ANÁLISE DOS EFEITOS CITOTÓXICOS DE EXTRATOS DA PRÓPOLIS ÂMBAR GAÚCHA EM CÉLULAS LEUCÊMICAS DA LINHAGEM K562

  • Tanira Prieto
  • Andres Delgado Canedo
Rótulo própolis, brasileira, atividade, antitumoral, extratos, naturais, câncer

Resumo

A própolis, também conhecida como cola de abelha, é uma resina semelhante a uma cera encontrada nas colmeias. Ela é utilizada pelas abelhas para proteção da colmeia, atuando como antisséptico/antimicrobiano, além de manter o controle de temperatura e umidade dentro da colmeia. Em resumo, a própolis é constituída por 50% de resinas de vegetais, 30% de cera de abelha, 10% de óleos essenciais, 5% de pólen e 5% de detritos de madeira e terra. A própolis tem sido analisada em diversos estudos científicos devido as suas propriedades terapêuticas e benéficas a saúde humana, tais como: antifúngicas, antimicrobianas, anti-inflamatórias, analgésicas, cicatrizantes, antioxidantes e antitumorais, entre outras. A própolis da região do Pampa Gaúcho, que nosso grupo batizou de própolis Âmbar devido a sua coloração em extrato etanólico, foi coletada no apiário experimental da Universidade Federal do Pampa - Campus São Gabriel para avaliar suas características químicas e potenciais efeitos contra o câncer. O objetivo do estudo foi avaliar o efeito antitumoral dos extratos da própolis âmbar na linhagem leucêmica K562, cuja origem é proveniente de um paciente com Leucemia Mielóide Crônica já em estado avançado. A partir da própolis âmbar bruta foi feito um extrato inicial com Etanol absoluto; posteriormente, o etanol foi evaporado e com o extraído foram feitas extrações sequenciais com Hexano absoluto, Acetato de Etila absoluto para isolar os compostos químicos presentes na própolis por afinidade química em cada um dos solventes. Após terminada a preparação de cada extrato, foi possível observar que o Hexano extraiu uma proporção considerável de 60,4%, o Acetato de Etila extraiu cerca de 12,2% e o restante que denominamos Resíduo compreendeu 27,4% de compostos químicos em cada extração a partir do Extrato Etanólico Bruto. Os tratamentos com cada extrato (Extrato Etanólico com cera/sem cera; Extrato Hexânico; Extrato Acetato de Etila; Extrato Resíduo) em células da linhagem k562 foram realizados, inicialmente, em triplicatas na linhagem K562, utilizando a concentração máxima de 100μg/ml a 37ºC e 5% de CO₂ com umidade controlada por 24h. Devido à alta mortalidade de células (próxima de 100%) nas concentrações inicialmente usadas, foram realizados tratamentos com diluições seriadas de cada um dos extratos nas seguintes proporções: 1:2 / 1:4 / 1:8 / 1:16. A viabilidade das células foi analisada por microscopia para avaliar efeito dos extratos da própolis sobre características morfológicas. Nesta análise foi possível observar que o Extrato Etanólico (EEP com cera/sem cera) e Extrato Hexânico (EHP) possuem ação antitumoral semelhantes pela análise morfológica das células, enquanto que o Extrato de Acetato de Etila (EACP) demonstrou maior número de características morfológicas compatíveis com o processo de apoptose. O Extrato do Resíduo (ERP) demonstrou pouca mudanças morfológicas em comparação com o controle, sugerindo que os compostos químicos com atividades citotóxicas foram devidamente extraídos com os solventes anteriores. Após observação das mudanças morfológicas, sugerindo efeitos citotóxicos nas células K562, a viabilidade celular foi avaliada pela técnica de exclusão de Iodeto de Propídio (PI) marcando as células na concentração final de 250 μg/ml e observando por microscopia de fluorescência usando luz verde para excitação e filtro de vermelho para avaliar a emissão. O teste de exclusão de PI demonstrou que EHP e EACP possuem compostos com efeito citotóxico nas diluições de até 1:16, sugerindo que os compostos que possuem atividade antitumoral encontram-se nestas respectivas frações. Estes resultados preliminares sugerem a presença de moléculas com efeito citotóxico em células leucêmicas tanto em EEP quanto EHP; entretanto, o EHP possui maior efeito antitumoral em comparação ao EEP. Por outro lado, o EACP demonstrou maior efeito antitumoral em comparação aos EEP e EHP até a diluição máxima 1:16, o que sugere que as moléculas químicas neste extrato podem possuir propriedades citotóxicas pelo sinergismo entre moléculas separadas durante o fracionamento dos extratos. Em conclusão, os dados aqui apresentados indicam que a própolis âmbar apresenta diversas moléculas químicas com comprovados efeitos com potencial antileucêmico, estimulando a continuação das pesquisas que permitam isolá-las e estudar seus mecanismo de ação. Resultados mais específicos quanto as atividades antitumorais, envolvendo os processos de apoptose/necrose e ciclo celular serão realizados posteriormente, assim como a caracterização química por HPLC de cada extrato. Agradecimentos: UNIPAMPA (Laboratório de Cultura Celular Animal e Grupo de Pesquisa em Apicultura Apipampa).

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
PRIETO, T.; DELGADO CANEDO, A. ANÁLISE DOS EFEITOS CITOTÓXICOS DE EXTRATOS DA PRÓPOLIS ÂMBAR GAÚCHA EM CÉLULAS LEUCÊMICAS DA LINHAGEM K562. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.