SUPLEMENTAÇÃO MINERAL E ENERGÉTICA AFETA A OFERTA E SUPORTE FORRAGEIRO DO AZEVÉM SOB PASTEJO

  • Guilherme Soares Barboza
  • Talisson Nunes Ribeiro
  • Bruna Brandão Flores
  • Ricardo Predroso Oaigen
  • Eduardo Boher de Azevedo
  • Deise Dalazen Castagnara
Rótulo Azevém, Braford, Suplementação

Resumo

O desempenho tanto financeiro como produtivo da pecuária de corte é prejudicado na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul no período do inverno devido à redução do crescimento das pastagens nativas. Nesse período a baixa oferta forrageira associada à alta carga animal impactam negativamente no ganho de peso dos animais, paralisando seu crescimento. Em situações mais severas ocorrem situações com perda de peso destes ou mesmo, a morte de animais. Essa dinâmica pode ser modificada com uso de pastagens de inverno e suplementações estratégicas. Porém, ainda não estão claras na literatura as indicações técnicas para suplementação de novilhas sob pastagem de azevém nestas condições. Assim, objetivou-se com este trabalho mensurar a oferta forrageira e estimar a carga animal suportada em pastagens de azevém sob novilhas Braford recebendo diferentes suplementações. O delineamento experimental adotado foi o em blocos casualizados, com cinco estratégias suplementares e cinco ciclos de avaliações. As estratégias suplementares adotadas foram: T1 - Testemunha: Apenas pastagem; T2 - Suplementação Mineral (produto comercial): 80g/animal/dia; T3 - Suplemento energético 0,1% PV: produto comercial; T4 - Suplemento energético 0,5% PV: produto comercial 0,1% + 0,4% Farelo de arroz integral; T5 - Suplemento energético 1,0% PV: produto comercial 0,1% + 0,9% Farelo de arroz integral. Os piquetes possuíram área total de 2 hectares e comportaram 2 novilhas testers com peso vivo médio inicial de 180 kg. Nos ciclos de avaliações foram adotados intervalos de 21 dias, e para as estimativas da oferta forrageira foram amostrados três pontos em cada piquete, com uso de quadrado metálico com área conhecida. Na forragem amostrada foi estimado o teor de matéria seca e a partir deste, estimada a oferta forrageira por hectare. Na estimativa da carga animal foi considerando uma oferta de forragem de 4 kg de MS por kg de peso corporal. Os dados foram tabulados em Excel e submetidos à análise de variância. Quando esta revelou significância as suplementações foram comparadas por Tukey (5%) e os ciclos de avaliações por análise de regressão. Na primeira avaliação da oferta forrageira, todas as suplementações tiveram seu fornecimento iniciado sob pastagens com as mesmas condições de oferta forrageira, que proporcionou uma carga animal de 283 kg de PV/ha. Entretanto, a partir da segunda avaliação, ou seja, após o primeiro ciclo de pastejos, a carga animal suportada pela pastagem onde as novilhas receberam suplementação mineral sempre foi inferior às demais. As cargas obtidas para o 2º; 3º; 4º e 5º ciclos de avaliações foram de 302; 536; 669 e 695 kg de PV/ha, respectivamente. Para a testemunha e demais suplementações as cargas suportadas foram semelhantes, e os valores obtidos foram de 401; 610; 795; e 795 kg de PV/há, do 2º ao 5º ciclo, respectivamente. A menor carga suportada nas pastagens com oferta da suplementação mineral deve-se ao aporte mineral que estimulou o consumo de matéria seca nestes animais, que ao rebaixarem a pastagem, comprometeram sua capacidade e velocidade de recomposição da área foliar. Este comprometimento reduziu a área foliar, a capacidade fotossintética das plantas, o acúmulo de matéria seca e por consequência a oferta forrageira. Na testemunha esse processo não ocorreu porque a ausência de suplementação não estimulou o consumo de MS de forragem pelos animais. Nas suplementações energéticas, com 0,1 e 0,5% de suplemento, o aporte de carboidratos proporcionado ao ambiente ruminal possivelmente estimulou a digestibilidade da forragem ingerida. Como a forragem de azevém possui bom valor nutricional ao longo de todo seu ciclo forrageiro, o suporte de carboidratos combinado com o aporte proteico proporcionado pelo azevém estimulou a síntese de proteína microbiana. Com mais microrganismos e a intensificação do processo fermentativo, obtém-se maior produção de ácidos graxos voláteis e maior saciedade dos animais, auxiliando no equilíbrio do consumo e oferta forrageira. Na mesma situação de suplementação descrita acima, em situações de pastagens de baixo valor nutricional os níveis de suplementos de 0,1 e 0,5% do peso vivo ocasionariam efeito aditivo, ou seja, estimulariam o consumo de forragem. Neste estudo, o efeito foi diferente por se tratar de pastagens de azevém, com bom valor nutricional. A suplementação energética com 1,0% do peso vivo por sua vez, possui potencial para ocasionar efeito substitutivo de consumo, mesmo em pastagens de boa qualidade. Devido ao aporte nutricional e de matéria seca ocasionado pelo nível de suplemento, os animais tendem à redução de consumo, contribuindo com uma maior oferta forrageira e carga animal. A ausência de suplementação afeta a carga animal em pastagens de azevém sob pastejo de novilhas Braford, sendo menor em relação a carga animal dos piquetes com o uso de suplemento mineral ou energético nos níveis de 0,1; 0,5 e 1,0%.

Downloads

Não há dados estatísticos.
Publicado
2021-11-16
Como Citar
SOARES BARBOZA, G.; NUNES RIBEIRO, T.; BRANDÃO FLORES, B.; PREDROSO OAIGEN, R.; BOHER DE AZEVEDO, E.; DALAZEN CASTAGNARA, D. SUPLEMENTAÇÃO MINERAL E ENERGÉTICA AFETA A OFERTA E SUPORTE FORRAGEIRO DO AZEVÉM SOB PASTEJO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.