DISFORIA E HIPERALGESIA INDUZIDA POR FENTANIL EM CANINOS – REVISÃO

  • Dimas Dal Magro Ribeiro
  • Kamylla Padilha Garcia
  • Diego Vilibaldo Beckman
  • Marilia Teresa De Oliveira
Rótulo Opioide, Dor, Neuroplasticidade, Animal, Farmacologia, Veterinária

Resumo

A dor foi conceituada pela International Association for the Study of Pain como uma experiência sensitiva e emocional desagradável, associada, ou semelhante a aquela associada, a uma lesão tecidual real ou potencial. Com base nisso, sabe-se que os opioides são considerados a base para o tratamento eficaz da dor em pequenos animais, assim como, para os humanos. Contudo, apesar de serem extremamente úteis podem promover comportamentos associados à disforia, assim como, induzir neuroplasticidade e dor aumentada ao estímulo que normalmente provoca dor, este fenômeno denominado como hiperalgesia. Dentro dessas premissas e sabendo que não há um consenso em relação a ocorrência desses fenômenos, objetivou-se realizar uma revisão sistemática sobre disforia e/ou hiperalgesia induzida por fentanil em caninos. O presente estudo utilizou as plataformas PubMed e SciELO, como motores de busca para a coleta de dados. Além disso, a pesquisa se deu a partir das seguintes palavras-chave, dysphoria and fentanyl and canine, hyperalgesia and opioid and animal e hyperalgesia and fentanyl and canine. O período da pesquisa foi de 2001 a 2021 e foram excluídos da revisão casos ou estudos sobre disforia e hiperalgesia em outras espécies ou ocasionados pelo uso de outros opioides. Utilizando os fundamentos citados anteriormente, foi possível encontrar 2.188 trabalhos, todavia, apenas dois se enquadraram nos critérios estabelecidos para esse estudo. Dessa forma, Becker et al. em 2012 objetivaram descrever a prevalência de disforia após a administração intraoperatória de infusão com fentanil, além disso, identificar outros fatores de risco relacionados a ocorrência desse fenômeno em cães submetidos a cirurgia de joelho. Assim, constataram em 23,9% dos cães avaliados (22/92) disforia após a administração de fentanil. O critério para essa conclusão partiu de uma avaliação com base no comportamento do animal exibido após a extubação, onde foi utilizada uma escala desenvolvida por pesquisadores combinando observações clínicas de cães e descrições de comportamento associados à disforia, assim como foi possível observar no relato de Hofmeister et al. em 2006, os quais dissertam sobre a disforia opioide em três cães. A partir da pontuação obtida pela escala de avaliação, foram realizadas manobras para verificar a veracidade da conclusão alcançada, assim o animal poderia estar em delírio devido ao anestésico inalatório, com dor (resposta a administração de fentanil) ou disfórico (resposta a administração de tranquilizante, sedativo e antagonista opioide). Os dois artigos apontam a vocalização como o principal sinal clínico, todavia, Hofmeister et al. enfatizam a dificuldade de determinar a causa da vocalização. Além disso, Becker et al. constataram que a probabilidade de um cão ser disfórico depois de receber dopamina ou dobutamina é três vezes maior em comparação com um cão que não recebeu esses medicamentos no transoperatório. Ambos os estudos apontam a importância da identificação precisa da disforia e o papel do uso de um antagonista opioide. Segundo Hofmeister et al. essa seria a única ferramenta confirmatória, todavia, esclarece que os diferenciais devem ser descartados antes da tentativa de reversão dos efeitos do opioide, pois o reflexo dessa ação é a falha na analgesia do animal em questão. Apesar dos poucos dados encontrados para essa revisão, os estudos revelaram que o uso do fentanil em infusão contínua ou doses repetidas está associado ao desenvolvimento de disforia em cães. Dentro desse contexto, a prevalência de disforia induzida por opioides é ainda incerta e os dois autores mencionados levantam a hipótese de que em muitos casos a dor possa ser confundia com disforia e vice-versa, devido a semelhança dos sinais apresentados, deixando lacunas no meio científico que merecem ser investigadas.

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Publicado
2021-11-16
Como Citar
DAL MAGRO RIBEIRO, D.; PADILHA GARCIA, K.; VILIBALDO BECKMAN, D.; TERESA DE OLIVEIRA, M. DISFORIA E HIPERALGESIA INDUZIDA POR FENTANIL EM CANINOS – REVISÃO. Anais do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão, v. 13, n. 3, 16 nov. 2021.