BIOECONOMICIDADE E DESEMPENHO DE NOVILHAS BRAFORD EM PASTAGEM DE AZEVÉM SOB SUPLEMENTAÇÕES

  • Larissa Lima
  • Larissa Trindade de Lima
  • Bruna Brandão Flores
  • Ana Gabriela da Silva da Rosa
  • Mariana Trindade Barreto
  • Ricardo Pedroso Oaigen
  • Deise Dalazen Castagnara
Rótulo Bovinos, Corte, Nutrição, Animal, Ganho, Peso, Pecuária, Pastoreio

Resumo

A suplementação de bovinos sob pastagens é uma técnica muito usada pelos produtores e bastante eficaz para o desenvolvimento produtivo dos animais. O uso da suplementação em pastagens auxilia na melhora do ganho de peso individual dos animais pois é possível ajustar os níveis nutricionais ao longo da curva de oferta de pasto, assim aumentando carga animal por hectare. A suplementação de fêmeas dessa categoria visa diminuir a idade do primeiro acasalamento, e para isso depende do peso a desmama, peso alvo para acasalamento, e taxa de ganho entre a desmama e acasalamento. Objetivou-se com este trabalho avaliar a bioeconomicidade da suplementação de novilhas Braford pastejando forragem de azevém. O experimento foi implantado sob delineamento em blocos casualizados, com cinco suplementações avaliadas durante cinco intervalos de pastejo de 21 dias. Os piquetes possuíam área de 2 hectares, e três novilhas por piquete. Os suplementos estudados compreenderam cinco tratamentos: T1 - Controle: Apenas pastagem; T2 - Suplementação Mineral (produto comercial): 80g/animal/dia; T3 - Suplemento energético 0,1% PV: produto comercial; T4 - Suplemento energético 0,5% PV: produto comercial 0,1% + 0,4% Farelo de arroz integral; T5 - Suplemento energético 1,0% PV: produto comercial 0,1% + 0,9% Farelo de arroz integral. Foi mensurado o ganho médio diário (GMD) e o consumo dos suplementos. A partir destes foram estimados os custos com suplementos e a receita gerada com o ganho de peso das novilhas. Para estes foi considerado o valor comercial dos suplementos e o preço de venda das novilhas (R$ 5,80/kg de PV). A partir destas informações foi calculada a receita gerada por cada estratégia de suplementação. Os dados foram tabulados em planilhas Excel e estas foram utilizadas para auxiliar nos cálculos das variáveis contempladas no estudo. Os GMDs obtidos no período foram inferiores no tratamento sem suplementação (0,567 kg/dia) e suplementação mineral (0,659 kg). Enquanto, o fornecimento da suplementação energética nos níveis de 0,1; 0,5 e 1,0% do PV viabilizaram GMDs de 0,796; 0,882 e 0,864 kg/dia, respectivamente. Os maiores ganhos observados com o uso do suplemento energético devem-se ao aporte energético direto proporcionado por este. Mas também, o maior aporte de carboidratos no ambiente ruminal associado ao aporte nitrogenado advindo da proteína bruta do azevém estimularam a síntese de proteína microbiana com aumento da digestibilidade da forragem e do desempenho animal. Ao longo do experimento, os ganhos totais obtidos também foram inferiores quando a suplementação não foi usada (142 kg) e quando usou-se somente a suplementação mineral (135 kg). Na presença dos suplementos energéticos os ganhos foram de 180, 203 e 179 kg, ao serem fornecidos 0,1; 0,5 e 1,0% do peso vivo, respectivamente. Ao serem considerados os custos com a suplementação nos tratamentos T1; T2; T3; T4 e T5, foram obtidos os valores de R$0,00; R$42,58; R$123,47; R$239,44 e R$344,30, respectivamente. Ainda, a receita obtida com os ganhos para os tratamentos foi de R$820,76; R$782,21; R$1.042,64; R$1.179,48 e R$1.037,92, respectivamente. Estes resultados permitiram receitas líquidas distintas entre os tratamentos estudados. O maior nível de suplementação (1,0% de suplemento energético) gerou a menor receita líquida (R$693,61), portanto, a menor bioeconomicidade. Na sequência, o uso da suplementação mineral proporcionou uma receita líquida de R$739,63, inferior à receita líquida obtida com a ausência de suplementação (R$820,76). O uso das suplementações energéticas nos níveis de 0,1 e 0,5% do peso vivo proporcionou as melhores economicidades, que viabilizaram receitas líquidas de R$919,17 e R$940,04, respectivamente. Estes resultados demonstram que não necessariamente o maior nível de investimento ocasionará o maior retorno econômico, tampouco a melhor bioeconomicidade. Ainda, fica claro a partir dos resultados, que a estratégia suplementar deve ser decidida com base nos objetivos de produção e o estágio da pastagem, para que assim a técnica se adeque ao principal propósito, e também é importante acompanhar resultados de pesquisa sobre suplementações a pasto, para que a decisão do produtor seja assertiva e atenda suas expectativas. A suplementação energética com níveis de 0,1 e 0,5% do peso vivo proporcionaram a melhor bioeconomicidade para novilhas Braford sob pastagem de azevém. Na decisão do pecuarista entre não suplementar, usar 1,0% do peso vivo de suplemento energético ou usar apenas suplemento mineral, a maior assertividade seria obtida na ausência de suplementação.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
LIMA, L.; TRINDADE DE LIMA, L.; BRANDÃO FLORES, B.; GABRIELA DA SILVA DA ROSA, A.; TRINDADE BARRETO, M.; PEDROSO OAIGEN, R.; DALAZEN CASTAGNARA, D. BIOECONOMICIDADE E DESEMPENHO DE NOVILHAS BRAFORD EM PASTAGEM DE AZEVÉM SOB SUPLEMENTAÇÕES. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.