BROMATOLOGIA DO AZEVÉM PASTEJADO POR TERNEIRAS BRAFORD SOB SUPLEMENTAÇÕES

  • Giovana Ester Spohr
  • Bruna Brandão Flores
  • Letícia Romani Simoni
  • Ricardo Pedroso Oaigen
  • Deise Dalazen Castagnara
  • Eduardo Bohrer de Azevedo
Rótulo Pecuária, corte, Pastagens, inverno, Suplemento

Resumo

A pecuária de corte desenvolvida na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul tem como base alimentar dos rebanhos as pastagens que praticamente paralisam seu crescimento no período do inverno devido às baixas temperaturas. Devido a isso, os animais sofrem restrição alimentar, especialmente no que diz respeito ao valor nutricional da forragem disponível. A utilização de pastagens de inverno como o azevém pode amenizar esse aspecto negativo e ainda pode ser potencializada com uso de suplementações minerais. Assim objetivou-se com este estudo mensurar a qualidade bromatológica da forragem produzida pelo azevém pastejado por bovinos de corte recebendo diferentes suplementações. O delineamento experimental adotado foi o em blocos casualizados, com cinco tratamentos, duas repetições físicas (piquetes) por tratamento, e quatro repetições no tempo (ciclos de avaliações). Os tratamentos adotados foram: T1 - Controle: Apenas pastagem; T2 - Suplementação Mineral (produto comercial): 80g/animal/dia; T3 - Suplemento energético 0,1% PV: produto comercial; T4 - Suplemento energético 0,5% PV: produto comercial 0,1% + 0,4% Farelo de arroz integral; T5 - Suplemento energético 1,0% PV: produto comercial 0,1% + 0,9% Farelo de arroz integral. Os piquetes possuíram área experimental de 2 hectares, e nestes foram alocadas como testers três novilhas da raça Bradford com peso vivo médio inicial de 180 kg. Animais reguladores adicionais foram usados para manutenção da carga animal adequada e altura da pastagem almejada. A forragem foi amostrada, pela técnica de simulação de pastejo ao início de cada ciclo de avaliações em 15 pontos distintos em cada piquete. Após a coleta foram secas em estufa, trituradas e submetidas à procedimentos laboratoriais para determinação da proteína bruta (PB) e fibra em detergente neutro (FDN). Os dados foram tabulados em Excel, e submetidos à análise de variância. Os suplementos foram comparados por Tukey (5%) enquanto os ciclos foram estudados por meio de análise de regressão linear e/ou quadrática. Em nenhum dos ciclos avaliativos de crescimento do azevém foram constatadas diferenças significativas para os teores de PB da forragem. As alterações observadas ocorreram em função do ciclo de avaliações e não dos suplementos ofertados aos animais. Esse resultado indica que mesmo na ausência de suplementação (T1) a oferta da pastagem de azevém foi suficiente para atender as demandas de consumo dos animais. Com essa moderação de pastejo, este não foi exacerbado à ponto de desencadear modificações na estrutura do pasto e, portanto, da forragem ofertada, chegando a alterar seus teores de PB. Ao longo dos ciclos avaliativos os teores de PB apresentaram decréscimo linear (Y= -0,061x + 15,289; R² = 0,98), com valores de 151; 143; 129 e 113 g/kg, para o 1º; 2º; 3º e 4º ciclos, respectivamente. Os valores de FDN também foram constantes com o uso das suplementações, e a média observada foi de 567 g/kg. A manutenção da oferta padrão nos piquetes recebendo os diferentes suplementos, e as condições climáticas favoráveis ao crescimento da pastagem contribuíram para estes resultados. Já no decorrer dos ciclos, a FDN da forragem comportou-se de maneira quadrática (Y= 0,0099x² - 0,4032x + 54,116 R² = 0,64), onde decresceu durante os primeiros 21 dias de pastejo, com posterior aumento. Ao longo dos ciclos de avaliação, na entrada dos animais a forragem apresentava FDN de 564 g/kg, que decresceu até 20º dia de pastejo atingindo 432 g/kg. Após este período apresentou elevação, atingindo valores de 615 e 657 g/kg aos 42 e 63 dias de pastejo, respectivamente. O decréscimo observado no primeiro ciclo de pastejo deve-se à entrada do azevém na fase vegetativa e à resposta das plantas à adubação nitrogenada em cobertura. Esta, estimula crescimento das plantas especialmente quanto ao crescimento da área foliar, que eleva a produção de matéria seca, mas também a participação de folhas na forragem ofertada. Como estas possuem menores teores de FDN, por consequência este também se apresentará em valores inferiores na forragem ofertada aos animais e amostrada para as análises. O fornecimento de suplementações Mineral ou em diferentes proporções de Suplemento Energético (0,1; 0,5 e 1,0% do PV) não alteram os teores de PB, FDN e FDA da pastagem de azevém. Entretanto, a dinâmica de crescimento da pastagem reduz os teores de PB e eleva os teores de FDN ao longo do ciclo de crescimento forrageiro.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
ESTER SPOHR, G.; BRANDÃO FLORES, B.; ROMANI SIMONI, L.; PEDROSO OAIGEN, R.; DALAZEN CASTAGNARA, D.; BOHRER DE AZEVEDO, E. BROMATOLOGIA DO AZEVÉM PASTEJADO POR TERNEIRAS BRAFORD SOB SUPLEMENTAÇÕES. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.