PLANTAS UTILIZADAS COMO REPELENTES DE MOSQUITOS TRANSMISSORES DE DOENÇAS – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

  • Willian Devitte
  • Leoncio Batista
  • Sabrina Biassus Guimarães
  • Stela da Silva
  • Claudete Izabel Funguetto
Rótulo Medicina, Veterinária, Óleos, Essenciais, Plantas, Repelentes

Resumo

Os mosquitos são vetores de inúmeras enfermidades infeciosas com capacidade zoonótica que vem ganhando cada vez mais importância nos países tropicais e em desenvolvimento devido aos impactos socioambientais que permitiram a modificação dos ecossistemas pelo desflorestamento e aumento da temperatura ambiental, estando associados, ainda, ao descontrolado crescimento urbano e insalubridade sanitária que promoveram alterações nos hábitos desses insetos, permitindo uma rápida disseminação de patógenos ao ser humano como nos casos da Febre amarela, Chikungunya, Zika, Malária e, no âmbito da veterinária, por exemplo, da dirofilariose e leishmaniose. Atualmente, a repelência por controle químico, representado principalmente pelo DEET (N, N-dietil-m-metilbenzamida), ainda é a opção mais utilizada devido a sua elevada eficácia e elevada toxicidade contra mosquitos, porém sendo extremamente prejudicial ao meio ambiente e a saúde humana. Baseado nisso, alternativas que busquem diminuir o uso de inseticidas sintéticos por meio do uso de inseticidas naturais oriundos de plantas com propriedades repelentes vem sendo estudadas, visto que, o Brasil, figura entre os países de maior extensão territorial e conta com uma ampla biodiversidade botânica. Assim, o trabalho teve por objetivo reunir informações na literatura a respeito de determinadas plantas utilizadas para este propósito. Foi realizada uma revisão bibliográfica sobre o tema em quatro base de dados eletrônicos (PubMed, Google scholar, Scielo e Elsiever) com a seleção realizada através dos títulos, resumos e por leitura completa dos artigos com seleção de 38 artigos entre os anos 2002 à 2020 listados nos idiomas português, inglês e espanhol. Foram encontrados dados relacionados à 12 plantas: Citronela (Cymbopogon winterianus e Cymbopogon nardus), Manjericão (Ocimum basiculim), Alecrim (Rosmarinus officinalis), Erva-cidreira (Melissa officinalis), Hortelã (Mentha piperita), Lavanda (Lavandula dentata), Pimenta de macaco (Piper aduncum), Capim limão (Cymbopogon citratus), Eucalipto (Eucalyptus spp), Andiroba (Carapa guianensis) e Crisântemo (Chrysanthemum cinerariefolium). Dentre estas plantas, a Citronela é a mais reconhecida, participando da produção de repelentes naturais contra insetos, sendo bastante difundidas por meio da plantação em jardins, loções e sprays utilizadas por via tópica, bem como velas e incensos para o ambiente. Sendo assim, as plantas repelentes vem ganhado cada vez mais espaço quando comparados aos produtos sintéticos, sendo que o uso físico destas plantas ou de produtos derivados, principalmente os óleos essenciais, possuem grandes efeitos no processo de repelência dos mosquitos. Os óleos essenciais encontrados nas plantas são compostos orgânicos que ficam envoltos por estruturas denominada tricomas e são liberados no ambiente em resposta a um estímulo de agressão, formando uma barreira que impede o contato do inseto com o animal ou humano, sendo bastante voláteis e evaporando facilmente em temperatura ambiente e, por tais motivos, sua utilização se tornou uma alternativa que vem chamando atenção no ramo industrial, relacionados a boa aceitação por parte do público em consequência de sua origem natural, além do fato de ser um produto bastante oportuno referente ao baixo custo de aquisição, maior segurança, boa eficácia, acelerada biodegradação, baixos efeitos deletérios ao meio ambiente e a saúde humana em relação aos inseticidas químicos. Assim, foi possível verificar que no dia a dia estamos envoltos pela existência de variadas plantas com potencial repelente em razão da demonstração de sua boa eficácia tanto em sua forma natural quanto na produção de óleos essenciais, além do fato de apresentarem diversas vantagens quando comparados aos repelentes sintéticos. Apesar disso, ainda há alguns entraves que impedem a utilização destes produtos com maior intensidade como, por exemplo, a baixa capacidade de persistência ambiental dos óleos essenciais devido à alta volatilidade e poucos estudos relacionados ao tema, sendo necessário estudos mais aprofundados na área.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
DEVITTE, W.; BATISTA, L.; BIASSUS GUIMARÃES, S.; DA SILVA, S.; IZABEL FUNGUETTO, C. PLANTAS UTILIZADAS COMO REPELENTES DE MOSQUITOS TRANSMISSORES DE DOENÇAS – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.