LINFOMA MULTICÊNTRICO EM CÃO: RELATO DE CASO

  • Nathalia Roberta Dias dos Santos
  • Nathalia Boeira Coghetto
  • Camila Lie Yamauchi
  • Leonice Aparecida de Fátima Alves Pereira Mourad
Rótulo Linfoma, multicêntrico, cão, citologia

Resumo

O linfoma (linfossarcoma) consiste em neoplasia linfoide com origem em órgãos hematopoieticos sólidos, como linfonodo, baço, fígado e MALT (tecido linfoide associado a mucosa). A etiologia do linfoma em cães é indeterminada. Entretanto, sugere-se um componente genético devido a maior prevalência em determinadas raças e linhagens, bem como exposição a agentes químicos, campos eletromagnéticos e trombocitopenia imunomediada. Quanto à forma de apresentação, em cães, classificam-se em multicêntrico, mediastínico, alimentar e extranodal. O linfoma multicêntrico é caracterizado por linfadenomegalia generalizada - acomete linfonodos superficiais e profundos e pode haver envolvimento do baço, fígado e medula óssea ou uma combinação destes. Os sinais clínicos podem incluir perda de peso, letargia, anorexia/hiporexia, linfonodos aumentados, febre, edema, tosse, poliúria, polidipsia, entre outros. O diagnóstico por citologia pode ser realizado em 90% dos casos. Nas demais situações requer-se a realização de outros testes, como histopatológico, imunocitoquímico ou técnicas moleculares. A poliquimioterapia é a modalidade terapêutica mais utilizada e eficaz no tratamento de cães com linfoma. Em geral, a remissão em cães com linfoma multicêntrico é em torno de 80% e o tempo em remissão varia de 4 a 8 meses. Aproximadamente 80% dos linfomas em cães são do tipo multicêntrico. A maior incidência desta forma justifica a necessidade de relatos sobre diagnóstico, tratamentos e resultados. O objetivo deste trabalho é apresentar relato de caso de canino com diagnóstico de linfoma multicêntrico sobre o aspecto da clínica médica. Trata-se de um cão, labrador, 47kg, 13 anos de idade, atendido no Hospital Veterinário Universitário da Universidade Federal de Santa Maria (HVU-UFSM). O tutor relatou hiporexia, vômitos após a ingestão de água, fezes amareladas e amolecidas há uma semana. O animal foi encaminhado por outro profissional e possuía exames laboratoriais e ultrassonografia abdominal realizados previamente. Ao exame físico constatou-se linfadenomegalia generalizada. A médica veterinária solicitou a realização de citologia aspirativa por agulha fina (CAAF) dos linfonodos superficiais. As amostras de citologia foram sugestivas de linfoma. O hemograma revelou discreta anemia normocítica normocrômica arregenerativa. Os exames bioquímicos demonstraram elevação das enzimas hepáticas alanina aminotransferase, fosfatase alcalina e gama glutamil transferase respectivamente em 604 U/L, 1257 U/L e 13 U/L. A ultrassonografia constatou baço com aumento de volume, bordos afilados e presença de diversos pontos hipoecogênicos distribuídos pelo parênquima; fígado com redução de ecogenicidade e estômago com parede espessa. O quadro clínico aliado ao resultado da CAAF permitiu a obtenção de diagnóstico compatível com linfoma. Foi estabelecido ao paciente o protocolo quimioterápico CHOP (doxorrubicina-ciclofosfamida-vincristina-prednisona). Um dia após a primeira sessão de quimioterapia (dose de 0,8ml de vincristina), o animal apresentou convulsões e deterioração do quadro geral. O tutor optou pela eutanásia e não autorizou necrópsia. O estadiamento preciso não pôde ser obtido. No entanto, as alterações das enzimas hepáticas aliadas às alterações de imagem sugerem estadiamento IV. Embora a remissão em cães com linfoma multicêntrico submetidos à tratamento seja de aproximadamente 80%, no presente caso, provavelmente o diagnóstico tardio tornou o prognóstico desfavorável.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
ROBERTA DIAS DOS SANTOS, N.; BOEIRA COGHETTO, N.; LIE YAMAUCHI, C.; APARECIDA DE FÁTIMA ALVES PEREIRA MOURAD, L. LINFOMA MULTICÊNTRICO EM CÃO: RELATO DE CASO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.