SISTEMA DE BIOFLOCOS COMO IMUNOESTIMULANTE EM PEIXES

  • Priscilla Espíndola da Silva
  • Jéssica Cristina Verus Villanova
  • Alessandra Sayuri Kikuchi Tamajusuku Neis
  • Gabriel Bernardes Martins
Rótulo Biofloco, Tilápia, Sistema, imune, Desafio, imunológico, Lisozima

Resumo

A tecnologia de biofloco (Biofloc Techonology - BFT) é um sistema de produção super-intensivo e ao mesmo tempo sustentável de organismos aquáticos. Inicialmente, o BFT foi aplicado em camarões marinhos e tilápias, sendo mais recentemente aplicado à produção de outras espécies. Este sistema fechado consiste em estimular, adicionando uma fonte de carbono orgânico exógena e aeração constante, a formação de flocos microbianos em suspensão contendo microalgas, protozoários e bactérias junto com detritos e partículas orgânicas. Estes flocos são capazes de remover a amônia liberada pelos peixes e os restos de ração melhorando a qualidade da água, sem necessidade de trocas frequentes. Dessa maneira, é evitado o desperdício desse recurso natural, além de permitir alta densidade de estocagem. Os flocos ainda podem ser uma fonte de alimento natural para os animais, melhorando a taxa de conversão alimentar e o crescimento. Por fim, além de todos esses benefícios, animais cultivados no sistema BFT apresentam melhora do sistema imune, contribuindo para o controle e gerenciamento de doenças. Levando em consideração que a aplicação de vacinas ainda não é uma prática comum nas pisciculturas, o papel imunoestimulante deste sistema torna-se muito relevante. O sistema imune de peixes é mediado por células e fatores humorais responsáveis por combater bactérias, vírus ou agentes patogênicos. Pode ser dividido em dois tipos: a resposta imune inata/natural também chamada de inespecífica já que ela ataca todos os patógenos de forma igual, e a resposta imune adaptativa/adquirida chamada de específica, pois reconhece antígenos específicos dos microrganismos. O objetivo deste estudo foi a realização de uma pesquisa bibliográfica sobre o assunto biofloco e sistema imune de peixes, a fim de quantificar as espécies mais estudadas e os parâmetros imunológicos mais medidos nos trabalhos científicos da área. Para tanto, foram realizadas buscas em banco de artigos científicos: Google Acadêmico, Pubmed, Science Direct, SciELO e periódicos CAPES, utilizando como palavras-chave biofloc, fish, immune system, challenge. O critério para a seleção foram artigos de pesquisa que apresentassem experimentos com a técnica do biofloco, em peixes e medisse a imunidade e/ou a sobrevivência dos animais submetidos a um desafio imunológico. A partir da leitura dos artigos selecionados, foram extraídos dados sobre a espécie de peixe, o período de cultivo em BFT, os parâmetros imunológicos medidos e, no caso dos desafios, os parasitas testados e a taxa de sobrevivência obtida. Estes dados foram organizados em planilhas, tabelas e gráficos e calculadas as porcentagens das espécies de peixes e dos parâmetros imunológicos, além das taxas de sobrevivência médias dos animais cultivados em BFT, por microorganismo testado. Como resultados, foram analisados 29 artigos científicos, publicados entre 2015 e 2021. As espécies de peixes utilizadas nos experimentos foram Oreochromis niloticus (52%), Cyprinus carpio, Labeo rohita e Clarias gariepinus (10% cada), Carassius auratus (7%), e Mugil cephalus, Paralichthys olivaceus, Rhynchocypris lagowski (3% cada). Considerando que a tilápia (O. niloticus) é uma das espécies de água doce mais cultivadas, é esperado que mais da metade dos trabalhos sejam dedicados a ela, confirmando sua importância econômica no cenário nacional e internacional. Já no levantamento dos parâmetros imunológicos medidos para aferir a capacidade imunoestimulante do biofloco, houve grande diversidade de ensaios realizados, desde contagem de leucócitos e anticorpos até atividade e expressão de diferentes enzimas, tanto em nível proteico quanto gênico. Entre os parâmetros mais influenciados pelo bioflocos, encontram-se: atividade da Lisozima (68% dos artigos), da Myeloperoxidase (36%), quantidade de globulinas (28%), albumina (20%), atividade da fosfatase alcalina (16%), atividade respiratória de leucócitos (16%), Interleucina- 1beta (16%), atividade do sistema complemento (ACH50) (12%) e Fator de Necrose Tumoral (TNF) (12%). A atividade da Lisozima está relacionada com a resposta imune inata, podendo ser encontrada tanto no sangue como muco dos peixes, destacando-se como uma das principais defesas inespecíficas contra microrganismos, dentro e fora dos animais. Além de aumentar a imunidade dos peixes naturalmente, o biofloco mostrou-se muito eficaz garantindo altas taxas de sobrevivência quando os animais foram desafiados com os seguintes parasitos: Aeromonas hydrophila (taxa média de sobrevivência de 79%), Streptococcus agalactiae (77%), Edwardsiella tarda (62%), Cyprinid herpesvirus 2 (66%) e Vibrio harveyi (70%). Em conjunto, estes dados demonstram que o sistema BFT é capaz de melhorar a imunidade de peixes, tanto modulando positivamente diferentes parâmetros imunológicos, especialmente a lisozima; quanto aumentando suas chances de sobrevivência quando desafiados com parasitos comumente encontrados nas pisciculturas.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
ESPÍNDOLA DA SILVA, P.; CRISTINA VERUS VILLANOVA, J.; SAYURI KIKUCHI TAMAJUSUKU NEIS, A.; BERNARDES MARTINS, G. SISTEMA DE BIOFLOCOS COMO IMUNOESTIMULANTE EM PEIXES. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.