RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA EM CÃES COM OSTEOMIELITE CRÔNICA

  • Sandy Liara Primaz
  • Maria Ligia de Arruda Mestieri
  • Marcela Pelisoli da Silva
  • Maria Eduarda Rodrigues Costa
  • Aline de Moura Jacques
  • Diego Vilibaldo Beckmann
Rótulo Antibiótico, Uso, indiscriminado, Ortopedia, Veterinária

Resumo

A resistência aos antimicrobianos é uma das principais preocupações mundiais para a saúde única e está diretamente associada ao uso irracional de antibióticos. A desinformação sobre as consequências da utilização de antibióticos sem prescrição, incorreta posologia, e a facilidade da sua aquisição para animais, contribui para o surgimento de superbactérias resistentes. Uma vez que há o uso indiscriminado de antibióticos na clínica cirúrgica de pequenos animais, a proximidade animal e tutor pode representar uma fonte potencial para a difusão de bactérias resistentes e agravar ainda mais esta problemática. Além disso, o limitado desenvolvimento de novos antibióticos associado a resistência aos antimicrobianos resultam na dificuldade de tratamento de infecções e consequentemente representam um risco para o futuro do planeta, o qual deve ser discutido. Assim, objetiva-se relatar o desenvolvimento de resistência antimicrobiana em 3 cães com osteomielite crônica, destacando a importância da criação de métodos para controle de aquisição e utilização de antimicrobianos na Medicina Veterinária. No Hospital Veterinário, foram atendidos 3 cães com queixa principal de claudicação e infecção de ferida cirúrgica. Ao histórico, os proprietários relataram que os animais foram submetidos a procedimento cirúrgico ortopédico em outro local e receberam diferentes classes de antibióticos prescritos por veterinários e adquiridos sem prescrição para tratamento. No exame físico constatou-se a presença de fístulas no local da ferida cirúrgica e dor. O diagnóstico de osteomielite crônica e desenvolvimento de resistência bacteriana foi confirmado através de exames complementares de sangue que revelaram leucocitose, exame radiográfico do membro sugestivo de infecção óssea, cultura e antibiograma da secreção presente na ferida cirúrgica. Caso 1: canino macho, sem raça definida, 4 anos de idade, 13,4Kg com histórico de osteossíntese de tíbia e fíbula há 1 ano. A cultura apresentou crescimento de Staphylococcus coagulase positiva e resistência à 15 antibióticos: Ampicilina, Sulbactam, Amoxicilina, Ácido Clavulânico, Cefalotina, Cefotaxima, Cefazolina, Cefoxitina, Ciprofloxacino, Clindamicina, Eritromicina, Gentamicina, Levofloxacina, Norfloxacina e Rifampicina. O tratamento consistiu em amputação do membro e antibioticoterapia (amicacina 15 mg/kg TID/4 dias; ceftriaxona 30 mg/kg BID/11 dias). Caso 2: canino macho, da raça dobermann, 2 anos de idade, 30,5Kg com histórico de duas osteossínteses de rádio e ulna há ano e meio. A cultura apresentou crescimento de cocos gram positivos e Staphylococcos coagulase negativa e o antibiograma resistência à Penicilina, Sulfametazol e Trimetoprim. O tratamento realizado foi o de amputação do membro e antibioticoterapia (cefalotina 30 mg/kg BID/20 dias). Caso 3: canino, fêmea, da raça akita, 3 anos de idade, 27,5kg com histórico de correção cirúrgica de luxação patelar há 1 ano. A cultura apresentou crescimento de bastonete gram negativo não fermentador, e o antibiograma resistente a Cefazoliana, Clindomicina, Cefalotina e Novobiomicina. O tratamento realizado foi de artrotomia exploratória, correção de luxação patelar e antibioticoterapia (amoxicilina + clavulanato de potássio 25mg/kg TID/20 dias). Em todos os casos foram administrados medicamentos para o controle da dor e após tratamento com o uso racional de antibioticoterapia, os animais apresentaram boa cicatrização da ferida cirúrgica. A realização de cultura e antibiograma permitiu a escolha adequada de antibióticos para cada caso. Na osteomielite crônica, a resistência bacteriana representa uma dificuldade para tratamento, e embora a antibioticoterapia seja necessária, o sucesso terapêutico está diretamente relacionado ao uso racional de antimicrobianos. Assim, o desenvolvimento de osteomielite crônica com resistência antimicrobiana relatada neste trabalho é um reflexo da utilização indiscriminada dos antibióticos. Este uso indiscriminado resultou na amputação do membro de dois animais o que altera a força estática distribuída entre os membros e gera sobrecarga. Portanto, visando as consequências advindas do uso indiscriminado de antibióticos, destaca-se a importância de administrar e prescrever antibióticos de maneira racional e sugere-se um controle rigoroso da venda de antibióticos para uso em animais, como a compra apenas com prescrição de um médico veterinário. Contudo, para a resolução desta problemática de saúde única mundial, os profissionais da saúde devem reconhecer que a resistência aos antimicrobianos é um problema multifacetado e a solução requer esforços ativos de todos os profissionais da saúde.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
LIARA PRIMAZ, S.; LIGIA DE ARRUDA MESTIERI, M.; PELISOLI DA SILVA, M.; EDUARDA RODRIGUES COSTA, M.; DE MOURA JACQUES, A.; VILIBALDO BECKMANN, D. RESISTÊNCIA ANTIMICROBIANA EM CÃES COM OSTEOMIELITE CRÔNICA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.