EFEITO DA EXPOSIÇÃO À GORDURA TRANS DURANTE O PERÍODO DESENVOLVIMENTAL SOBRE MEMÓRIA E ESTRESSE OXIDATIVO EM DROSOPHILA MELANOGASTER

  • Gabriella Correa de Almeida
  • Larissa Londero
  • Luana Barreto Meichtry
  • Magna Sotelo
  • Guilherme Silva da Silva
  • Marina Prigol
Rótulo Ácido, graxo, trans, Drosophila, melanogaster, Memória

Resumo

Após a segunda guerra Mundial, os alimentos industrializados se fizeram cada vez mais presentes na sociedade. Tornando-se um dos destaques do capitalismo durante a Guerra Fria, os fast foods conquistaram a cena alimentar da população. Ricos em gorduras trans, esses alimentos, em grande quantidade na dieta, podem acarretar em patologias não transmissíveis. Outrossim, a gordura trans pode ser incorporada às membranas neuronais, alterando a plasticidade sináptica e como consequência aumentando a vulnerabilidade ao comprometimento cognitivo. Ademais, está associada ao aumento na geração de espécies reativas, levando ao estresse oxidativo. Dessa forma, dietas ricas em gordura podem ser responsáveis por induzir adaptações neuronais e com isso, prejudicar funções cognitivas. Portanto, a composição lipídica da membrana pode ser alterada de acordo com os ácidos graxos consumidos na dieta. Além disso, a saúde e composição da dieta materna tem grande influência no desenvolvimento da prole, onde estudos mostram que a exposição precoce a gordura trans, pode influenciar negativamente o desenvolvimento neurofisiológico dos descendentes. Por conta que as alterações na composição das membranas neurais ocorrem em maior intensidade durante o período desenvolvimental, sendo assim, o tipo de lipídio ao qual o organismo é exposto durante esse período é de extrema importância. Visto isso, é fundamental a busca por modelos alternativos que possibilitem a compreensão de patologias humanas. Diante disso, um modelo que vem trazendo resultados promissores relacionados ao entendimento das doenças humanas é o da Drosophila melanogaster, esse modelo e os seres humanos compartilham vários genes, conservam vias metabólicas e de sinalização, além de formar um tipo de memória de trabalho e tomada de decisões. Assim, esse estudo tem como objetivo avaliar os efeitos da adição de gordura vegetal hidrogenada (HVF) na dieta durante o período desenvolvimental de Drosophila melanogaster sobre a memória e o estresse oxidativo. O presente estudo utilizou Drosophila melanogaster (linhagem Harwich), de 1 a 4 dias de idade, as moscas foram divididas em 4 grupos: (1) Dieta regular (RD) contendo: farinha de milho, açúcar, gérmen de trigo, sal, leite em pó, ágar, (2) SHVF (valores de gordura da dieta regular foram substituídos por gordura vegetal hidrogenada na mesma proporção), (3) HVF 10% (dieta regular com 10% de gordura vegetal hidrogenada) (4) HVF 20% (dieta regular com 20% de gordura vegetal hidrogenada, onde os valores de gordura foram adicionados à RD. As moscas foram mantidas nas dietas experimentais durante o período de 7 dias. Após esse período, as moscas progenitoras foram removidas do meio e as que eclodiram (F1) foram utilizadas para o teste comportamental de supressão fototáxica aversiva, visando avaliar a memória das moscas; e para análise bioquímica de dosagem dos níveis de espécies reativas, a qual foi determinada por fluorimetria, utilizando 2, 7-diclorofluoresceína-diacetato. Para análise estatística, foi utilizado o teste de Shapiro-Wilk para verificar a normalidade dos dados. Para os dados com distribuição normal, realizou-se o teste ANOVA de uma via, seguido do pelo post-hoc de Tukey. Para os dados com distribuição anormal, realizou-se o teste de Kruskal-Wallis, seguido pelo post-hoc de Dunn's. Nossos resultados mostram uma redução na memória imediata de moscas expostas a HVF nas concentrações de HVF 10% e HVF 20% quando comparadas ao grupo RD. Já em relação aos níveis de espécies reativas as moscas expostas a HVF nas concentrações de 10% e 20% apresentaram um aumento na geração de espécies reativas, comparadas ao grupo RD, além do mais o grupo HVF 20% exibiu um aumento das espécies reativas comparadas ao grupo SHFV. Com relação aos resultados aqui encontrados, sugere-se que houve alteração neuroquímica no cérebro das moscas expostas à HFV durante o desenvolvimento, desregulando a homeostasia, conforme observado acredita-se que seja devido ao aumento da geração de espécies reativas na cabeça das moscas. Essas alterações podem estar associadas ao déficit cognitivo, uma vez que as espécies reativas podem modular a consolidação da memória. Conclui-se que a exposição a uma dieta rica em gordura vegetal hidrogenada durante o período desenvolvimental em Drosophila melanogaster afeta significativamente na memória, induzindo o estresse oxidativo. Considera-se substituições de utilização de componentes nos países, para diminuição e controle de ingestão de alimentos com gordura hirogenada, a fim de reduzir o número de danos causados graças ao efeito da gordura trans. Entretanto, ainda são primordiais mais pesquisas para aclarar os resultados alcançados.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
CORREA DE ALMEIDA, G.; LONDERO, L.; BARRETO MEICHTRY, L.; SOTELO, M.; SILVA DA SILVA, G.; PRIGOL, M. EFEITO DA EXPOSIÇÃO À GORDURA TRANS DURANTE O PERÍODO DESENVOLVIMENTAL SOBRE MEMÓRIA E ESTRESSE OXIDATIVO EM DROSOPHILA MELANOGASTER. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.