AVALIAÇÃO HEMATOLÓGICA EM CÃES E GATOS COM INSUFICIÊNCIA RENAL

  • Geovana Soares
  • Vitória Xavier Cabral
  • Richelle da Silva Jardim
  • Regina Celis Pereira Reiniger
Rótulo Anemia, creatinina, pequenos, animais, ureia

Resumo

A Insuficiência Renal (IR) é uma patologia crítica que afeta seguidamente cães e gatos, independente da faixa etária. É caracterizada pela perda de função dos néfrons, podendo se apresentar em duas fases, crônica e aguda. No quadro agudo ainda é possível reverter a função dos néfrons e lesões estruturais, já no quadro crônico as lesões morfológicas e fisiológicas são irreversíveis, sendo esta a forma prevalente nos animais. O diagnóstico é baseado em exames de sangue como função renal e hemograma, e urinálise em conjunto com a ultrassonografia abdominal. Os achados clínicos consistem em taxas elevadas de ureia, creatinina e fósforo, sendo que a creatinina pode variar de acordo com a idade, sexo e massa muscular, uma vez que os pacientes jovens manifestam concentrações inferiores, quando comparados com indivíduos adultos. Alterações não específicas podem ser observadas, como leucocitose com ou sem desvio à esquerda e monocitose. O presente trabalho teve como objetivo avaliar os resultados hematológicos de cães e gatos com diagnóstico presuntivo de insuficiência renal. O estudo em questão baseou-se nos prontuários cedidos de uma clínica particular da cidade de Bagé, Rio Grande do Sul, atendidos no período de 2020/2021, com diagnóstico clínico de alteração renal. Foram avaliados prontuários de 16 animais, que apresentaram sinais clínicos tais como: poliúria e polidipsia e perda de peso, e alterações na função renal, com aumento de ureia e creatinina. Os resultados demonstraram que do total de pacientes avaliados, 11 foram caninos (68,75%) e cinco felinos (31,25%). Em relação às espécies observou-se um quadro anêmico em 45,45% e 40% respectivamente, pois em razão da perda da função excretora, os rins deixam de excretar a ureia, creatinina, e outras substâncias que deveriam ser expelidos pelos néfrons. A falha dos rins em não conseguir executar a fisiologia renal normal, leva a redução da síntese de eritropoietina, levando assim o paciente a desenvolver uma redução do número das hemácias, que evolui para uma anemia normocrômica normocítica não regenerativa. Considerando a idade dos pacientes, 90,9% dos caninos estavam na faixa entre nove a 14 anos, demonstrando uma idade média de 9,4 anos (±3,6), porém apenas 25% dos felinos apresentavam idade avançada (15 anos), com a idade média de 10,3 (±6,4). Não houve relevância em relação ao sexo nos pacientes analisados. A preocupação do clínico em relação a pacientes idosos, são as alterações que o organismo sofre com o avançar da idade, sendo as disfunções renais uma delas. A alteração da função renal associada a anemia normocítica normocrômica demonstra o grau de cronicidade da enfermidade, o que pode estar ligado a idade dos pacientes caninos (14 anos), sendo a espécie dependente da produção de eritropoietina pelo rim. Apenas um paciente canino, apresentando as mesmas alterações supracitadas, tinha dois anos de idade, o que deve ter um estudo mais aprofundado no quadro clínico deste paciente. Os caninos com idades na faixa de 9 a 11 anos, apresentaram alteração da função renal, porém sem a presença de anemia, o que pode demonstrar a necessidade e avaliações permanentes destes pacientes para verificar a eficiência da terapêutica adotada, para manter estável o quadro assim como a qualidade de vida do paciente. Como formas de reverter esta condição existe terapia específica, direcionada para a causa primária da lesão renal; e a terapia conservativa, que consiste no tratamento sintomático do paciente. Com base nos resultados obtidos a partir da análise dos exames, todos os pacientes suspeitos de alteração renal, tanto caninos como felinos, demonstraram aumento na ureia e creatinina, evidenciando a disfunção do órgão, contudo, nem todos apresentaram anemia e/ou leucocitose. Para um diagnóstico fidedigno é preciso mais exames bioquímicos, como análise de fósforo, cálcio, sódio e potássio, assim também como a urinálise, pois a densidade urinária é um excelente parâmetro em relação a capacidade do órgão de concentrar a urina, podendo auxiliar na determinação do quadro, esclarecendo se é crônico ou agudo. Conclui-se que o acompanhamento anual de animais acima de seis anos de idade, independente da espécie (caninos ou felinos) deverá ser sugerido a tutores, com exames complementares de diagnóstico como forma de detecção precoce de alterações que surgem no decorrer da idade, como também acompanhar os casos de insuficiência renal para manter qualidade de vida do paciente.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
SOARES, G.; XAVIER CABRAL, V.; DA SILVA JARDIM, R.; CELIS PEREIRA REINIGER, R. AVALIAÇÃO HEMATOLÓGICA EM CÃES E GATOS COM INSUFICIÊNCIA RENAL. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.