa na dose de 1000mg/kg apresentou baixa ou nenhuma toxicidade nos animais. Além disso, o extrato pareceu não ter efeito tóxico em ambos os sexos durante todo o estudo. Assim, o presente estudo mostra que o extrato da pitanga roxa é seguro até 1000 mg/kg em ratos, quando administrado por 28 dias. Mais estudos são necessários para estabelecer os efeitos nutracêuticos e usos de E. uniflora como um suplemento importante e seguro para a saúde humana.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
MONTEIRO FIDELIS, E.; DORNELES DE MELLO, J.; SUÉLY PINTO SAVALL, A.; CASAGRANDE DENARDIN, C.; PINTON, S. AVALIAÇÃO DA TOXICIDADE CRÔNICA DO EXTRATO DA PITANGA ROXA (EUGENIA UNIFLORA) EM ROEDORES. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.